Divagações


Querido Papai Noel

Não queria começar reclamando, mas esse ano foi complicado, principalmente nos últimos meses então trate de me atender. Fui uma boa moça e me comportei bem e por isso vou pedir os presentes e você vai trazer, tenho certeza.Segue a lista:

Miss1 – Quero presente de miss: paz mundial e aproveito para agradecer à minha família, sem a qual eu não estaria aqui, etc, etc (o senhor conhece o discurso, elas repetem igualzinho todo ano).

2 – Quero presente utópico: fim da corrupção e da impunidade neste país, ou seja, políticos honestos ou um monte de Joaquins Barbosas com suas caras de mau, convicção firme e destemor.

3 – Quero presente de malcriada: paz d’sprito,  que é o que respondo para todos que perguntam o que eu quero de Natal.

4 – Quero presente de véia: sossego. Tô de saco cheio  Estou cansada desse trânsito, calor, gente chata, corrente de oração na internet, povo que fala mal de política e dos políticos mas vai lá e vota de novo nos mesmos, violência, homofobia, machismo, e por aí vai. O senhor é velho sabe o que vai no coração das pessoas e pode descobrir o que nos desagrada.cinturinha

5- Quero presente de gordinha: uma cinturinha de vespa, barriga apenas levemente arredondada e lembre-se que odeio exercício físico, além de ter pés delicados que não toleram tênis e um ombro de merda complicado. Traga o kit saudável junto.

6 – Quero presente de condômino: fim das malditas reformas nos apartamentos vizinhos. Ninguém nunca está satisfeito, derruba tudo só prá fazer de novo e vou ficando cada vez mais louca com o barulho! Se esse povo quer morar em loft tá fazendo o que aqui?

7 – Quero presente de sorte: ganhar na Mega-Sena. Muitas vezes certo? Tenho que fazer um  monte de coisas e ajudar um monte de gente com o dinheiro, então não economize querido velhinho e não me deixe esquecer ninguém prá não ser amaldiçoada pelos ingratos que não respeitam a idade das pessoas e não entendem que elas esquecem e não é por maldade, e…

Bigbang8 – Quero presente de profecia maia: se o mundo acabar mesmo no dia 21 de dezembro, faça o favor de providenciar um melhor na próxima vez. Sem poluição, sem violência, sem terremoto, sem tsunami, sem novela das 8, sem doenças, sem desgraceira e não tô nem aí se esse negócio for um tédio. Os incomodados que se mudem; o universo é grande e tem espaço pra todo mundo. Pode trazer junto um kit de bom-humor?Miss Daisy

9 – Quero presente de madame: um carro com ar condicionado e motorista que dirija bem, não seja estressado e conheça todos os caminhos para fugir dos congestionamentos, das passeatas na Paulista e das enchentes e, se isso acontecer tudo ao mesmo tempo, que ele tenha um comportamento elegante e não fique resmungando, mas que tenha uma conversa inteligente que me impeça de resmungar e parecer deselegante.

10 – QuerSharono muitos presentes de mulherzinha: unhas que não quebrem; cabelos que cresçam fortes, saudáveis e não fiquem caindo feito besta ; uma pele eternamente sedosa e lisa que nunca jamais tenha jeito de maracujá esquecido na gaveta (e que dispense o uso de cremes caríssimos ou, caso eu precise usa-los de vez em quando, não me deixem com a cara da Cristiane Torloni na propaganda da Olay); peitos que não despenquem com a maldita gravidade; mãos que passem longe do aspecto das mãos da Madonna que eu adoro, mas que tá envelhecendo mal e sem noção; cérebro jovem, “ativo, operante e na escuta”, pra usar um jargão que acho ótimo; olhos que funcionem e não me obriguem a usar óculos, que são um acessório charmoso só quando você não precisa deles; dentes brancos, fortes e brilhantes e que não sejam provenientes de uma prótese bem feita;resumindo aparencia e Q.I.  da Sharon Stone, que o senhor bem sabe é de 154!

Então veja bem querido velhinho de roupas ridículas e fora de moda, além de inadequadas para nosso clima, meus pedidos continuam modestos e de acordo com as necessidades mais básicas de uma mulher comum. Não há desculpas para não me atender.

