janeiro 2012


Sou um pouco antiga e ainda leio jornal impresso em papel, lembram-se dele? Mas faço isso por puro hábito porque, depois de ler o jornal , vou para a Internet conferir se já tem atualização da notícia que me interessa.

No espaço virtual posso encontrar novos detalhes e imagens que o jornal não trouxe, posso escarafunchar outras informações em sei lá quantos sites diferentes, mas como todo mundo já percebeu, a Internet está aí para o bem e para o mal.

É igual faca que tanto serve para descascar laranja quanto para matar alguém. Vamos censurar e proibir as facas?

A lei antipirataria chamada  Stop Online Piracy Act – SOPA que estão tentando aprovar nos EUA é assim, igual faca: tem potencial para proteger direitos autorais mas pode matar a informação gratuita que conseguimos na Internet.

A justificativa do republicano Lamar Smith o principal autor da iniciativa é, para dizer o mínimo, xenófoba; ele diz que a lei visa proteger consumidores, negócios e empregos “de ladrões estrangeiros que roubam propriedade intelectual dos EUA”.  É uma grande bobagem.

Os mal intencionados de qualquer nacionalidade copiam e distribuem informações obtidas de qualquer lugar, não necessáriamente da Internet e, obviamente, a única diferença é a velocidade com que a distribuição é feita.

Mas o mesmo conteúdo que alimenta a pirataria, é para nós os cidadãos comuns, a boa informação imediata e atualizada, a resposta para dúvidas diárias, o vídeo que permite observar se houve ou não manipulação da notícia, a música que está sendo lançada, o filme que estão discutindo e que queremos ver, a série que queremos assistir na TV mas não temos dinheiro para pagar o canal por assinatura, e muitas outras coisas que só encontramos no ambiente virtual.

Posso ser ingênua, mas pirataria para mim é copiar um filme, por exemplo, e vender um monte de cópias na banquinha instalada na calçada, e isso não será coibido nem punido com a censura de sites. Ou copiar uma informação científica e publicar como se fosse sua, quando na verdade não é, o que também não se resolve com censura, mas sim com processos individuais contra os autores da farsa.

É óbvio que as produtoras de filmes, séries e miniséries estão alvoroçadas e apoiando a iniciativa. Elas sabem que muita gente não pode pagar o ingresso do cinema nem a assinatura do canal HBO, e que para esses consumidores em potencial a saida é “baixar” da Internet e assistir o que lhes interessa, sentadinhos na poltrona da sala de suas próprias casas. Se sabem disso, que tal distribuir legalmente músicas, filmes, séries e miniséries ao preço de centavos por download? Nem pensar, não é?

Para o pessoal interessado na aprovação dessa lei, em princípio todo mundo é ladrão, o que é um pensamento idiota. E tome censura e bloqueio de sites, outra idéia ridícula, além do que a justificativa apresentada pelo Sr. Smith lembra um pouco a censura feita pelos nazistas no III Reich, direcionada á produção intelectual de todos que não fossem arianos e que resultou na queima de milhares de livros em praça pública.

A História se repete, a primeira vez como tragédia e a segunda como farsa, já dizia o velho Marx.

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E aí Papai Noel?! Tudo bem com o senhor?
Já sei que estou atrasada, que estamos caminhando para a segunda quinzena de janeiro e tal, mas fazer o que? Essa sou eu, uma Lagartixa cuja filosofia de vida de vez em quando é “Demora mas faz” e vou confessar que não tenho nenhum orgulho disso.

