outubro 2009


paredeFinalmente resolvi enfiar o pé na jaca e fazer uma pequena reforma no apartamento onde moro, mas confesso que estou apavorada, trêmula, de coração na mão um pouco ansiosa.

Explico: em 1990,quando me mudei,  na costumeira fase de contar os caraminguás na carteira pouca verba,  o que fiz foi mandar arrancar a forração podre e nojenta desgastada que cobria o chão e pintar as paredes que estavam imundas. Para se ter uma idéia do tamanho  das ruínas,  este apartamento,  havia ficado desocupado por 5 anos mais ou menos, e claro que alguém em algum momento havia esquecido as janelas abertas para a chuva, a poeira e até para bucólicas folhas secas.

Debaixo da forração encontrei um piso de tacos de madeira mais ou menos em ordem, com uns soltos ou  podrinhos aqui e ali, que dei um jeito de substituir. Tempos depois, quando o dinheiro permitiu, mandei passar a máquina para lixar e apliquei Cascolac. Ás vezes penso que esse negócio de “serviços” é uma loteria. O  Cascolac em menos de um ano começou a rachar e ficou uma coisa assim… como direi… toda trincada, rústica. Convivi com isso por muitos anos, e a cada vez que um taco se soltava lá ia eu de cola Cascorez em punho e pááá! grudava o infeliz de volta.

Mesmo sem grana, antes de mudar tive trocar os azulejos e a louça sanitária do banheiro. Não sei se vocês já viram, mas nos anos 70 (época da construção do prédio) o chic era colocar peças em tons inusitados e aqui  o  modismo adotou um marrom meio caramelo escuro e os azulejos “combinantes” eram creme com tulipas laranja. Óbvio que meu delicado aparelho digestivo travou de imediato em protesto à essa maravilhosa decoração em tons de merda dejetos. Mandei arrancar e trocar aquilo, por questões de saúde física e mental.

Passei também pela explosão dos canos de água desse banheiro, que transformou minha humilde morada em uma piscininha instantânea. O bom disso é que eu estava trabalhando e não vi acontecer. O ruim é que o síndico precisou mandar fechar a água do prédio para conter a inundação que avançava para o hall de entrada e ameaçava invadir os elevadores. O péssimo foi quando cheguei à noite e percebi o ódio no coração de cada vizinho.

Por causa desse acidente aquático fui forçada a trocar o encanamento de todo o apartamento o que representou quebra quebra de parede e também de minha conta bancária. Levei tempo para restabelecer a confiança em pedreiro, encanador e pintor.

Então, muitos anos depois, num momento de doidice total, decidi que chegara a hora de dar uma solução para aquele chão horroroso. Agarrei minha querida filha Gabi,   pelo braço e a arrastei num sábado ensolarado, para uma dessas lojas que vendem carpetes de madeira, contando com os palpites a opinião dela para me ajudar na escolha.

Lembro perfeitamente de ter dito ao vendedor que eu dividia a casa com dois cachorros de pequeno porte e, na época, cinco gatos de tamanhos variados ( a Gabi já havia abandonado o ninho). Expliquei que precisava de uma coisa impermeável à xixi e fácil de limpar, que pudesse ser aplicado sobre os tacos  e que coubesse no meu orçamento, como sempre minúsculo.

Saí de lá com um piso clarinho (indo contra os conselhos  da minha assessora especial ),  que em poucos meses começou a estufar graças à irrigação diária que os cachorros providenciavam. Por uma questão de respeito à vida dos animais, passei a manter todas as portas fechadas criando um efeito estufa particular. Mesmo assim, como o tal piso precisa ser limpo com pano úmido, com o passar do tempo a situação foi degringolando e hoje tenho um chão novamente em ruínas (tá, é exagero meu, mas não está sequer decente).

Essas foram mchãoinhas experiência com reformas, até o momento.

Agora, como disse lá no início, decidi que preciso dar um jeito nas coisas por aqui.  Só de pensar no assunto  já está me dando vontade de desistir, mas olhando a foto ao lado percebo que não tenho essa alternativa. Vou respirar fundo, fazer mentalizações de reformas com finais felizes, chorar ali no cantinho e outra hora termino de contar  o que resolvi fazer  porque, além de tudo, este post  ficou um “tijolão”.

Imagem obtida no site www.freakingnews.com

Michelangelo Art Pictures - Strange Michelangelo Art Pics

http://www.freakingnews.com

Não seja louco portador de transtorno psíquico.

