Séries de TV


As pessoas decidiram que esta é a época de fazer listas e é um tal de 100 melhores isso, 10 piores aquilo…e por aí vai. Seriemaníaca confessa, resolvi listar os personagens mais esquisitos das séries que assisto, e a ordem de colocação é apenas minha memória…nada tem a ver com o mais ou o menos. E agora, sem delongas, vamos lá:

Dexter – Michael C. Hall – (Dexter)  – Dispensa comentários!

Debbie –  Jennifer Carpenter (Dexter) – Cada vez mais esquisita, confusa e agora pensando em incesto ( e não me venha com essa de que o irmão é adotivo!!!)

Louis Greene – Josh Cooke (Dexter) – Um esquisitão de laboratório, meio escondido na trama, mas que promete surpresas.

O menino Henry – Jared Gilmore – (Once upon a time) – Tão estranho que ainda não entendi direito de onde ele veio, nem pra onde ele vai…

Michael ShannonAgente Nelson Van Alden – Michel Shannon – (Boardwalk Empire) – Um sujeito tão certinho que ficou esquisito.

Travis, o Assassino do Apocalipse – Colin Hanks – (Dexter) – O filho de Tom Hanks convence como um esquisito serial killer doidão.

Os adolescentes Tate – Evan Peters e Violet – Taissa Farmiga (American Horror Story) – O casal mais esquisito do ano!

Constance Langdon – Jessica Lange –  (American Horror Story) – A vizinha viúva, com filhos, relacionamentos e amigos problemáticos. Essa merece um Emmy.

Dra. Temperance “Bones” Brennan – Emily  Deschanel – (Bones) – Um gênio com dificuldade para se relacionar com humanos em geral, mas cheia de boa vontade para tentar.

Hodgins – T.J.Thyne; Angela – Michaela Conlin e o pai de Angela, Billy Gibbons, do Z.Z.Tops – (Bones) – Uma família toda esquisita.

Rick Castle – Nathan Fillion – (Castle) – O canastrão mais esquisito do mundo.

Shemar Moore, Kirsten Vangsness, Paget Brewster, Thomas Gibson, Joe Mantegna, A. J. Cook e Matthew Gray Gubler – (Criminal Minds) – Todos os personagens são esquisitíssimos; coloquei só o nome do elenco para economizar…

Leroy Jethro Gibbs – Mark Harmon (NCIS) – a esquisitice começa já no nome do personagem.

Abby Sciuto – Pauley Perrette – (NCIS) – outra esquisitona de laboratório.

Diretor Leon Vance – Rochy Carroll – (NCIS) – A esquisitice dele reside no comportamento dúbio. Ele é do bem ou do mal?

Reverendo Adam Smallbone – Tom Hollander – e Alex Smallbone – Olivia Colman – (Rev.) – Só mesmo o senso de humor inglês para dar conta da esquisitice desse casal.

Concluo que tem muita esquisitice na TV. Para minha felicidade, a imaginação dos roteiristas parece não ter fim e estão sempre inventando uns comportamentos estranhos e personagens inusitados. Resta aguardar as próximas temporadas para ver no que tudo isso vai dar.

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Desde Mulheres de Areia que adoro história de gêmeas idênticas . Sempre tem uma super boazinha e uma super mázinha; parece inevitável. De vez em quando imagino como seria uma história com trigêmeas…

Mas vamos ao assunto que me trouxe aqui: a nova série que esperei ansiosa, estrelada pela Sarah Michelle Geller, minha querida e eterna Buffy a caça-vampiros. O nome é Ringer e depois de assistir aos dois primeiros episódios vou contar algumas coisinhas; se você não quer saber nada antes, não leia. Também não assista o trailler abaixo porque, sinceramente, nunca vi trailler mais spoilento na vida.

As irmãs se chamam Bridget e Shiobhan, que não sei bem se são nomes populares no idioma inglês; pode ser que Mary e Jane trouxesse outra conotação à série, então optaram por esses e acho que viajei.

Uma é problemática a outra é socialite.

A problemática é certinha e a socialite é problemática, deu para entender? Uma foge da Máfia porque testemunhou um crime, a outra foge não sei de quê. Uma morre logo de cara e a outra, é óbvio, assume seu lugar. Parece tão facinho assumir a vida alheia e seus relacionamentos; se passar por uma pessoa que você não vê há alguns anos e com a qual parece que não tem mais intimidade, mas é Hollywood e vale tudo. As irmãs estão com a mesma cor de cabelo, mesmo bronzeado, mesmo corpitcho, mas não vamos esquecer que as duas são a Buffy, então está tudo bem..