Tenho é vergonha de ficar empurrando as decisões com a barriga e por isso mesmo, meu querido, é que quero mudar meu comportamento. Então, como não pedi nada de presente de Natal, vou pedir de Ano Inteiro, pode ser? Ainda dá tempo não é, porque o Natal não acabou, as lojas continuam oferecendo liquidações fantásticas e eu ainda não desmanchei a árvore cheia de pinduricalhos e luzinhas em volta da qual reuni minha amada família para comemorar o seu dia. Vamos à listinha dos pedidos:

Força e coragem para cumprir a meta de levar os cachorros pra passear pelo menos uma vez por dia. Todo ano prometo que vou fazer isso, mas um dia está chovendo, no outro tenho trabalho para fazer, no outro estou esperando uma ligação, no outro… enfim, os bichinhos estão, assim como eu, criando lindos pneus ao redor do abdomem, lembrando que no meu caso é frente e verso, sabe como é?

Determinação para começar e terminar um trabalho de patchwork antes de começar outro porque, fala sério, tem uma hora em que 3 grandes colchas junto com 2 ou 3 caminhos de mesa, 2 panôs e 1 bolsa, esperam pacientemente no fundo do baú o momento em que terminadas, serão gloriosamente exibidas no Twitpic e tudo bem que não faço isso para ganhar dinheiro. Mesmo sendo um hobby, quando percebo que isso está acontecendo de novo, saio correndo para acabar tudo de uma vez e é um stress que vou te contar…acaba com todo o prazer do trabalho.

Cegueira momentânea diante de lojas com coisas lindas e inúteis ou desnecessárias naquele momento, inteligência para perceber que ninguém precisa de 50 pares de sapato, nem de 30 bolsas, nem de trocentas blusas, milhentos vestidos, 8 livros por semana…e por aí vai.

Tolerância com a falta de educação, de bom gosto, bom senso, boa vontade, honestidade, gentileza, dedicação e cidadania das pessoas com quem cruzo nos espaços públicos. E também preciso de compreensão para perceber que o segurança do supermercado está me seguindo porque gostou de mim e não porque me achou com cara de quem vai roubar um um frango e esconder na calcinha. Ou, quem sabe, ficar perambulando é o trabalho dele…

Me dê paciência para não sair no tapa com aquele atendente estúpido; com a vendedora grosseira e desinteressada; com as mães de shopping que levam seus rebentos para correr e gritar pelos corredores e áreas de alimentação; com o sujeito que conversa durante a projeção de um filme como se estivesse na sala de sua casa; com o senhor de meia idade que se acha “o” civilizado e fica na fila (depois de tentar furá-la) falando mal de brasileiro; com o jovem que finge dormir nos vagões dos trens e do metrô para não dar lugar às gestantes, idosos e deficientes; com os motoristas que agem como se estivesse sozinhos na rua. Sei que o senhor é esperto e notou que preciso é de paciência para lidar com grande parte da humanidade, por isso mande muita, mas muita mesmo.

Preciso também de um desconfiômetro que apite quando passo mais de uma hora naqueles joguinhos terríveis e viciantes do Facebook. Diga, bom velhinho, como eles conseguem me fazer acreditar que preciso ficar horas colhendo plantações virtuais, construindo casinhas virtuais, alimentando bichinhos que nem existem, ganhando estrelinhas e experiência, atendendo centenas de pedidos dos “amigos e vizinhos” e as vezes, gastando meu dinheiro real para comprar ferraduras, coroas, ou seja lá qual for o “dinheirinho” do jogo, só para poder terminar uma “missão”? Preciso entender o mecanismo desse hábito porque é muita falta de noção…

Também quero parar de falar palavrão e ser mais sociável, simpática, doce, afável e …. eca! Retiro este pedido.

Nem preciso dizer que fui superboazinha no ano passado. O senhor viu que tirando o mal humor e o desejo arrogante de mudar o mundo, fiz tudo direitinho. Então me atende, por favor, porque senão a coisa vai ficar cada vez mais feia e dia desses saio no jornal estapeando o povo todo. Aí vão me apontar na rua e falar “aquela velha louca!!!” e serei obrigada a esclarecer que a responsabilidade  é toda sua, que me negou coisas simples e necessárias.

Bom Ano Novo!