Beijos e amor da Lagartixa.

A porta do elevador abre, um homem sai rapidamente e vai embora. Faço o comentário em voz alta enquanto entro no elevador: “ué! pensei que ele fosse o ascensorista” e a moça ao meu lado grita: “Lagartiiiiixaaaa!!!!”  Olho espantada para ela e sei que a conheço de algum lugar, mas cadê que me lembro?

Ela diz que reconheceu minha voz e não sei o que responder. Como assim a moça reconheceu minha voz? O que tem de tão memorável nela?Ai meu Deus! será que tenho aquele tipo de voz  igual a da Fran Drescher que é realmente inesquecível, mas não pelo lado bom?

Fico ali sorrindo feito uma  pastel, falando generalidades enquanto as engrenagens se recusam a funcionar e continuo tentando fazer a ligação daquele rosto com algum curso, trabalho, festa, amiga de amiga, etc., para poder dar um nome à ele mas é tudo em vão.

Chegamos ao térreo e saio do elevador lépida e fagueira, com o mesmo sorriso idiota grudado na cara e digo que preciso correr porque estou super atrasada (o que é mentira, claro, mas espero que ela não perceba).

Vou caminhando pela Rua 25 de Março sem me lembrar quem é aquela moça simpática, pensando em passar na farmácia para comprar uns 10 litros de ativador para memória, mas logo esqueço a intenção porque subir a ladeira Porto Geral exige mais oxigênio e pernas do que disponho no momento.

Meu único consolo é que sempre tive essa memória de frango degolado para nomes e rostos e envelhecer não tem nada com isso. Menos mal!!!

Aprendi muito cedo a parecer durona, determinada, competente, uma verdadeira mulher maravilha só que sem capa ou shortinho.

Pensei na canseira proporcionada por esse comportamento parada ali na plataforma do metrô, e antes que alguém pense mas que mulher é essa que pensa essas coisas do além, assim sem mais nem menos, parada esperando o metrô, bla,blá, blá.. eu explico.

Como disse, estava esperando pelo metrô; ao meu lado duas mulheres muito simples, com idades beirando os 60 conversam tranquilamente. Sem nada para fazer a não ser torcer para que todos os equipamentos metroviários funcionem adequadamente, começo a prestar atenção à conversa.

– Eu não fico pensando muito porque senão vem a depressão e quando vou começando a ficar triste eu digo “xô depressão” e vou fazer alguma coisa mais útil. Gosto de fazer um bolo e levar pra minha vizinha… ela fica tão contente! (e ajeita a ecobag).

– É. Eu também não gosto de ficar com depressão, mas tem uns problemas que a gente não dá conta, né?! Mas agora faço que nem o pastor falou: se não posso resolver entrego nas mãos de Deus e ele resolve pra mim.

– É. (outra ajeitadinha na ecobag e o trem chega).

Lição 1: pra que ser durona e tentar resolver tudo sozinha se basta fazer um bolo e ir tomar um café com a vizinha? Na conversa despretenciosa com a amiga pode até aparecer a solução.

Lição 2: se voce não dá conta, peça ajuda nem que seja pra Deus, que mesmo sendo um Ser super ocupado cuidando da Criação e talz ainda vai arrumar um tempinho. Se achar que está sobrecarregando Deus, peça ajuda pra quem quer que seja, mas não tente resolver tudo sozinha senão vem a depressão, e aí… xô depressão!!!

Parecem soluções pueris mas acho que aquelas duas vivem melhor, são mais felizes do que muita gente e ainda economizam com as sessões de terapia. Pelo menos era o que o sorriso no rosto delas mostrava.

P.S.: Não sou contra terapia e acho Wood Allen um cara fantástico.

Programas de televisão, livros, reportagens, comentários nas mídias sociais, todos anunciando que hoje, 11/11/11, o mundo vai acabar. O horário deve ser 11:11:11 h para ficar mais bonito, esotérico e ameaçador.

Em alguns estados brasileiros com horário de verão, o final do mundo se antecipou um pouquinho mas não importa já que, aparentemente, ninguém mais leva à sério essas ameaças que de tempos em tempos aparecem na mídia, fazem um estardalhaço momentâneo e no dia seguinte estão esquecidas.