As únicas diferenças visíveis entre elas são as roupas e o penteado, igual acontecia com a Eva Vilma. De lá para cá parece que nada mudou nesse enrêdo. Tem umas confusões devido ao desconhecimento dos detalhes da vida da outra irmã, uns rapazes com boas intenções e outros nem tanto, mais mortes, mais sustos, umas reviravoltinhas e mais um pouco do mesmo de sempre. As cenas em que as irmãs estão juntas são bem fraquinhas, e não vi nada de especial nelas.

Sou fã da Buffy e posso afirmar que ela era melhor como adolescente cheia de hormônios caçando vampiros junto com seus amigos, mesmo porque ela tinha aquele lindo do Angel para perseguir.

Não quero ser precipitada, mas acho que só se o desconhecido que fala ao telefone com a gêmea má (veja o trailler) for o Agente Seeley Booth (o Angel repaginado) e ele confessar que abandonou a Bones, mesmo sabendo que ela está esperando um filho dele, para ficar com as Buffys gêmeas,… viajei de novo para essa série ter alguma chance de dar certo.

Já vi muita gente reclamando da série de TV  “True Blood” e tenho que dar razão à todas elas. Na  4ª temporada que terminou neste domingo, mais uma vez os roteiristas reescreveram a história e, dos livros de Charlaine Harris, pouco restou além dos nomes. Personagens que para a escritora não mereceram mais que 5 linhas de texto apareceram em destaque nas 4 temporadas da  série; outros foram criados para a TV e alguns dos mais bacanas foram ignorados até agora. Minha lista de reclamação é grande e contém alguns spoilers:

1 -Para mim Tara é a figura mais dispensável da saga, mas  os roteiristas resolveram fazer “inclusão das minorias” e inventaram que a amiga de Sookie é negra, é lésbica, foge da cidade, volta, se envolve com bruxas, tem um caso com um vampiro super vilão antes de preferir as meninas, e dá á atriz  Rutina Wesley a oportunidade de arregalar os olhos em cada cena.

2 – De onde tiraram o personagem de Alejandro Kevin, o Jesus? Não lembro de tê-lo visto nos livros o que significa que se existia era insignificante; não lembro de ler absolutamente nada sobre um personagem “bruxo” que se transforma em um demônio com cara de lutador de tele-catch mexicano. No início, quando apareceu na série de TV até que foi interessante, mas esticar o personagem só serviu para uns efeitos especiais bem meia-boca e para criar clima com o próximo personagem, o indefectível Lafayete.

3 – Lafayette morre logo na história original; é apenas mais um cozinheiro dos muitos que passam pelo bar do Sam. O personagem gay, com trejeitos e maquiagem exagerada está presente na saga e a participação dele na série foi ampliada pelos roteiristas, o que na minha opinião valeu a pena… mas só até a 3ª temporada. Na 4ª ficou faltando conteúdo e nem mesmo o ótimo ator Nelsan Ellis conseguiu salvar o personagem, restando apenas um infindável  “bater de pestanas” para reforçar a gayzice de Lafayette, sem falar no penteado medonho que fizeram o rapaz usar e nas incorporações tremeliquentas do “médium”.

4- Uma figura que amamos odiar é Debbie Pelt. No original, Sookie acaba logo com ela matando-a com um tiro de espingarda e quando lemos isso no livro achamos que foi muito merecido. Na série a atriz Brit Morgan dá vida à Debbie primeiro como uma drogadona magricela, depois como uma perua magricela e finalmente como uma adúltera magricela (e pela cara dela acho que sempre drogadona). No livro ela é uma transmorfa e não uma fêmea de lobisomem, mas talvez os roteiristas não estivessem afim de fazer um cruzamento interracial, então mudaram o bicho e só agora, no último episódio, deixaram Sookie dar o tão merecido tiro.

