setembro 2009


 A censura aos meios de comunicação,  além de ser démodé  é de mau gosto, certo? Algumas pessoas insistem em ignorar que os tempos são outros e por isso o nome de um bar, o Boteco São Bento, aqui em São Paulo ( e haja nome de santo!), está caindo na boca do povo da pior maneira possível.

O Raphael do blog Resenha em seis (que é opinativo diga-se de passagem) foi lá, não gostou, não se sentiu bem atendido e fez uma crítica negativa ao estabelecimento, coisa absolutamente normal. Mesmo não concordando com o tom adotado reconheço o direito do resenhista escrever o que pensa, coisa também absolutamente normal. Reproduzo:

“Depois da Faixa de Gaza e do Acre, este é o pior lugar do mundo para você ir com os amigos. Caro, petiscos sem graça e, principalmente, garçons ultra-power-mega chatos: você toma dois dedos do seu chopp, quente e azedo que nem xoxota nos tempos dos vikings, eles já colocam outro na mesa. E se você recusa, eles ainda ficam putos. Só tulipadas diárias no rabo para justificar tamanha simpatia no atendimento. “

Então alguém resolveu iniciar a seção de comentários com uma ameaça velada: “Avise a próxima vez que vier nos visitar. Teremos uma promissora conversa” e se assinou singelamente “Anônimo”.

Depois um outro assinando como ADM lá do boteco ameaçou com providências contra o blog e aí a coisa só desceu a ladeira. Houve uma ameaça de Notificação Extra Judicial e durante todo o dia o assunto rolou no twiter. E o boteco foi ficando com o nome atrelado à Censura, o que não deve ser muito gostoso. Serei processada por ter tal opinião?

As coisas seriam bem diferentes caso alguém responsável pelo bar viesse ao blog e deixasse um comentário do tipo “desculpe nossa falha” (se os problemas relatados fossem reais),  porque dia ruim todo mundo tem, ou dizer apenas “não fomos nós que respondemos no blog”, mas ameaçar, processar, insultar e censurar, não é produtivo. Quem quer que tenha feito as postagens no blog deixou muito evidente o ranço de censura que possue e conseguiu sucesso pois o post e os comentários foram retirados.

Blog é como a nossa casa: falamos o que queremos e quem não gostar das nossas conversas que não venha visitar, ou então que argumente nos comentários sem se esconder no anonimato ou na falsa identidade. Simples assim.

coração partidoVou fazer o papel de advogado do diabo porque cansei de ler e ouvir a frase que dá título á esse post, geralmente dirigida às moçoilas que foram dispensadas postas de lado por  romperam com seus namorados, maridos ou amantes.

Como assim “não te merece”? Tudo bem que a frase é dita com a intenção de levantar a auto-estima rastejante da abandonada, mas o que impede que uma relação seja rompida pelo homem simplesmente porque não está funcionando? 

Mesmo que a dor de amor seja grande  e a separação difícil, nunca vi um homem dizendo pro outro, à titulo de consolo, que a fulana não era “merecedora” de tão sublime companhia.

Salvo raras excessões, quando ele leva o tradicional pé na bunda  a dispensa, o que escuta dos amigos é : “parte pra outra” ou “o que não falta é mulher”. Para ajudar na fase de esquecimento, os bons amigos promoverão umas noitadas no bar regada à álcool e mulheres onde o preterido remendará seu coração partido; ou um campeonato de rock band (onde também haverá a presença de cerveja e mulheres) dependendo dos interesses do grupo.

Então meninas, que tal pararmos com essa mania bobinha e fácil de tentar tampar o sol com a peneira? 

Que tal dizermos às nossas amigas, irmãs, filhas, mães, tias, avós, ou seja lá quem for a mulher ao seu redor que esteja  necessitada de apoio, que apenas não deu certo por “n” motivos.

O fracasso da relação e o rompimento por parte do homem pode ser por pura falta de afeto mútuo, por relacionamento sexual ruim (sim, as mulheres comentam isso com as amigas e  o/a  “ruim de cama” é fato), por objetivos e interesses diferentes, por falta de desejo de comprometimento, por ciúmes, por galinhagem explícita, falta de tempo,  por chatice, sei lá. Nos motivos cabe sempre um enorme etc.

O que não dá é colocar a mulher em um pedestal de coitadinha ou de deusa traída. Sinceridade e objetividade temperada com respeito e amor podem ajudar a amiga a “sair da lama”  muito mais rápido do que ficar reforçando a idéia de que ela  foi  injustiçada.

Vale juntar as amigas e insultar “o canalha”; o ato de falar palavrões conhecidos e até de inventar alguns adequados à situação faz bem à saúde e é muito divertido. Dá uma incrível sensação de bem estar e alma lavada , podem acreditar.

Temos os relacionamentos que alimentamos. Se eles dão certo ou não é outra história. A vida às vezes nos prega peças de mau gosto e chorar de vez em quando pode, mas com prazo de validade, ok?!  Nem as melhores amigas vão aguentar por muito tempo uma moça baixo astral se derretendo em prantos à simples menção do nome do “ex”.

Cabeça erguida, olho no futuro e pé na estrada meninas, mesmo nas situações em que fomos injustiçadas de verdade.

Grudem os cacos do coração partido e vão em frente! Um coração remendadinho com cuidado se torna mais forte para o próximo embate, como eu bem sei.

livroAvalio se um livro é bom ou não pela ansiedade que me provoca. Se devoro as páginas feito uma ogra faminta, então acredito que estou diante de uma obra prima!

Nenhum critério técnico, nenhum conhecimento em literatura, nadinha…só a vontade louca de ler, descobrir a trama e acabar logo com as 200 páginas  que demoro 2 dias para ler ou as 600 que exigem uma semana ou pouco mais de leitura.

Acabo de ler Os homens que não amavam as mulheres, escrito pelo jornalista Stieg Larsson, e confesso que demorei 15 dias. Esse período maior só teve um motivo: a minha dificuldade e/ou preguiça em memorizar os nomes dos personagens e lugares da Suécia, que não faziam sentido nenhum dentro da minha cabeça de jaca.

Quando consegui assimilar aquele monte de tremas e consoantes a história foi outra. Não pude mais largar o livro; varei madrugadas e andei com aquele tijolo de 522 páginas pra baixo e pra cima,  aproveitando cada segundo livre para ler mais um pedacinho.

Stieg Larsson deixa claro que amou as mulheres  e soube entender suas complexidades.

As personagens femininas são cheias de nuances. Apresentam-se confusas, competentes, assustadas, delicadas, indefesas, corajosas, resmungonas,  inteligentes, falsas, solidárias…enfim, mulheres reais.

Nenhuma é dotada de beleza deslumbrante como acontece nos romances açucarados e tramas rasas, mas cada uma possui algo de cativante que faz com que o autor se derrube em elogios e amor. Com idades que variam de 24 a 56 anos são todas igualmente desejadas e amadas, deixando para trás a idéia esteriotipada de que apenas as jovens e bonitas merecem esse privilégio.

Que a trama que relata a investigação feita por um jornalista de esquerda e sua auxiliar hacker/punk para descobrir o(s) crime(s) é cheia de surpresas e bem amarrada nem preciso dizer.

Para demonstrar meu amor por Stieg Larsson digo que como o livro é o primeiro de uma trilogia,  já encomendei os outros dois e lamento muito sua morte prematura que privou o mundo de alguém que realmente vale a pena ler.