maio 2012


A porta do elevador abre, um homem sai rapidamente e vai embora. Faço o comentário em voz alta enquanto entro no elevador: “ué! pensei que ele fosse o ascensorista” e a moça ao meu lado grita: “Lagartiiiiixaaaa!!!!”  Olho espantada para ela e sei que a conheço de algum lugar, mas cadê que me lembro?

Ela diz que reconheceu minha voz e não sei o que responder. Como assim a moça reconheceu minha voz? O que tem de tão memorável nela?Ai meu Deus! será que tenho aquele tipo de voz  igual a da Fran Drescher que é realmente inesquecível, mas não pelo lado bom?

Fico ali sorrindo feito uma  pastel, falando generalidades enquanto as engrenagens se recusam a funcionar e continuo tentando fazer a ligação daquele rosto com algum curso, trabalho, festa, amiga de amiga, etc., para poder dar um nome à ele mas é tudo em vão.

Chegamos ao térreo e saio do elevador lépida e fagueira, com o mesmo sorriso idiota grudado na cara e digo que preciso correr porque estou super atrasada (o que é mentira, claro, mas espero que ela não perceba).

Vou caminhando pela Rua 25 de Março sem me lembrar quem é aquela moça simpática, pensando em passar na farmácia para comprar uns 10 litros de ativador para memória, mas logo esqueço a intenção porque subir a ladeira Porto Geral exige mais oxigênio e pernas do que disponho no momento.

Meu único consolo é que sempre tive essa memória de frango degolado para nomes e rostos e envelhecer não tem nada com isso. Menos mal!!!

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Aprendi muito cedo a parecer durona, determinada, competente, uma verdadeira mulher maravilha só que sem capa ou shortinho.

Pensei na canseira proporcionada por esse comportamento parada ali na plataforma do metrô, e antes que alguém pense mas que mulher é essa que pensa essas coisas do além, assim sem mais nem menos, parada esperando o metrô, bla,blá, blá.. eu explico.

Como disse, estava esperando pelo metrô; ao meu lado duas mulheres muito simples, com idades beirando os 60 conversam tranquilamente. Sem nada para fazer a não ser torcer para que todos os equipamentos metroviários funcionem adequadamente, começo a prestar atenção à conversa.

– Eu não fico pensando muito porque senão vem a depressão e quando vou começando a ficar triste eu digo “xô depressão” e vou fazer alguma coisa mais útil. Gosto de fazer um bolo e levar pra minha vizinha… ela fica tão contente! (e ajeita a ecobag).

– É. Eu também não gosto de ficar com depressão, mas tem uns problemas que a gente não dá conta, né?! Mas agora faço que nem o pastor falou: se não posso resolver entrego nas mãos de Deus e ele resolve pra mim.

– É. (outra ajeitadinha na ecobag e o trem chega).

Lição 1: pra que ser durona e tentar resolver tudo sozinha se basta fazer um bolo e ir tomar um café com a vizinha? Na conversa despretenciosa com a amiga pode até aparecer a solução.

Lição 2: se voce não dá conta, peça ajuda nem que seja pra Deus, que mesmo sendo um Ser super ocupado cuidando da Criação e talz ainda vai arrumar um tempinho. Se achar que está sobrecarregando Deus, peça ajuda pra quem quer que seja, mas não tente resolver tudo sozinha senão vem a depressão, e aí… xô depressão!!!

Parecem soluções pueris mas acho que aquelas duas vivem melhor, são mais felizes do que muita gente e ainda economizam com as sessões de terapia. Pelo menos era o que o sorriso no rosto delas mostrava.

P.S.: Não sou contra terapia e acho Wood Allen um cara fantástico.