Lembro de “profetas” no meio da rua anunciando :”Arrependei-vos! O final dos tempos se aproxima!!!” enquanto aproveitavam para vender uma revistinha ou livro de algum tipo de crença. Não os vejo mais. Será que o mundo está mais cético ou os meios de comunicação é que mudaram?

Pessoalmente achava aquele cara de terno gritando na calçada muito mais ameaçador do que uns sujeitos que de vez em quando apareciam na televisão todos engomadinhos, ensaiados e óbvios, mas criança é assim mesmo, ingênua que só! Hoje, os homens na televisão me assustam muito mais.

Lembro também de malucos que em nome de alguma crença espúria faziam supostas “lavagens cerebral” em seus seguidores e depois cometiam assassinatos em massa, envenenando ou abatendo a tiros os membros de suas seitas. Cada vez que uma notícia dessas aparecia, tenho uma parente mais exaltada que dizia : “é o fim dos tempos!” e mesmo não sendo cética pensava com meus botões: “de novo?!”

Hoje parece que lavagem cerebral saiu de moda e agora, no alto da lista do Apocalipse, podemos encontrar as Profecias Maias com dezenas de programas na televisão sobre o assunto. O curioso é que nessas profecias o mundo vai acabar em dezembro de 2.012, mas há controvérsias e os estudiosos ainda não chegaram à um consenso, só não podem demorar muito porque 2.012 está logo aí e preciso me preparar... Vez ou outra alguém lembra de Nostradamus, mas esse está meio desacreditado.

Como disse, não sou cética mas acho que todas essas previsões apocalípticas são ótimas fontes para a produção de filmes, séries de TV e livros que arrecadam montes de dinheiro.  Também servem de inspiração para frases engraçadas ou mal humoradas de quem não curte brincadeiras com 140 caracteres.

Comecei à escrever este post antes da hora do fim do mundo e procurei terminar logo. Vai que…

Quem não conhece as fazendas,  cidades, restaurantes, bichinhos de estimação, aquários, ilhas do tesouro, poker, máfia ou vampiros oferecidos no Facebook? Iniciei essa história abrindo um restaurante e, apesar de não curtir muito cozinhar, achei que seria divertido preparar comidinhas de mentira e atender clientes em 2D. Onde será que eu estava com a cabeça? Em pouco tempo já odiava cada uma daquelas pessoinhas que entravam no restaurante – e quando não entravam odiava também; detestava cozinhar e esperar horas para que os pratos ficassem prontos, ou ter que juntar dinheiro para equipar meu modesto estabelecimento. Demorei para desistir do negócio porque cada cadeirinha tinha custado esforço, mas juntei coragem e fechei as portas.

Desistindo de ser o Alex Atala decidi que iria curtir a vida no campo e descansar em paisagens bucólicas. Criei uma fazenda e fiquei maravilhada com os animaizinhos, plantas, árvores frutíferas, galpões e casas. Tudo era lindo até que comecei a perceber que se quisesse a fazenda bonita e próspera tinha que estar lá diariamente! Precisava juntar vizinhos, convidar pessoas que nem conhecia, visitar as fazendas vizinhas,  mandar presentes, pedir presentes… um horror. Mesmo assim fui levando; aumentei o tamanho de minhas terras, criei animais diversos, cobri tudo de neve em pleno janeiro tropical, participei de missões, fiz novos amigos e vizinhos e me preparei para ser a Rainha do Country!  E então a ficha começou a cair.

Até onde aquela fazenda me levaria? Quanto tempo teria que dedicar para que minhas plantações vingassem? Com dor no coração desisti da fazenda e resolvi ser uma pioneira do velho oeste.

Não foi uma decisão sábia. Do mesmo jeito que nos empreendimentos anteriores, criar uma pequena cidade com escola, armazém, silos, agência de correio, saloon, hotel, fundição, posto de trocas, carroças, plantações, casa de séde, curral, galinheiros…tudo demanda tempo, pedidos infindáveis aos vizinhos e amigos, ou, em caso de loucura extrema, gasto de dinheiro real para comprar as ferraduras que são o dinheiro do jogo. Arranjei marido, tive dois filhos, arrumei um cachorro.  Depois de tanto empenho agora apareceu uma espécie de “extensão” da cidade: uma trilha que deve ser percorrida para se alcançar um forte. “Não vá para a trilha Caroline!” você com certeza aconselharia, mas para ter alguns itens na cidade é preciso fazer a tal trilha e lá fui.