No caso da natureza ter sido má com você e ter lhe dado um distúrbio qualquer, por favor não surte. Principalmente não surte em público. Se morar em Campinas não surte de jeito nenhum.

Se for investigador de polícia então, nem pense em surtar.  Se além de policial você for transexual, jamais tenha a ousadia de surtar e nem mesmo de ter um ataquezinho de nervos que seja.

Caso você acredite sériamente que possui um esquema mágico para ganhar na loteria, que alguém sussurra ordens em seu ouvido, que  uma cantora de axé divulga mensagens satânicas em suas músicas, e principalmente que é filha(o) de um apresentador famoso, avise sua família.

Eu entendo que se você é louco portador de transtorno psíquico grave não tem noção de nada do que foi dito acima e tudo deve parecer bem natural, mas sua família e seus amigos sabem que não e talvez possam ajudá-lo.

Se apesar de tudo acontecer de você surtar em público e resolver roubar um celular lá em Campinas ( e acho que em qualquer cidade do Brasil),  saiba que você poderá ser detido pela PM e algemado pela Polícia Civil em uma maca de Pronto Socorro permanecendo imóvel por 5 dias.

Nesse meio tempo você vai virar notícia de jornal, será citado em um blog de policiais civis onde será chamado de “veado campineiro” e um apresentador de TV apontará para “a lingerie vermelha” que você estava usando.

Antes, na delegacia, você vai jogar a sandália na cara do delegado, cantará em italiano e ficará nú  em uma “clara evidência” que você surtou e que precisa ser contido. Encaminhado para o P.S. receberá um “sossega-leão” ( Haldol e prometazina),  “apaga” e nas próximas 100 horas ficará quietinho algemado na maca. Direto, sem poder mudar de posição, sem poder se mexer.

Mesmo que você não seja religioso reze para que um advogado especialista em direitos das minorias apareça. Reze para que um psiquiatra que trabalhe em algum órgão de defesa dos direitos humanos faça um laudo coerente que isente você da responsabilidade pelos atos praticados durante o “epísódio maníaco”. Que esse psiquiatra diga que “É de uma injustificável crueldade física e psicológica algemá-la na ala psiquiátrica”. Que diga o óbvio.

Quem sabe assim você consiga um tratamento correto, talvez com um dos residentes do tal hospital público, um daqueles que, demonstrando competência e humanidade, bateu boca com a polícia quando resolveram te algemar. Quem sabe você consiga ficar curado, ou pelo menos apto a continuar seu curso de direito na PUC. Afinal você é quintanista, não pode desperdiçar todos esses anos de estudo.

Duvido que você possa continuar na polícia e que reconquiste o respeito de seus colegas policiais,  não se esqueça que você é uma pessoa que “mudou seu comportamento”, andava “trajado de mulher” e usava “pinturas e esmaltes correspondentes à vaidade feminina, às vezes muito ousados…”. Para eles você é e sempre será um pária.

Neste Brasil desumano, em pleno século XXI certas coisas permanecem iguais ao que eram no século passado, e no anterior, e no anterior, e no…

P.S: Leia a íntegra da notícia que motivou este post aqui

Tenho visto pessoas somando conhecimentos de diversas áreas, tais como, publicidade, jornalismo, estatística, vendas, informática, comunicação, etc, para criar o Especialista em mídias digitais (ou redes sociais, ou alguma coisa do tipo).

Alguns realmente podem dizer que entendem dessa nova/velha forma de comunicação, mas outros  se apropriam do título com o único intuito de agregar valor à propria imagem  e a justificativa o critério adotado por tais expertises  parece ser o número de seguidores no Twitter ou leitores do blog. Contadores inseridos no alto das páginas de certos blogs são o “Sêlo de Garantia”.

O mais triste nessa história toda é o patrulhamento e censura que alguns desses “profissionais”,  munidos da convicção de que sabem de tudo e mais um pouco,  fazem na blogosfera.

RanzinhaQualquer opinião contrária à deles é taxada de “invejosa” como eu já disse aqui; o sucesso de uma mulher só acontece porque ela é “gostosa” ou “deu” pra alguém; mulheres opinando sobre questões femininas são “feminazis” se forem mais radicais ou “diarinho” caso escrevam sobre o cotidiano; a coincidência ou a sincronicidade de opinião são tratados como “kibagem” e ganhar dinheiro com os blogs ou sites vira quase uma heresia (mesmo avisando que o post é patrocinado e/ou pago).

