janeiro 2011


Quem acompanha o blog já deve ter percebido que sou completamente seriemaníaca. Sempre que alguém comenta sobre uma nova série saio correndo para assistir pelo menos um episódio e ver se vale a pena. Daí que minha filha falou de Spartacus, Blood & Sand e claro que me joguei na pesquisa.

Na década de 60,  Kirk Douglas mostrando os joelhos e o tórax, estrelou o filme Spartacus. Era uma coisa considerada super máscula aquele homem todo fortão pilotando uma biga de saiote de couro e sandália, num super estilo Gladiator, ou então usando um tipo de cuecão esquisito para lutar na arena. Figurinista de Hollywood usa e abusa da licença poética na hora de vestir os personagens, mas isso é assunto extenso e para um outro post…

O Spartacus  Blood & Sand, é um pouco diferente. Quer dizer,  os atores continuam bonitões e musculosos, ainda tem uma arena, eles ainda são gladiadores, a cuéca continua  estranha só que muito menor, em vez de sandálias estão de botas, tem muita traição, muita intriga romana e muita falta de coração por parte daquela platéia de gente esquisita, meio suja  e sedenta de sangue, mas o resto, quanta diferença…

Quem pensaria nos ingênuos anos 60 que aquele guerreiro trácio teria tanta inteligência, sentimentos, charme e bunda bonita para nos deleitar? Quem poderia imaginar que veríamos nus frontais no horário nobre da TV, além de sexo adoidado entre gladiadores e escravas; romanos e suas esposas e escravas; gladiadores com gladiadores; escravas com escravas; romanas de fino trato com gladiadores rudes e brutais?

As cenas do senhor romano fazendo sexo com a escrava enquanto conversa plácidamente com a esposa até poderia estar naqueles episódios pornôs que passam na madrugada,  mas não se enganem. A conversa deles gira em torno da ambição mais desmedida e a arena é o umbigo da cidade onde poder, amor, sexo, dinheiro, fofoca e vingança animam a festa.  A tal areia do título é a que recobre o chão onde se travam as batalhas, e depois de ver alguns episódios posso afirmar que tem muito mais Blood do que Sand.

Lucy Lawless, a Xena, faz o papel da esposa de Batiatus, que vem a ser o dono da arena e dos gladiadores. Continua bonitona e mandona porque certas coisas nunca mudam…

A estética é a mesma dos filmes 300 de Esparta e  Spirit (ambos calcados nas histórias em quadrinhos) : a imagem repentinamente vira ilustração; o sangue que espirra é sempre muito vermelho e descreve elaborados padrões na tela; os movimentos das lutas são coreografados e a ação intercala tempo real e slow-motion e por isso vemos em detalhes dentes voando, bochechas balançando, crânios sendo abertos, cortes de diversas profundidades e extensão e muito suor escorrendo pelos corpos malhados .

Nas cenas de luta e mortes variadas usei o controle remoto para acelerar as imagens porque não curto violências e isso é o que não falta na série.

Infelizmente o ator Andy Whitfield, que interpreta Spartacus, teve que abandonar o elenco antes do início das filmagens da segunda temporada para tratar de um câncer (diagnosticado em 2.010) que havia dado mostras de ter sido curado mas voltou e o obrigou a deixar definitivamente a série para tratar da saúde.
Enquanto não encontram um substituto os produtores lançaram lá nos EUA,  Spartacus: Gods of the Arena, que mostra como eram as coisas antes do Spartacus. Essa ainda não vi e não sei se verei.
Pra falar a verdade, estava assistindo mesmo por causa do Andy e seus lindíssimos olhos azuis.
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Timothy Oliphant

Não sei por qual caminho tomei conhecimento da série Justified  (exibida no canal FX nos Estados Unidos e Space/TVA aqui no Brasil ), mas sejam quais forem os ventos que me levaram à ela, valeu a pena!  Justified é o que antigamente era denominado de história de faroeste, e meu pai chamava de “bang-bang”. O herói Raylan Givens parece saído diretamente das páginas dos gibis (também conhecidos como quadrinhos, e mais recentemente como H.Q.) que meu primo escondia ciumento no fundo do armário só para que eu não pegasse. Aquilo não era “leitura para meninas”, mas o índice de fracasso desses rótulos quando aplicados à mim  sempre foi de 100%. Li todos e adorei!!!