Para conseguir muitas das construções, animais e plantas ainda preciso cumprir missões demoradas  e encher a paciência de meus vizinhos pedindo favores. Preciso também rezar para que a joça do jogo que é em flash não trave, para que a desenvolvedora corrija os erros frequentes e para que meus vizinhos não desistam de mim só porque sou pidona.  Um ponto à favor ou contra, conforme a interpretação, é que é tudo em inglês o que me permite saber que iron pans é frigideira, rivets é parafuso, springs é mola e badger é texugo.

Sinto-me forte por não ter sucumbido ao desejo de criar peixes em aquário, jogar poker, formar uma quadrilha de mafiosos, procurar tesouros, vestir bichinhos de estimação ou sair por aí mordendo pescoços. Por enquanto sou apenas uma Fazendeira alucinada desbravando o oeste.

Heeelllppp, help, pleeeaaasssseeee!!!

Os Sete pecados Capitais por Jerome Bosch

E aí vem a Semana Santa, depois a Páscoa e as preocupações com a salvação da minha alma aumentando porque pra mim a semana não tem nada de santa sabem?

Cometo vários pecados, começando pela Gula: imagino como vou preparar o bacalhau que me aguarda lá no freezer há meses.  Farei ao forno com batatas douradas como pepitas ou uma salada fria com tomates cor de rubi, folhas de couve rasgada na cor esmeralda, ovos perolados e fio de azeite brilhante como ouro derretido? Sempre penso no bacalhau assim: precioso, colorido,  super caro, um verdadeiro tesouro a ser aberto apenas uma vez por ano e junto o pecado da Avareza na minha listinha.

Em seguida vem o ovo de Páscoa, maldita invenção de quem não tinha mais nada a fazer além de criar esse objeto de desejo insano, cheio de gordura e açúcar. Mas como resistir aos pedacinhos macios de chocolate derretendo devagar na boca, cobrindo a língua de sabores e fazendo o céu da boca estalar de prazer? Deus do céu, acho que esse é por definição um prazer carnal e acrescenta Luxúria à minha lista!

Claro que a chave de ouro é a Preguiça. Depois de comer essas coisas deliciosas e engordantes deveria correr para a Academia mais próxima, mas quem diz que faço? Ficarei largadona no sofá, feliz da vida, lendo um livro de Elmore Leonard, zapeando a TV… e tirando um cochilo.

Acho que depois disso tudo só ajoelhando no milho e prometendo que ano que vem será diferente.

Ops! Mentira é pecado?

Minha  impressão é de que a maioria dos SACs  são como os unicórnios:  tenho idéia de como devem ser, mas o bicho não existe… Pensei nisso ao ler a reportagem publicada em jornal de São Paulo à respeito do debate que aconteceu na Social Media Week São Paulo, onde se discutiu a influência das mídias sociais no bom nome das empresas.

Um dos participantes da mesa disse que as empresas não devem resolver o problema “só porque o cara reclamou no Twitter”. Se sua máquina de lavar quebrou 6 vezes no período de um ano,  se o canal à cabo que você paga regiamente exibir o mesmo filme trocentas vezes, se o plano de saúde que custa 10 barras de ouro mensais te encaminha para o SUS, se os móveis que você comprou em janeiro não foram entregues até outubro e seu casamento foi em julho, se o apartamento que você comprou na planta foi entregue sem janelas, se o conserto do notebook vai demorar 4 meses porque a assistência técnica autorizada não tem a peça, se o banco está cobrando tarifas não combinadas, se o vestido que você comprou, pagando os olhos da cara porque achou lindo, encolheu e manchou na primeira lavada –  em qualquer desses casos você reclama com o SAC certo?

Que as empresas devem se preocupar “com seus  produtos e sua honestidade” como disse um dos debatedores, é óbvio, mas e quando não o fazem? E quando a empresa é ruim, o SAC é ineficiente, os atendentes ficam te empurrando um lado para outro ou, o que é pior, nem atendem o telefone ou te deixam 10 minutos esperando na linha e na loja  o vendedor te trata mal, fazer o que? Se o PROCON é ineficiente e as leis para o serviço de call center são ignoradas, devemos reclamar com o Bispo como se dizia em tempos de Brasil colônia, botar a boca no trombone, pendurar uma faixa em local de grande circulação?

