Momentos felizes


paraquedas-wideEscrever em um blog pequeno e quase desconhecido faz com que me lembre da “louca do saco” que andava pelas ruas da minha infância. A mulher completamente demente, abandonada por tudo e por todos, caminhava a esmo pelo bairro carregando um saco cheio de sabe-se lá o que e murmurava frases incompreensíveis.

Às vezes um ou outro adulto tentava interagir com ela, responder aos resmungos, concordar ou discordar, mas eram poucos. A criançada só ria ou fugia apavorada como cabe à qualquer criança.

No blog é mais ou menos assim: resmungo frases mais ou menos compreendidas, carrego um saco de ideias, e poucas pessoas se dão ao trabalho de ler ou mais raro ainda, de responder. Me deixam lá falando sozinha.

Sou a louca do saco. Não desperto polêmicas, não sou famosa, não trato de nenhum assunto extremamente relevante, mas posso falar do que quiser porque parece que não me levam a sério e quase ninguém se importa com o que tenho a dizer.

A única diferença entre eu e ela é que sei que falo quase que sozinha. Ainda assim acho que sempre vale a pena colocar para fora ideias e convicções.

No mínimo, saber que pouca gente se incomoda com o que você pensa é uma lição de humildade; no máximo, é libertador.

Querido Papai Noel

Não queria começar reclamando, mas esse ano foi complicado, principalmente nos últimos meses então trate de me atender. Fui uma boa moça e me comportei bem e por isso vou pedir os presentes e você vai trazer, tenho certeza.Segue a lista:

Miss1 – Quero presente de miss: paz mundial e aproveito para agradecer à minha família, sem a qual eu não estaria aqui, etc, etc (o senhor conhece o discurso, elas repetem igualzinho todo ano).

2 – Quero presente utópico: fim da corrupção e da impunidade neste país, ou seja, políticos honestos ou um monte de Joaquins Barbosas com suas caras de mau, convicção firme e destemor.

3 – Quero presente de malcriada: paz d’sprito,  que é o que respondo para todos que perguntam o que eu quero de Natal.

4 – Quero presente de véia: sossego. Tô de saco cheio  Estou cansada desse trânsito, calor, gente chata, corrente de oração na internet, povo que fala mal de política e dos políticos mas vai lá e vota de novo nos mesmos, violência, homofobia, machismo, e por aí vai. O senhor é velho sabe o que vai no coração das pessoas e pode descobrir o que nos desagrada.cinturinha

5- Quero presente de gordinha: uma cinturinha de vespa, barriga apenas levemente arredondada e lembre-se que odeio exercício físico, além de ter pés delicados que não toleram tênis e um ombro de merda complicado. Traga o kit saudável junto.

6 – Quero presente de condômino: fim das malditas reformas nos apartamentos vizinhos. Ninguém nunca está satisfeito, derruba tudo só prá fazer de novo e vou ficando cada vez mais louca com o barulho! Se esse povo quer morar em loft tá fazendo o que aqui?

7 – Quero presente de sorte: ganhar na Mega-Sena. Muitas vezes certo? Tenho que fazer um  monte de coisas e ajudar um monte de gente com o dinheiro, então não economize querido velhinho e não me deixe esquecer ninguém prá não ser amaldiçoada pelos ingratos que não respeitam a idade das pessoas e não entendem que elas esquecem e não é por maldade, e…

Bigbang8 – Quero presente de profecia maia: se o mundo acabar mesmo no dia 21 de dezembro, faça o favor de providenciar um melhor na próxima vez. Sem poluição, sem violência, sem terremoto, sem tsunami, sem novela das 8, sem doenças, sem desgraceira e não tô nem aí se esse negócio for um tédio. Os incomodados que se mudem; o universo é grande e tem espaço pra todo mundo. Pode trazer junto um kit de bom-humor?Miss Daisy

9 – Quero presente de madame: um carro com ar condicionado e motorista que dirija bem, não seja estressado e conheça todos os caminhos para fugir dos congestionamentos, das passeatas na Paulista e das enchentes e, se isso acontecer tudo ao mesmo tempo, que ele tenha um comportamento elegante e não fique resmungando, mas que tenha uma conversa inteligente que me impeça de resmungar e parecer deselegante.