Não sou especialista em nada e com meus parcos leitores, o número merreca de seguidores no Twitter, perfil  mal feito raramente visitado  no Orkut , além da relutância com o Facebook, sou invisível para esses “doutores”.

Mas gasto meu rico dinheirinho com tranqueiras gadgets que vejo por aí, compro e leio livros recomendados, assisto filmes  resenhados, abro links enviados pelo Twitter, passo um bom tempo na Internet lendo notícias, artigos, vendo vídeos, etc. É para pessoas como eu que a blogosfera fala e anuncia e por isso já aviso: tudo o que está na categoria  “ranzinza e perseguidor” só me interessa como folclore ou exemplo a não ser seguido.

Acho que tem mais gente que compartilha dessa opinião, mas eles também são “invisíveis” e sem importância, não é mesmo “doutor”?

O título deste post foi tirado da sentença proferida pelo juiz Paulo Mello Feijó do 1º Juizado Especial Cível, do Tribunal do Rio de Janeiro, em agosto deste ano.

vikingA história resumindo para quem não leu a notícia foi a seguinte: um policial federal ao descobrir que sua mulher mantinha um caso extraconjugal ameaçou o rival que assustado (ou vingativo), denunciou o traído à Corregedoria da Polícia Federal. Novelão não é mesmo?

O problema é que a denúncia foi descoberta e o marido passou a ser alvo das chacotas dos colegas. Por isso ele entrou com ação por danos morais contra o amante da mulher alegando que estava sendo obrigado a conviver com o gracioso nome de “corno conformado” em seu ambiente de trabalho.

O caldo entorna de verdade quando o juiz da ação, na sentença – aparentemente em defesa das mulheres – tripudia sobre o portador do adereço de cabeça dizendo que a mulher desprezada tem dois caminhos mais comuns: “murcham, se deprimem, envelhecem” ou vão atrás “de outros braços, outros beijos”. Afirma que quando o marido relapso descobre a traição, ele sente  que perdeu “sua dignidade de marido, de posseiro” e foi transformado “num solene corno!”

O juiz acredita que o pensamento feminino é: “Meu marido não me quer, não me deseja, me acha uma ‘baranga’ – (azar dele!) mas o meu amante me olha com desejo, me quer – eu sou um bom violino, há que se ter um bom músico para me fazer mostrar toda a música que sou capaz de oferecer!!!!”  Diz ainda que homens de meia-idade que querem a mulher “plugada” 24 hs (sic), não sendo mais tão viris descarregam nela suas frustrações e as chama de gorda e celulitada.

Aqui eu que sou leiga em leis e em cornices, discordo respeitosamente do digníssimo juiz.

Existe uma atitude digna e bem mais comum (ao contrário do que o meritíssimo pensa), tomada pelas mulheres (e pelos homens) no caso de fracasso do relacionamento: rompimento. Sair pela tangente, mantendo o casamento enquanto busca um (a) amante que a (o) faça se sentir um “bom violino” é no mínimo uma atitude covarde e imoral. O adultério não pode ser justificado com frases de efeito.

Não entro no mérito da decisão tomada, mas no fim os trechos da sentença do juiz Paulo Mello Feijó que foram publicados nos jornais, mais parecem retirados de um romance de Nelson Rodrigues e nessa história não existe vencedor.

Galinha Fiquei maravilhada quando ouvi pela primeira vez a palavra “viral” relacionada à campanhas publicitárias feitas na Internet. Achei linda a idéia de relacionar um negócio como o vírus  que se reproduz rapidamente e a velocidade da divulgação publicitária.

“Viral” para mim ficará eternamente ligado à campanha de lançamento do filme Batman – Cavaleiro das Trevas, bem como à frase  “Why so serius?”  Foi uma noite inesquecível a que passei diante do PC tentando ajudar amigos com as pistas que desvendariam o segredo do Morcegão.

Recentemente e durante vários dias pensei que a tag #portocainarede, que aparecia com insistência no twitter, fosse uma campanha da Porto Seguro Seguradora. Não percebi que era sobre uma cidade litorânea. Como não sou exatamente o público alvo deles, isso não teve a menor importância e comentei apenas para mostrar que não sou ” muitíssimo bem informada” nem “super plugada” apesar de ter filha trabalhando na área das Mídias Sociais. Nessas histórias eu ocupo o lugar destinado ao “Consumidor” que está conectado á Internet e só.