5 – Que bruxa é essa tal de Marnie ( vivida pela atriz Fiona Shaw)? De onde saiu? Eric é enfeitiçado e perde a memória na história de Charlaine Harris, mas originalmente o que as bruxas estão disputando é um lugar ao sol (desculpem o trocadilho) nos negócios da Lousiana. Não tem essa de bruxa (que sofreu bullying na infância por causa de sua aparência e é uma revoltada)  matar todos os vampiros, não tem essa de bruxa lindona e bom coraçãochamada Antonia (a ex-miss Colômbia, Paola Turbay) e que foi queimada na inquisição espanhola, não tem levitação, não tem possessão, etc . Fazer uma temporada inteira com essas coisas “extras” não foi nada interessante e me fez quase desistir da série.

6 – O que fizeram com Pam, a vampira criada por Eric, foi imperdoável. Pam talvez fosse a personagem que menos precisasse de intervenção para se adaptar à série de TV: linda, com senso de humor mais que afiado, sarcástica, violenta e fiel à seu criador até a última gota de sangue  não precisava de retoque, como pudemos ver até a 2ª temporada. Da 3ª temporada em diante foram esvaziando a personagem e a transformaram numa “fashion victm” que mal pode andar dentro das saias justíssimas e dos saltos agulhas que bem podem ser usados para empalar algum vampiro inconveniente. A atriz Kristim Bauer, que me lembra um pouco Caterine Deneuve, deve sofrer com esse figurino.

7 – Um acréscimo que valeu a pena foi a personagem Jéssica Hamby. A vampira adolescente é ótima e traz um pouco de diversão à série com suas reclamações intermináveis, seus amores “para toda a vida”, seus enganos e seu constrangimento quando as presas teimam em aparecer nos momentos mais inoportunos. Sua gratidão à Bill que com a transformação a tirou de uma vida insípida e previsível e os inesperados ataques de rebeldia a fazem mais “humana”. Sem falar que a atriz Debora Ann Woll é linda…

Nos ganhos pode-se também contabilizar o fanático casal de dirigentes da “Irmandade do Sol”,  Sara e Steve Newlin, representados por Ana Camp e Michael McMillian, super convincentes na caracterização dos personagens. O Reverendo pelo menos vai voltar como vimos nas cenas do último capítulo. O rei Russel Edgington, aparentemente se livrou das camadas de cimento e correntes com as quais foi enterrado por Eric e Bill e também deverá reaparecer com sua overdose de maldade e desejo de vingança.

Nas perdas certamente estará a fada Claudine (idiotizada e pouco aproveitada na série)  e a ausência de seu irmão Claude, que no livro é um fada, stripper e dono de um clube para mulheres, no estilo go-go-boy cuja ambição é ser capa de revista.

Muita bizarrice e constrangimento poderiam ter sido evitados  nessas “adaptações” que Alan Ball fez das “Crônicas de Sookie Stakhouse”  e que transformaram a personagem título na taradinha mais gostosa e mais bipolar de Bon Temps.

Mas o show deve continuar e a 5ª temporada já está em produção; por isso para continuar assistindo a série, o melhor é fingir que nunca leu os livros…

Quem acompanha o blog já deve ter percebido que sou completamente seriemaníaca. Sempre que alguém comenta sobre uma nova série saio correndo para assistir pelo menos um episódio e ver se vale a pena. Daí que minha filha falou de Spartacus, Blood & Sand e claro que me joguei na pesquisa.

Na década de 60,  Kirk Douglas mostrando os joelhos e o tórax, estrelou o filme Spartacus. Era uma coisa considerada super máscula aquele homem todo fortão pilotando uma biga de saiote de couro e sandália, num super estilo Gladiator, ou então usando um tipo de cuecão esquisito para lutar na arena. Figurinista de Hollywood usa e abusa da licença poética na hora de vestir os personagens, mas isso é assunto extenso e para um outro post…

O Spartacus  Blood & Sand, é um pouco diferente. Quer dizer,  os atores continuam bonitões e musculosos, ainda tem uma arena, eles ainda são gladiadores, a cuéca continua  estranha só que muito menor, em vez de sandálias estão de botas, tem muita traição, muita intriga romana e muita falta de coração por parte daquela platéia de gente esquisita, meio suja  e sedenta de sangue, mas o resto, quanta diferença…

Quem pensaria nos ingênuos anos 60 que aquele guerreiro trácio teria tanta inteligência, sentimentos, charme e bunda bonita para nos deleitar? Quem poderia imaginar que veríamos nus frontais no horário nobre da TV, além de sexo adoidado entre gladiadores e escravas; romanos e suas esposas e escravas; gladiadores com gladiadores; escravas com escravas; romanas de fino trato com gladiadores rudes e brutais?