Na primeira cena do episódio piloto, aquele sujeito meio largado na cadeira, voz mansa, sorriso e olhar sonolentos, usando terno claro e folgado e um chapéu de cowboy totalmente fora de contexto, dá o tom para as histórias: ele é um herói old fashioned; ele só atira para matar; ele dá chance para que o oponente se defenda; ele é justo; o que ele faz é “justificado”. Por isso, ali à beira de uma piscina em Miami e na frente de todo mundo, ele atira no coração do bandido que está sentado à sua frente apenas quando o feio e atrevido saca sua própria arma e tenta matá-lo.

Timothy Olyphant é perfeito para o papel de Raylan; alto e magro,  sem ser excepcionalmente bonito, ele dá vida ao personagem com uma postura relaxada, andar leve, olhar que parece meio desfocado mas que não perde nenhum detalhe, sorriso discreto e charmoso; voz macia e conversa esperta que usadas com eficiência levam quase todos os facínoras, quase todas as mocinhas e quase todos os amigos a fazerem exatamente o que ele quer.

E é claro que ele é o Gatilho Mais Rápido do Oeste, apesar do Kentucky, que é onde se desenrola a história, ficar no Sudeste dos EUA, mas isso é mero detalhe. Ele é o xerife, ele é o mocinho, ele tem um pai bandido, ele se envolve com a mulher que matou o marido à tiros de escopeta na cozinha, ele é aquele que todos querem ter como amigo e que é odiado ferozmente por seus inimigos que usam dos meios mais traiçoeiros para deixá-lo fora de combate.

Walton Goggins

Gostei muito de ver Walton Goggins (o Shane em The Shield) dando vida ao personagem Boyd, o líder de uma gang de neonazistas. De caráter dúbio, meio triste, meio cínico, meio santo, meio demonio ele parece ser um “renascido” ao sair da prisão, mas pode ser que não seja bem isso. E essa também é uma das características da série: os personagens tem profundidade, têm história; são tomados pelas dúvidas, saem da linha e com frequência se equilibram na zona cinzenta entre o bem e o mal, o certo e o errado. Isso tudo não poderia ser diferente já que são inspirados em contos de Elmore Leonard que é também produtor da série que está na segunda temporada.

Justified é uma série de “mocinho e bandido” como há muito tempo não se via.

A presença da esposa de Michel Temer na posse de Dilma Rousseff  causou febre alta no Twitter. A moça, quarenta e tantos anos mais jovem que o marido, bonita, com longos cabelos loiros presos em uma trança lateral (que mostrava a tatuagem do nome de Michel feita na nuca) e vestida com blusa de um ombro só, tinha ares de estátua grega. Possivelmente a indumentária, a maquiagem e o penteado foram meticulosamente estudados para criar essa impressão, afinal a imagem de Marcela seria transmitida e replicada para milhões de pessoas.

O aparecimento tão marcante daquela moça ao lado do marido com aparência de pai ou avô, levantou polêmicas e chacoalhou opiniões  sobre o que levaria a jovem a se casar com um homem tão mais velho e, quem sabe, com interesses muito diferentes dos dela, ou não; e  aqui e aqui estão posts ótimos sobre esse assunto . O casamento deles em 2003 pegou muita gente de surpresa.

Imagino que muitas mulheres casam-se com homens mais velhos objetivando a  segurança e responsabilidade que eles podem trazer ao compromisso.  Uma parcela dos jovens mancebos talvez não esteja  apressada em constituir família, ter filhos, assumir despesas, morar junto e enfrentar as dificuldades que a união pode trazer. Nota-se de alguns anos para cá uma tendência das famílias em manter seus filhos e filhas por perto, dando-lhes apoio financeiro e abrigo até os 35 anos, ou mais. É a chamada adolescência tardia e, se para os pais é uma espécie de adiamento do corte umbilical, para os filhos é uma conveniência interessante, já que lhes dá condições de procurar o emprego dos sonhos, fazer a faculdade, a pós graduação, o doutorado, o mestrado, fazer as viagens que deseja, ou aproveitar o simples ócio sem ter que dar muitas satisfações.