10 – QuerSharono muitos presentes de mulherzinha: unhas que não quebrem; cabelos que cresçam fortes, saudáveis e não fiquem caindo feito besta ; uma pele eternamente sedosa e lisa que nunca jamais tenha jeito de maracujá esquecido na gaveta (e que dispense o uso de cremes caríssimos ou, caso eu precise usa-los de vez em quando, não me deixem com a cara da Cristiane Torloni na propaganda da Olay); peitos que não despenquem com a maldita gravidade; mãos que passem longe do aspecto das mãos da Madonna que eu adoro, mas que tá envelhecendo mal e sem noção; cérebro jovem, “ativo, operante e na escuta”, pra usar um jargão que acho ótimo; olhos que funcionem e não me obriguem a usar óculos, que são um acessório charmoso só quando você não precisa deles; dentes brancos, fortes e brilhantes e que não sejam provenientes de uma prótese bem feita;resumindo aparencia e Q.I.  da Sharon Stone, que o senhor bem sabe é de 154!

Então veja bem querido velhinho de roupas ridículas e fora de moda, além de inadequadas para nosso clima, meus pedidos continuam modestos e de acordo com as necessidades mais básicas de uma mulher comum. Não há desculpas para não me atender.

Beijos e amor da Lagartixa.

Não sei se já comentei que a cozinha não é meu espaço preferido. O talento e a paciência para a culinária ficaram com minha filha. Sou feliz com isso.

Mas como não dá pra viver de brisa nem comer todo dia em restaurante, estou sempre procurando coisas fáceis de preparar, rápidas e sem muita firula. Acabo encontrando produtos que realmente ajudam quem como essa que vos fala, não é Top Gun no fogão.

Vou mostrar alguns itens que estão na minha cozinha:

   Frutas congeladas Qualitá: batidas no liquidificador com leite, sorvete ou água com gelo, dão ótimos milkshakes e sucos naturais. Podem ser servidas também descongeladas (descongelam em 30 minutos aproximadamente) e cobertas com creme de leite, chantily ou sem nada. Não custam caro e duram uma eternidade no congelador sem ocupar muito espaço. O único trabalho é lavar o liquidificador…

Massa para Lasanha Adriá: Essa massa para lazanha tem uma característica: não precisa ser cozida evitando aquele momento constrangedor de segurar a tira de massa cozida com o maior cuidado, equilibrando para não derrubar na pia. Para preparar é só fazer um molho de tomate mais ralo e ir intercalando massa, molho e recheio. Depois levar ao forno convencional por 40 minutos ou, se estiver com pressa, 18 minutos no micro ondas.  Eu que sou uma exagerada no molho sempre coloco uma forma com água na parte de baixo do forno porque o molho na hora do cozimento pode trannsbordar e limpar o forno não é exatamente uma tarefa adorável.

  Massas Artesanais Quartiere della Pasta: Tenho no congelador  Nhoque de Batatas e Fiore de Mussarela de Búfala (que são lindinhas!).  A vantagem dessas massas é que não precisam ser cozidas. Basta descongelar, cobrir com o molho de sua preferência e levar ao forno. Essas massas são feitas pela cozinha do próprio Restaurante Quartiere della Pasta, que fica na Rua Cubatão.

  Tomates pelados: Outra coisa que não curto é ficar indo semanalmente ao supermercado, quitanda, feira e afins. Para fazer molho de tomates uso esses tomates pelados em lata. Já estão meio cozidos então dou uma amassada, refogo cebola, jogo os peladinhos na panela, acrescento água, sal e uma pitadinha de açúcar para que meu delicado estômago de lagartixa não entre em pânico. Rapidinho o molho ao sugo está pronto para ser usados com as massas acima. Quando a Palmirinha baixa em mim, frito pedacinhos de bacon ou linguiça e depois despejo os tomates e se quero mais light, faço  carme moída refogada para usar no molho e chamar de bolonhesa!

  Vegetais congelados: E por último, mas não menos importante, como se diz em qualquer palestra motivacional, tenho no congelador ervilhas e fundos de alcachofra Bonduelle, batatas  McCain que podem ser preparadas no forno e ficam igual às fritas só que com menos calorias e soja verde da marca Veggie. Essa soja é um capítulo á parte: são super rápidas de preparar e tem um sabor ótimo. Eu faço temperada apenas com um pouquinho de sal na água, mas podem ser refogadas ou  servidas como salada.

Lagartixa na cozinha é assim: rápida, prática e quase nem suja louça.

Conheço alguns rapazes cujo mau humor é tão notório que só consigo vê-los representados pelo Grinch..

São do tipo que resmunga, não vêem graça em nada, acordam, passam o dia e vão dormir achando tudo uma porcaria. Pôem defeito em tudo e nada nem ninguém é digno de atenção.