Quando descobri que Porto Cai na Rede era para divulgar a cidade turística  Porto de Galinhas no estado de Pernambuco a coisa toda já tinha rolado. Com muito atraso fiquei sabendo que a ação publicitária tinha levado vários blogueiros para lá e que também patrocinara um casamento. O casal escolhido aceitou transformar seu casamento em um evento público ligado à essa campanha. Não vi nada errado já que muitos blogueiros são considerados formadores de opinião.

Mas tem surgido uma série de manifestações no Twitter e em blogs que parecem ressuscitar as tristes patrulhas ideológicas e o políticamente correto exagerado e idiota.

Qual o problema se a Secretaria de Turismo de uma cidade resolve fazer campanha publicitária para motivar a escolha do destino nas férias? A verba deve vir dos cofres públicos. Outra opção seria patrocínio  feito pela Associação Comercial da cidade, ou Associação das Barracas de Praia, ou qualquer que fosse a instituição privada interessada.

Não foi o caso; quem patrocinou foi a Secretaria de Turismo e se alguém acha que o dinheiro público foi mal empregado que se dirija à tal Prefeitura e reclame. Se não gostou da campanha, mande e-mail para a agência e faça suas críticas e aproveite para conhecer outro lugar.

Porque criticar os participantes dessa divulgação específica? Dar brindes como celular, ipod, viagem, estadia em hotel, boné, sacolas, toalha de praia, garrafa de vinho, etc, sempre foi estratégia de divulgação de produto. Alguém  fica constrangido por usar aquela camiseta tipo banner ambulante pra usar se a marca é fashion, dormir, ir à feira, lavar o carro, etc?

E o batonzinho, esmalte, shampoo? As meninas que recebem esses mimos os jogam fora? Duvido. Eu se recebesse algum usaria  e sei que muita gente tem a mesma atitude: se gosta fala bem, se não gosta mete o pau  fala mal!

O direito de dar opinião sem sofrer ameaça de processo ou linchamento público precisa ser mantido, mas descambar para o insulto e o desrespeito deve ser evitado. E como se diz no Twitter, #prontofalei.

Ardi 01O que uma descoberta arqueológica tem ver com o Dia das Crianças, pensei comigo mesma quando decidi por esse tema. A inspiração veio de um programa que assisti ontem no Discovery Channel onde vovó Ardi é a estrela principal.

Resumindo, Ardi (Ardipithecus ramidi) é uma ancestral humana de 4 milhões e 400 mil anos, com 1,20m e 50 k, cujos primeiros fragmentos fósseis foram descobertos na Etiópia em 1994. Agora, quinze anos depois os cientistas terminaram a reconstrução e publicaram suas descobertas.

O que a torna completamente diferente  é a posição de suas pernas e seus pés que permitem que ela ande completamente ereta.

Fiquei imaginando as vantagens de ter as mãos livres e além de coletar alimentos com mais facilidade, transportá-los também me parece mais simples, o que favoreceria a alimentação do grupo durante os deslocamentos.

Outro dado importante é que esses ancestrais tinham o dente canino pequeno, quase iguais aos nossos e os machos eram aproximadamente do mesmo tamanho que as fêmeas. Isso denota uma agressividade menor e imagino que sendo menos agressivos eles precisavam por o cérebro para funcionar e descobrir novos meios de combater seus inimigos naturais. Será que foi assim que desenvolvemos nossa inteligência?

Mas o que disparou o alarme para o Dia das Crianças foi a imagem da  senhora Ardi (que apareceu no programa do Discovery) com uma criança encarapitada em seu quadril. Caso alguém não saiba, poder carregar o filho pequeno e ao mesmo tempo executar as tarefas rotineiras é uma das melhores coisas na vida das mães.

Ajuda muito ficar ereta e ver o que os outros filhos estão fazendo; ter as mãos livres para preparar o lanche, atender o telefone, pegar um copo no armário, abrir uma gaveta, é uma benção na hora da correria. E acho que a maior parte das crianças gosta de ser carregada desse jeito; eu adorava carregar minha filha assim.

Por isso no Dia das Crianças agradeço á vovó Ardi que nos trouxe isso tudo a partir do dia em que resolveu ficou de pé carregando seu bebê e ao mesmo tempo foi executando suas tarefas. Minha tese é que a relação pais e filhos se fortaleceu à partir disso, mas como não sou arqueóloga, psicóloga, nem nada, essas são apenas minhas abalisadas opiniões de mãe.

P.S.: Não encontrei a imagem da mãe com o bebê na Internet. Para vê-la será preciso assistir o programa, desculpem.