Homens mais velhos em geral já estão social e financeiramente estabilizados; já têm carreira sólida; já descobriram o que querem da vida e como realizar esses objetivos. A melhoria das condições sociais e financeiras podem também funcionar como um afrodisíaco tornando o homem que as oferece um sério candidato a marido. Não há nada de errado em querer melhorar de vida, desde que os meios sejam lícitos.

É preciso também considerar que muitos homens mais velhos despertam respeito e admiração por sua inteligência e charme e conquistam mulheres muitos anos mais jovens, construindo casamentos longos e estáveis. Wood Allen e Charles Chaplin não me deixam mentir. E quem aos 15 ou 16 anos não se apaixonou pelo professor décadas mais velho que atire o primeiro punhado de arroz.

Homens em posição de poder também podem ser muito atraentes para algumas mulheres; podem trazer a estabilidade que muitas precisam para seguirem felizes em suas vidas e em contrapartida, fazerem seus maridos felizes. A troca de interesses materiais não é necessáriamente condenável e se um pode ajudar, por exemplo, na carreira profissional do outro, qual o problema?

Não sei se ainda existem os casamentos impostos pelas famílias, onde os interesses econômicos e financeiros ou as alianças políticas estão acima de qualquer coisa. Até bem pouco tempo – se pensarmos históricamente –  esses eram os casamentos mais comuns.

O casamento por amor, que muitos chamam de “casamento romântico” também pode acontecer entre pessoas com muita diferença de idade. Acho que o amor ainda não está extinto e acredito sinceramente que, para quem ama, a idade do outro é o que menos importa.

Existem homens que dizem que não fazem questão de se relacionarem com mulheres muito jovens porque, deixando de lado a aparência física, elas não têm muito à oferecer. Pode parecer preconceituoso, mas se pensarmos um pouquinho veremos que é preciso tempo para adquirir conhecimento e cultura. Para esses homens a relação não se embasa apenas em sexo e aparência, mas também em ter uma boa companhia, com conversas agradáveis, troca de conhecimento, crescimento intelectual mútuo. Eles não descartam o fato de que existem jovens inteligentes, cultas e interessantes, apenas estão abertos à todas as possibilidades.

Existem mulheres que não gostam de homens mais velhos e dizem que eles não acompanham seus ritmos de vida ou não compartilham de seus interesses. Essas muitas vezes enfrentam preconceito por namorarem ou casarem com homens mais jovens do que elas e posso falar desse assunto com conhecimento de causa. A imagem do “golpe do baú” e da “velha tarada” ainda é poderosa em nossa sociedade. As pessoas relutam em acreditar que aquele “garotão” está com aquela “balzaca” ou que aquela “gatinha” escolheu o “tiozinho” porque isso os deixam felizes.

Casamentos com grandes diferenças de idade entre marido e mulher existem em todas as camadas sociais e costumam chamar mesmo a atenção, mas casamento é um contrato de parceria entre duas pessoas e, como em qualquer contrato justo é essencial que haja honestidade em seus termos. Seja qual for o motivo que leva alguém a se unir à outro alguém,  que ambos tenham clareza do que os une e sejam felizes para sempre ou até que o divórcio ou a morte os separem.

Sou um tanto avessa às cerimônias, sejam elas posse presidencial, entrega de premios, casamentos, batizados, e por aí afora. Mas não resisti e assisti, como milhões de brasileiros e brasileiras (para adotar a forma da Presidente se expressar), a posse de Dilma Rousseff pela televisão.

Confesso minha futilidade dizendo que estava ansiosa para ver o vestido, o penteado e a maquiagem que ela usaria. Não me decepcionei; achei a Presidente elegante e vestida de acordo com a ocasião. Só faço um aparte com todo o respeito: Dilma precisa aprender a andar com mais elegância e leveza senão fica parecendo uma pata choca de 150 kilos no convés de um navio em meio a uma tempestade! É facil Presidente Dilma, basta juntar as pernas, alinhar os pés para frente  e coloca-los um diante do outro, nem precisa carregar livro na cabeça.