Hoje nosso bispo e nosso trombone são o Twitter, o Youtube e o Facebook e se engana quem pensa que esses meios de comunicação são ineficientes. Uma tuitada com reclamação sobre alguma empresa será lida por meia dúzia de três ou quatro que me seguem e, se entre eles alguém teve problema semelhante, com certeza vai retuitar e também falar mal da empresa. Consumidor não fica de mimimi sem razão; ninguém vai falar mal de um produto sem ter antes esgotado todos os canais de comunicação possíveis.

O chamado “boca a boca” hoje são os videos e  as incontroláveis timelines onde a  reclamação se dissemina em tempo real. Empresa que ignora esse fato está correndo o risco de ter sua reputação manchada e de ver seu produto sendo tachado de ruim para milhares de pessoas.

Quem quiser correr o risco que fique à vontade. Sempre poderá contar com a ajuda de quem acredita que “daqui há pouco o Twitter vai se esgotar” como falou um dos participantes do Social Media Week São Paulo.  Quem viver verá.

A presença da esposa de Michel Temer na posse de Dilma Rousseff  causou febre alta no Twitter. A moça, quarenta e tantos anos mais jovem que o marido, bonita, com longos cabelos loiros presos em uma trança lateral (que mostrava a tatuagem do nome de Michel feita na nuca) e vestida com blusa de um ombro só, tinha ares de estátua grega. Possivelmente a indumentária, a maquiagem e o penteado foram meticulosamente estudados para criar essa impressão, afinal a imagem de Marcela seria transmitida e replicada para milhões de pessoas.

O aparecimento tão marcante daquela moça ao lado do marido com aparência de pai ou avô, levantou polêmicas e chacoalhou opiniões  sobre o que levaria a jovem a se casar com um homem tão mais velho e, quem sabe, com interesses muito diferentes dos dela, ou não; e  aqui e aqui estão posts ótimos sobre esse assunto . O casamento deles em 2003 pegou muita gente de surpresa.

Imagino que muitas mulheres casam-se com homens mais velhos objetivando a  segurança e responsabilidade que eles podem trazer ao compromisso.  Uma parcela dos jovens mancebos talvez não esteja  apressada em constituir família, ter filhos, assumir despesas, morar junto e enfrentar as dificuldades que a união pode trazer. Nota-se de alguns anos para cá uma tendência das famílias em manter seus filhos e filhas por perto, dando-lhes apoio financeiro e abrigo até os 35 anos, ou mais. É a chamada adolescência tardia e, se para os pais é uma espécie de adiamento do corte umbilical, para os filhos é uma conveniência interessante, já que lhes dá condições de procurar o emprego dos sonhos, fazer a faculdade, a pós graduação, o doutorado, o mestrado, fazer as viagens que deseja, ou aproveitar o simples ócio sem ter que dar muitas satisfações.

Homens mais velhos em geral já estão social e financeiramente estabilizados; já têm carreira sólida; já descobriram o que querem da vida e como realizar esses objetivos. A melhoria das condições sociais e financeiras podem também funcionar como um afrodisíaco tornando o homem que as oferece um sério candidato a marido. Não há nada de errado em querer melhorar de vida, desde que os meios sejam lícitos.

É preciso também considerar que muitos homens mais velhos despertam respeito e admiração por sua inteligência e charme e conquistam mulheres muitos anos mais jovens, construindo casamentos longos e estáveis. Wood Allen e Charles Chaplin não me deixam mentir. E quem aos 15 ou 16 anos não se apaixonou pelo professor décadas mais velho que atire o primeiro punhado de arroz.

Homens em posição de poder também podem ser muito atraentes para algumas mulheres; podem trazer a estabilidade que muitas precisam para seguirem felizes em suas vidas e em contrapartida, fazerem seus maridos felizes. A troca de interesses materiais não é necessáriamente condenável e se um pode ajudar, por exemplo, na carreira profissional do outro, qual o problema?