Apesar disso são pessoas adoráveis…

Incongruente? Nem tanto se você observar que por baixo daquela casca grossa bate um coraçãozinho super meigo, que defende seu time de futebol predileto com unhas e dentes; faz amizades duradouras e sinceras; adota e cuida de gatinhos mesmo “odiando” bichinhos de estimação; e, milagre dos milagres, se apaixona perdidamente.

No modo apaixonado  o Grinch se torna imediatamente Meu Malvado Favorito e flutua em nuvens cor de rosa, ops…exagerei? Tudo o que ele precisa para ser feliz é encontrar o amor, igualzinho ao resto da humanidade.

E mais uma grande vantagem: seguro e másculo como é, o Grinch e/ou Malvado não se acanha de declarar ao mundo seu amor, o que deve fazer com que o objeto de sua paixão se sinta uma deusa, não é?

Aconselho às moças desimpedidas que encontrem um Grinch para chamar de seu, e para as que já tem um meu conselho é: trancafiem esse ogro no fundo de seus corações e o tratem como um tesouro!  Afinal, Grinch não dá em árvore.

P.S. Agradeço aos meus amigos Grinch pela inspiração para o post. Amo vocês!


Os Sete pecados Capitais por Jerome Bosch

E aí vem a Semana Santa, depois a Páscoa e as preocupações com a salvação da minha alma aumentando porque pra mim a semana não tem nada de santa sabem?

Cometo vários pecados, começando pela Gula: imagino como vou preparar o bacalhau que me aguarda lá no freezer há meses.  Farei ao forno com batatas douradas como pepitas ou uma salada fria com tomates cor de rubi, folhas de couve rasgada na cor esmeralda, ovos perolados e fio de azeite brilhante como ouro derretido? Sempre penso no bacalhau assim: precioso, colorido,  super caro, um verdadeiro tesouro a ser aberto apenas uma vez por ano e junto o pecado da Avareza na minha listinha.

Em seguida vem o ovo de Páscoa, maldita invenção de quem não tinha mais nada a fazer além de criar esse objeto de desejo insano, cheio de gordura e açúcar. Mas como resistir aos pedacinhos macios de chocolate derretendo devagar na boca, cobrindo a língua de sabores e fazendo o céu da boca estalar de prazer? Deus do céu, acho que esse é por definição um prazer carnal e acrescenta Luxúria à minha lista!

Claro que a chave de ouro é a Preguiça. Depois de comer essas coisas deliciosas e engordantes deveria correr para a Academia mais próxima, mas quem diz que faço? Ficarei largadona no sofá, feliz da vida, lendo um livro de Elmore Leonard, zapeando a TV… e tirando um cochilo.

Acho que depois disso tudo só ajoelhando no milho e prometendo que ano que vem será diferente.

Ops! Mentira é pecado?

Quem acompanha o blog já deve ter percebido que sou completamente seriemaníaca. Sempre que alguém comenta sobre uma nova série saio correndo para assistir pelo menos um episódio e ver se vale a pena. Daí que minha filha falou de Spartacus, Blood & Sand e claro que me joguei na pesquisa.

Na década de 60,  Kirk Douglas mostrando os joelhos e o tórax, estrelou o filme Spartacus. Era uma coisa considerada super máscula aquele homem todo fortão pilotando uma biga de saiote de couro e sandália, num super estilo Gladiator, ou então usando um tipo de cuecão esquisito para lutar na arena. Figurinista de Hollywood usa e abusa da licença poética na hora de vestir os personagens, mas isso é assunto extenso e para um outro post…

O Spartacus  Blood & Sand, é um pouco diferente. Quer dizer,  os atores continuam bonitões e musculosos, ainda tem uma arena, eles ainda são gladiadores, a cuéca continua  estranha só que muito menor, em vez de sandálias estão de botas, tem muita traição, muita intriga romana e muita falta de coração por parte daquela platéia de gente esquisita, meio suja  e sedenta de sangue, mas o resto, quanta diferença…

Quem pensaria nos ingênuos anos 60 que aquele guerreiro trácio teria tanta inteligência, sentimentos, charme e bunda bonita para nos deleitar? Quem poderia imaginar que veríamos nus frontais no horário nobre da TV, além de sexo adoidado entre gladiadores e escravas; romanos e suas esposas e escravas; gladiadores com gladiadores; escravas com escravas; romanas de fino trato com gladiadores rudes e brutais?

As cenas do senhor romano fazendo sexo com a escrava enquanto conversa plácidamente com a esposa até poderia estar naqueles episódios pornôs que passam na madrugada,  mas não se enganem. A conversa deles gira em torno da ambição mais desmedida e a arena é o umbigo da cidade onde poder, amor, sexo, dinheiro, fofoca e vingança animam a festa.  A tal areia do título é a que recobre o chão onde se travam as batalhas, e depois de ver alguns episódios posso afirmar que tem muito mais Blood do que Sand.