Outra coisa sobre o que precisam alertá-la é o sorriso. Quando ela sorri abertamente fica bonita e simpática; quando dá o sorriso contido, com a boca semi-aberta, mostrando apenas os dois dentes da frente, fica com cara de coelha e parece desconfortável e falsa. Ser elegante e bonita não tira a autoridade de ninguém.

Passando às coisas sérias, Dilma se emocionou e me emocionou ao assumir seu lado “mãezona” dizendo que: ” A partir desse momento, sou a presidenta de todos os brasileiros”   e ao levar a filha Paula com ela.

No seu discurso de posse Dilma disse que quer que “todas as brasileiras sintam o orgulho e a alegria de ser mulher” e ela deve saber que isso não será fácil.

Acompanhando o notíciario de jornais e TV, ouvindo as conversas alheias nos ônibus e no metrô, conversando com as pessoas, observando as estatísticas da violência, percebemos que ainda vivemos em meio a um profundo desrespeito com as questões femininas.

Exemplo típico e imediato foi o comportamento dos internautas. Muitos comentaram a beleza da jovem mulher de Michel Temer em oposição à “feiúra” das petistas e sequer deram importância ao fato de uma mulher estar assumindo a presidência do país. Para esses internautas  importante é ser bonita e só. Muitos também fizeram e/ou replicaram piadas de gosto  duvidoso  sobre a orientação sexual da presidente, com insinuações extremamente maldosas. No raciocínio desses, mulher forte tem que ser “macho”; não aceitam que mulher pode ser inteligente, feia, bonita, gorda, magra, alta, baixa, rica, pobre, jovem, velha… e poderosa; em seus pensamentos rasos poder não combina com feminilidade. É contra esse tipo de preconceito que a Presidente terá que lutar, entre tantos outros.

É com a questão da violência física e psicológica contra as mulheres que Dilma terá que se ver caso queira mesmo resgatar a dignidade da mulher no Brasil.

A Presidente disse em seu discurso que vai dar atenção à educação, atrelando ensino de qualidade á valorização dos “professores e professoras”, dando à eles remuneração adequada e formação continuada; prometeu também apoiar as prefeituras para aumentar vagas nas creches e pré-escolas, e aqui a Presidente – caso cumpra sua promessa – estará realmente prestando um enorme serviço às brasileiras, pois dará à elas condição de irem para seus empregos deixando seus filhos em segurança.

Como boa administradora, falou em usar os recursos do Pré-sal com cuidado e atenção, como faz a dona de casa com seu orçamento doméstico. Quer que o dinheiro dure e se transforme em “qualidade de serviços públicos, na redução da pobreza e na valorização do meio ambiente”. Mas falou pouco sobre meio ambiente, dizendo apenas que é possivel crescer sem destruir o meio ambiente, utilizando energia limpa e preservando reservas naturais e florestas. A intenção é muito boa, agora como diria Garrincha, falta combinar com os adversários.

Falou em imprensa livre, disse que não guarda rancor ou mágoa numa clara alusão ao período em que foi perseguida, presa e torturada pela ditadura, prestou homenagem à Lula e à José de Alencar, enfatizou a erradicação da “miséria absoluta” e a necessidade de uma classe média forte e sólida.

Agora nos próximos 4 anos a Presidente Dilma Rousseff terá que nos mostrar que não é apenas uma mulher no poder, mas que é “a” mulher no poder. Precisará ignorar as tolices de um feminismo de boutique que tentou fazer com que ela nomeasse mulheres para cargos nos ministérios apenas por serem mulheres.

Precisará deixar claro que independente de ser homem ou mulher, independente de pertencer à alguma das minorias étnicas ou de orientação sexual; independente de pertencer à essa ou aquela religião ou camada social, as pessoas que estarão com ela governando o país serão pessoas de bem, dignas de nosso respeito e confiança.

Peço humildemente que a senhora não me desaponte, Presidente Dilma Rousseff.