As cenas do senhor romano fazendo sexo com a escrava enquanto conversa plácidamente com a esposa até poderia estar naqueles episódios pornôs que passam na madrugada,  mas não se enganem. A conversa deles gira em torno da ambição mais desmedida e a arena é o umbigo da cidade onde poder, amor, sexo, dinheiro, fofoca e vingança animam a festa.  A tal areia do título é a que recobre o chão onde se travam as batalhas, e depois de ver alguns episódios posso afirmar que tem muito mais Blood do que Sand.

Lucy Lawless, a Xena, faz o papel da esposa de Batiatus, que vem a ser o dono da arena e dos gladiadores. Continua bonitona e mandona porque certas coisas nunca mudam…

A estética é a mesma dos filmes 300 de Esparta e  Spirit (ambos calcados nas histórias em quadrinhos) : a imagem repentinamente vira ilustração; o sangue que espirra é sempre muito vermelho e descreve elaborados padrões na tela; os movimentos das lutas são coreografados e a ação intercala tempo real e slow-motion e por isso vemos em detalhes dentes voando, bochechas balançando, crânios sendo abertos, cortes de diversas profundidades e extensão e muito suor escorrendo pelos corpos malhados .

Nas cenas de luta e mortes variadas usei o controle remoto para acelerar as imagens porque não curto violências e isso é o que não falta na série.

Infelizmente o ator Andy Whitfield, que interpreta Spartacus, teve que abandonar o elenco antes do início das filmagens da segunda temporada para tratar de um câncer (diagnosticado em 2.010) que havia dado mostras de ter sido curado mas voltou e o obrigou a deixar definitivamente a série para tratar da saúde.
Enquanto não encontram um substituto os produtores lançaram lá nos EUA,  Spartacus: Gods of the Arena, que mostra como eram as coisas antes do Spartacus. Essa ainda não vi e não sei se verei.
Pra falar a verdade, estava assistindo mesmo por causa do Andy e seus lindíssimos olhos azuis.

Timothy Oliphant

Não sei por qual caminho tomei conhecimento da série Justified  (exibida no canal FX nos Estados Unidos e Space/TVA aqui no Brasil ), mas sejam quais forem os ventos que me levaram à ela, valeu a pena!  Justified é o que antigamente era denominado de história de faroeste, e meu pai chamava de “bang-bang”. O herói Raylan Givens parece saído diretamente das páginas dos gibis (também conhecidos como quadrinhos, e mais recentemente como H.Q.) que meu primo escondia ciumento no fundo do armário só para que eu não pegasse. Aquilo não era “leitura para meninas”, mas o índice de fracasso desses rótulos quando aplicados à mim  sempre foi de 100%. Li todos e adorei!!!

Na primeira cena do episódio piloto, aquele sujeito meio largado na cadeira, voz mansa, sorriso e olhar sonolentos, usando terno claro e folgado e um chapéu de cowboy totalmente fora de contexto, dá o tom para as histórias: ele é um herói old fashioned; ele só atira para matar; ele dá chance para que o oponente se defenda; ele é justo; o que ele faz é “justificado”. Por isso, ali à beira de uma piscina em Miami e na frente de todo mundo, ele atira no coração do bandido que está sentado à sua frente apenas quando o feio e atrevido saca sua própria arma e tenta matá-lo.

Timothy Olyphant é perfeito para o papel de Raylan; alto e magro,  sem ser excepcionalmente bonito, ele dá vida ao personagem com uma postura relaxada, andar leve, olhar que parece meio desfocado mas que não perde nenhum detalhe, sorriso discreto e charmoso; voz macia e conversa esperta que usadas com eficiência levam quase todos os facínoras, quase todas as mocinhas e quase todos os amigos a fazerem exatamente o que ele quer.

E é claro que ele é o Gatilho Mais Rápido do Oeste, apesar do Kentucky, que é onde se desenrola a história, ficar no Sudeste dos EUA, mas isso é mero detalhe. Ele é o xerife, ele é o mocinho, ele tem um pai bandido, ele se envolve com a mulher que matou o marido à tiros de escopeta na cozinha, ele é aquele que todos querem ter como amigo e que é odiado ferozmente por seus inimigos que usam dos meios mais traiçoeiros para deixá-lo fora de combate.

