A porta do elevador abre, um homem sai rapidamente e vai embora. Faço o comentário em voz alta enquanto entro no elevador: “ué! pensei que ele fosse o ascensorista” e a moça ao meu lado grita: “Lagartiiiiixaaaa!!!!”  Olho espantada para ela e sei que a conheço de algum lugar, mas cadê que me lembro?

Ela diz que reconheceu minha voz e não sei o que responder. Como assim a moça reconheceu minha voz? O que tem de tão memorável nela?Ai meu Deus! será que tenho aquele tipo de voz  igual a da Fran Drescher que é realmente inesquecível, mas não pelo lado bom?

Fico ali sorrindo feito uma  pastel, falando generalidades enquanto as engrenagens se recusam a funcionar e continuo tentando fazer a ligação daquele rosto com algum curso, trabalho, festa, amiga de amiga, etc., para poder dar um nome à ele mas é tudo em vão.

Chegamos ao térreo e saio do elevador lépida e fagueira, com o mesmo sorriso idiota grudado na cara e digo que preciso correr porque estou super atrasada (o que é mentira, claro, mas espero que ela não perceba).

Vou caminhando pela Rua 25 de Março sem me lembrar quem é aquela moça simpática, pensando em passar na farmácia para comprar uns 10 litros de ativador para memória, mas logo esqueço a intenção porque subir a ladeira Porto Geral exige mais oxigênio e pernas do que disponho no momento.

Meu único consolo é que sempre tive essa memória de frango degolado para nomes e rostos e envelhecer não tem nada com isso. Menos mal!!!