Lucy Lawless, a Xena, faz o papel da esposa de Batiatus, que vem a ser o dono da arena e dos gladiadores. Continua bonitona e mandona porque certas coisas nunca mudam…

A estética é a mesma dos filmes 300 de Esparta e  Spirit (ambos calcados nas histórias em quadrinhos) : a imagem repentinamente vira ilustração; o sangue que espirra é sempre muito vermelho e descreve elaborados padrões na tela; os movimentos das lutas são coreografados e a ação intercala tempo real e slow-motion e por isso vemos em detalhes dentes voando, bochechas balançando, crânios sendo abertos, cortes de diversas profundidades e extensão e muito suor escorrendo pelos corpos malhados .

Nas cenas de luta e mortes variadas usei o controle remoto para acelerar as imagens porque não curto violências e isso é o que não falta na série.

Infelizmente o ator Andy Whitfield, que interpreta Spartacus, teve que abandonar o elenco antes do início das filmagens da segunda temporada para tratar de um câncer (diagnosticado em 2.010) que havia dado mostras de ter sido curado mas voltou e o obrigou a deixar definitivamente a série para tratar da saúde.
Enquanto não encontram um substituto os produtores lançaram lá nos EUA,  Spartacus: Gods of the Arena, que mostra como eram as coisas antes do Spartacus. Essa ainda não vi e não sei se verei.
Pra falar a verdade, estava assistindo mesmo por causa do Andy e seus lindíssimos olhos azuis.

Timothy Oliphant

Não sei por qual caminho tomei conhecimento da série Justified  (exibida no canal FX nos Estados Unidos e Space/TVA aqui no Brasil ), mas sejam quais forem os ventos que me levaram à ela, valeu a pena!  Justified é o que antigamente era denominado de história de faroeste, e meu pai chamava de “bang-bang”. O herói Raylan Givens parece saído diretamente das páginas dos gibis (também conhecidos como quadrinhos, e mais recentemente como H.Q.) que meu primo escondia ciumento no fundo do armário só para que eu não pegasse. Aquilo não era “leitura para meninas”, mas o índice de fracasso desses rótulos quando aplicados à mim  sempre foi de 100%. Li todos e adorei!!!

Na primeira cena do episódio piloto, aquele sujeito meio largado na cadeira, voz mansa, sorriso e olhar sonolentos, usando terno claro e folgado e um chapéu de cowboy totalmente fora de contexto, dá o tom para as histórias: ele é um herói old fashioned; ele só atira para matar; ele dá chance para que o oponente se defenda; ele é justo; o que ele faz é “justificado”. Por isso, ali à beira de uma piscina em Miami e na frente de todo mundo, ele atira no coração do bandido que está sentado à sua frente apenas quando o feio e atrevido saca sua própria arma e tenta matá-lo.

Timothy Olyphant é perfeito para o papel de Raylan; alto e magro,  sem ser excepcionalmente bonito, ele dá vida ao personagem com uma postura relaxada, andar leve, olhar que parece meio desfocado mas que não perde nenhum detalhe, sorriso discreto e charmoso; voz macia e conversa esperta que usadas com eficiência levam quase todos os facínoras, quase todas as mocinhas e quase todos os amigos a fazerem exatamente o que ele quer.

E é claro que ele é o Gatilho Mais Rápido do Oeste, apesar do Kentucky, que é onde se desenrola a história, ficar no Sudeste dos EUA, mas isso é mero detalhe. Ele é o xerife, ele é o mocinho, ele tem um pai bandido, ele se envolve com a mulher que matou o marido à tiros de escopeta na cozinha, ele é aquele que todos querem ter como amigo e que é odiado ferozmente por seus inimigos que usam dos meios mais traiçoeiros para deixá-lo fora de combate.

Walton Goggins

Gostei muito de ver Walton Goggins (o Shane em The Shield) dando vida ao personagem Boyd, o líder de uma gang de neonazistas. De caráter dúbio, meio triste, meio cínico, meio santo, meio demonio ele parece ser um “renascido” ao sair da prisão, mas pode ser que não seja bem isso. E essa também é uma das características da série: os personagens tem profundidade, têm história; são tomados pelas dúvidas, saem da linha e com frequência se equilibram na zona cinzenta entre o bem e o mal, o certo e o errado. Isso tudo não poderia ser diferente já que são inspirados em contos de Elmore Leonard que é também produtor da série que está na segunda temporada.

Justified é uma série de “mocinho e bandido” como há muito tempo não se via.

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