Walton Goggins

Gostei muito de ver Walton Goggins (o Shane em The Shield) dando vida ao personagem Boyd, o líder de uma gang de neonazistas. De caráter dúbio, meio triste, meio cínico, meio santo, meio demonio ele parece ser um “renascido” ao sair da prisão, mas pode ser que não seja bem isso. E essa também é uma das características da série: os personagens tem profundidade, têm história; são tomados pelas dúvidas, saem da linha e com frequência se equilibram na zona cinzenta entre o bem e o mal, o certo e o errado. Isso tudo não poderia ser diferente já que são inspirados em contos de Elmore Leonard que é também produtor da série que está na segunda temporada.

Justified é uma série de “mocinho e bandido” como há muito tempo não se via.

Tenho TV por assinatura e uma das coisas que mais me irrita é ver séries e filmes reprisados à exaustão. No caso de Sex and the City isso não acontece e acredito que já assisti a série inteira umas três vezes sem  nunca me cansar.

Simplesmente adoro as histórias dessas mulheres unidas por uma grande amizade; adoro o cotidiano da grande cidade; adoro os figurinos, os namorados, os conflitos, os casinhos, os ficantes, e vejam só, eu que não bebo nada alcoólico, acho lindo aqueles drinks!

Para mim o enredo de Sex and the City vai muito além de “festas”,  “procura marido” e “sexo casual”. O que vejo naquelas mulheres é o desejo de sucesso no trabalho e na vida pessoal; é o desejo de encontrar um relacionamento afetivo duradouro, de se manter bonita e atraente não importando a idade; é o desejo de superar os obstáculos oferecidos pelo cotidiano de qualquer mulher. E se isso tudo vem temperado com a presença do Mr. Big, melhor ainda.

Não sou fã da série. Nunca curti o médico tipo sabichão grosseiro e mal humorado com barba por fazer (aliás a barba concretizava o aspecto “doutor troglodita”).

Nunca entendi porque uma equipe com acesso à remédios de última geração, equipamentos médicos moderníssimos  e doutores formados em ótimas universidades precisava de 10 diagnósticos errados para achar um correto. O sofrimento que Dr. House e sua equipe infringe aos pacientes e a seus familiares  é digno de qualquer manual de tortura.

Distanciamento, frieza, sarcasmo e mal humor do médico, tudo é atribuído á uma cirurgia mal sucedida feita na perna do personagem que deixou como sequela dores intensas, dores que o transformam em um viciado em analgésicos.

Nos poucos episódios que já tinha assistido vi o ator Hugh Laurie demonstrando sarcasmo, tédio e indiferença; nenhuma expressão facial, nenhum diálogo que justificasse o estardalhaço em torno da série e de seu ator principal.

Mas -como se aprende na filisofia budista- tudo é impermanente; as coisas todas estão em constante mudança e opinião é uma delas. Assisti por acaso o episódio que mudou minha maneira de ver o personagem.

Se você é fã da série e ainda não assistiu o 21º episódio da 6ª temporada pare de ler imediatamente. À partir daqui vou contar detalhes que não interessam à quem ainda não assistiu e saber deles antes do tempo vai tirar toda a graça. Depois não diga que não avisei.

Finalmente, nesse que é o último episódio da temporada, Dr. House se humaniza. Ao prestar socorro no local de um grande desabamento o médico se depara com uma vítima que vai arrancar aquela casca grossa e mostrar um ser humano e sensível como nunca se viu.

E aí sim se justifica a fama de Hugh Laurie. A voz, a postura, o rosto e o olhar do ator mudam de forma impressionante e mostram um homem realmente sensibilizado pela dor de outra pessoa; vi lindos olhos azuis cheios de lágrimas e emoção; vi um homem se arriscando para salvar uma vida e perdendo o jogo. Vi um homem derrotado sendo tentado pela saida mais fácil; vi um homem de carne e osso sendo redimido pela solidariedade e vi um homem capaz de ouvir “eu te amo” sem fazer cara de descrente.

Pode parecer piegas mas não é. Foi episódio cheio de tensão, tristeza e emoções à flor da pele.

Um episódio que mostra que Dr. House tem um coração apaixonado batendo debaixo do blusão de couro. Aleluia!!

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