Não sei se ainda existem os casamentos impostos pelas famílias, onde os interesses econômicos e financeiros ou as alianças políticas estão acima de qualquer coisa. Até bem pouco tempo – se pensarmos históricamente –  esses eram os casamentos mais comuns.

O casamento por amor, que muitos chamam de “casamento romântico” também pode acontecer entre pessoas com muita diferença de idade. Acho que o amor ainda não está extinto e acredito sinceramente que, para quem ama, a idade do outro é o que menos importa.

Existem homens que dizem que não fazem questão de se relacionarem com mulheres muito jovens porque, deixando de lado a aparência física, elas não têm muito à oferecer. Pode parecer preconceituoso, mas se pensarmos um pouquinho veremos que é preciso tempo para adquirir conhecimento e cultura. Para esses homens a relação não se embasa apenas em sexo e aparência, mas também em ter uma boa companhia, com conversas agradáveis, troca de conhecimento, crescimento intelectual mútuo. Eles não descartam o fato de que existem jovens inteligentes, cultas e interessantes, apenas estão abertos à todas as possibilidades.

Existem mulheres que não gostam de homens mais velhos e dizem que eles não acompanham seus ritmos de vida ou não compartilham de seus interesses. Essas muitas vezes enfrentam preconceito por namorarem ou casarem com homens mais jovens do que elas e posso falar desse assunto com conhecimento de causa. A imagem do “golpe do baú” e da “velha tarada” ainda é poderosa em nossa sociedade. As pessoas relutam em acreditar que aquele “garotão” está com aquela “balzaca” ou que aquela “gatinha” escolheu o “tiozinho” porque isso os deixam felizes.

Casamentos com grandes diferenças de idade entre marido e mulher existem em todas as camadas sociais e costumam chamar mesmo a atenção, mas casamento é um contrato de parceria entre duas pessoas e, como em qualquer contrato justo é essencial que haja honestidade em seus termos. Seja qual for o motivo que leva alguém a se unir à outro alguém,  que ambos tenham clareza do que os une e sejam felizes para sempre ou até que o divórcio ou a morte os separem.

Hoje faço aniversário e antes que alguém se empolgue e venha com aquele negócio de “ah que legal!!!!!!”  informo que são muitos anos de vida… muitos mesmo, o que de vez em quando não é legal. Nunca curti muito essa história de aniversariar, nem quando criança, nem quando adolescente e nem depois de adulta.

Quando o clima era mais constante, todos os anos chovia nessa data querida e não era chuvinha amena, era daquelas chuvas de verão do tipo derruba-árvore e as crianças não podiam sair de casa para ir na minha festinha; o bolo simplezinho, os brigadeiros e o guaraná ficavam lá, tristes-tristes, me fazendo companhia e eu não sentia muitas felicidades.

Olho pras minhas ruguinhas e penso que não combinam com :

1-  Dean Winchester. É um sujeito lindo e fico semanalmente torcendo para que ele mate todos os vampiros e lobisomens que encontrar naquelas cidades americanas esquisitas, e de preferência que faça isso sem camisa.

2- O vampiro Eric Northman. Não quero que ninguém o mate, mesmo ele sendo mau e ordinário (e de preferência quero que ele fique sem camisa)

3- Nas mesmas cidades caipiras americanas de Eric reside o lobisomem Alcide. E quem em sã consciência vai querer sua morte ? (nem vou falar da camisa ou da falta dela)

4- Jax Teller. Esse pode se vestir como quiser, mas a moto é essencial. E a trilha roqueira da série também.

Perceberam que tenho um gosto adolescente para séries de TV e seus protagonistas? O mesmo se dá com relação aos filmes; gosto de coisas como a trilogia Senhor dos Anéis, Tubarão, qualquer coisa de Quentin Tarantino, Caçadores da Arca Perdida e suas sequências, Guerra nas Estrelas e suas sequências, Avatar, Harry Potter, e muitos outros como e sses cujos nomes esqueci numa descarada perda de memória o que também não combina com uma senhora com muitos anos de vida.

Amo toda parafernália tecnológica. Usei gravador de voz de fita; passei do VHS para o DVD e agora para  Blu-ray e 3-D e espero poder assistir, se ntada no sofá da minha sala, filmes com imagem holográfica . Conheci o disco 78 rotações, o long-play high-fidelity, o CD e hoje ouço tudo em digital.

Gravei muito arquivo em disquete de 5 1/4 com capacidade de armazenar 360KB ou 1,2 MB, dependendo se eram de simples ou dupla densidade, e fazer isso demorava pra caramba. S e o a rquivo fosse grande precisava usar vários disquetes que ia etiquetando (com etiqueta de papel) e numerando na sequência. Se um desses dinossaurinhos estragasse, não havia drive (que era uma fenda na frente da CPU) que os lesse; era desastre total. Agora é tudo em pen drive e tenho uns que parecem de brinquedo  mas armazenam um montão de Gigas.

No quesito estilo, detesto roupas tipo saco de batatas, disformes e supostamente indicadas para “gente velha”. Detesto aqueles sapatos largos e de saltinho baixo, com cara de ortopédico que deixam o pé como o da Minnie Mouse, lembram dela?

Detesto aquele corte de cabelo batidinho na nuca e que é um “must” entre as velhinhas mais simplezinhas aqui do bairro. Odeio solenemente o estilo “americana brega”, armado, “desfiado” e com toneladas de laquê, como o que Sylvia, mãe de Fran Fine usava no seriado The Nanny, alguém ainda se lembra?

Mas, mesmo com essas referências antigas pululando aqui no blog, devo dizer que tenho uma alma jovem e que neste corpinho com algumas décadas de uso  felizmente bate um coração adolescente e sonhador.





 

Vou direto ao assunto: tenho uma dificuldade gigantesca em memorizar nomes de pessoas, de ruas, de filmes e coisas do gênero. Posso explicar direitinho quem a pessoa é, onde ela trabalha, a cara que ela tem, roupas que usa, mas o nome nem pensar.

Quando quero lembrar o nome de algum ator ou atriz sou capaz de lembrar os filmes, os enredos, os personagens. Então fica uma coisa assim: aquele ator, bandido- médico-surfista-fantasma, que já morreu… Se minha filha estiver por perto, ela dirá: o Patrick  Swayze, né mãe?

Antes que alguém me chame de esclerosada, saibam que esse é um problema que acompanha minha família pelo lado paterno há gerações. Minha avó, tias, tios e meu próprio pai, sempre misturaram os nomes da criançada da família. Para a molecada era normal atender pelo nome de outro quando a vó chamava; é uma coisa genética.

Com essa memória de jaca escolhi a profissão de secretária, quando carregar uma agenda de papel era coisa chique e aproveitando a moda sempre anotava tudo; depois marcava com canetinhas coloridas porque não podia esquecer nada.

Minha formação acadêmica é, vejam que adequado, História. A sorte foi que quando comecei a cursar a faculdade o que valia era entender o “contexto”, a “tessitura”,  “o comportamento social”, o “embricamento”, e não decorar datas e nomes.  Entender as fofocas e os babados históricos “dentro de um contexto social”  permitiu que eu me saisse razoavelmente bem.

Hoje tudo mudou. Agenda agora é o netbook, o celular, o smartfone, o ipod. As redes sociais inundam minha timeline com arrobas que preciso reconhecer. O Facebook oferece fazendas, cafés, cidades de fronteira e outros jogos on line.

Imaginem quantas vezes não enviei uma vaca de presente para aquela senhora americana que é vegetariana convicta e tem um café, não uma fazenda.

Não faço idéia de como superar esse problema, nem de como marcar com canetinha colorida minhas anotações no smartfone. No netbook já consigo…

Tentei o método divulgado por um político que segundo as más línguas roubava mas fazia, não tinha dinheiro no exterior, é casado com uma senhora que usa um litro de laquê nos cabelos e elegeu um prefeito em São Paulo. Esse método ensina a relacionar as pessoas à alguma coisa para depois lembrar o nome delas. Como podem perceber, lembro do político, das fofocas e do método, mas esqueci o nome do sujeito.

Estou contando isso tudo só para me desculpar antecipadamente com você, amigo ou amiga de rede social, cursos em geral, antigos empregos, vizinhos, namorados, etc.. Nunca pensem que o fato de não lembrar de seus nomes seja pouco caso ou esclerose. Lembre-se que é genético!

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