novembro 2009


Para acabar com as gambiarras de vários filtros de linha, benjamins e tomadas, resolvi redimensionar as instalações daqui de casa. Tudo o que consegui depois de semanas de quebra quebra foi deixar mais “bonitinho” com a agravante de que preciso comprar “adaptadores” (quem será que lucrou com essa lei?). Continuo tendo milhentas tomadas para poder ligar o PC, o monitor, a impressora, a luminária, o conversor da TV a cabo, o wireless, o telefone sem fio, etc com licença que vou na janela gritar.

Mas Deus criou os designers para dar um jeito nisso! Acabo de ver em uma revista a foto de um computador Dell que junta CPU e monitor na mesma linda peça! E apenas com apenas um mísero fiozinho ligando em uma singela tomada. Teclado e mouse sem fio e “tá tudo dominado”.

É a resposta ás minhas preces. Só preciso do milagre da multiplicação das moedas (muitos milhares de moedas) para comprar e ficar totalmente feliz. Então com licença que vou ali começar a rezar neste mesmo instante.

P.S.: Este não é um post pago.

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Essa poderia ser apenas mais uma série sobre violência e guerra entre gangues mas não é. É a história do Sons of Anarchy Motorcycle Club´s Redwood Original – SAMCRO, um clube de motociclistas  fundado por ex-combatentes do Vietnã  para proteger uma comunidade;entretanto, desvirtuando a idéia original, seus membros hoje se dedicam ao contrabando de armas e outros crimes. Parece simples e igual à outros seriados, mas não é.

Jackson “Jax”  Teller (Charlie Hunnan), o filho do fundador, é um Hamlet moderno: existe a possibilidade de sua mãe Gemma Teller Morrow ( Katy Sagal) e Clay Morrow (Ron Perlman) seu padastro, terem tido alguma influência na morte de seu pai; ele oscila entre o amor e respeito que sente pela mãe e a desconfiança que nutre em relação ao padastro. Jax, vice-presidente do clube e provável sucessor de Clay é, como o príncipe da Dinamarca, constantemente assombrado pelo fantasma do pai através de um manuscrito deixado por esse; não faltam na série á ambição, traição, vingança, intrigas, corrupção, jogos de erros e desconfiança presentes nas tramas shakespereanas.

Esse “quase bom moço” que ostenta em sua jaqueta a inscrição “Men of Mayhem” provando que já cometeu pelo menos um assassinato em nome do clube, mantém desde a infância uma sincera amizade com Opie, um membro do grupo recém saído da prisão, e respeita a opinião dos mais velhos, como Bobby (um motoqueiro com cara de mau e imitador de Elvis Presley) . Com um delicioso andar gingado e pose de bad boy, Jax é pai amoroso, e um homem corajoso e inteligente que tenta fazer com que o clube volte às origens resgatando as idéias de seu falecido pai.

A série se parece um pouco com Familia Soprano e The Shield na abordagem da violência e da moralidade; os membros do clube são muito unidos e sabem machucar os inimigos – Clay, o atual Presidente, é bastante frio e não tem dúvidas na hora de agir para garantir a segurança do grupo e dos negócios. Mesmo sabendo que seus atos são condenáveis, fica dificil não torcer pelos rapazes de motocicleta.

Assemelha-se também com os antigos filmes de faroeste mostrando violentos duelos à bala para defender a honra, a família, os amigos e o território. As motos lado à lado na estrada lembram cenas de cavalgada dos “mocinhos” e dos “bandidos”. O lugar onde tudo se desenrola é Charming, uma cidadezinha fictícia na Califórnia, tranquila e bonita cujo sossego só é quebrado com a passagem das motos pelas ruas. Em troca da liberdade para fazer suas transações os rapazes do SAMCROW mantém a cidade livre das drogas e dos problemas (exceto daqueles causados por eles mesmos).

Como não poderia deixar de ser, os vilões são apresentados como homens realmente maus e despertam ódio no instante em que aparecem na tela da TV. São feios, suados, desonestos, gananciosos, violentos e mentirosos. Não que esses predicados faltem a alguns dos “mocinhos”, mas nos vilões eles assumem outra dimensão.

O chefe de polícia é amigo dos Sons e está muito doente; seu sucessor é um jovem cheio de ideais que cresceu na cidade junto com Jax, Opie e Tara. A agente federal que persegue os membros do clube é uma mulher má, inescrupulosa, mesquinha e  manipuladora, capaz de qualquer coisa para conseguir seus objetivos.

Gemma, a matriarca descendente de judeus russos e de irlandeses, se comporta como uma “mamma” amorosa disposta à tudo para defender sua família e influencia muitas das decisões tomadas nas reuniões do clube; é nela que Clay busca apoio nos momentos difíceis.Tara, é a mocinha interiorana que para fugir de um problema volta á cidade natal com diploma de médica e reassume com Jax o romance iniciado na adolescência; ao aproximar-se de Gemma, começa seu aprendizado para assumir o papel de futura matriarca e suas convicções vão mudando .

Essa mistura incrivel de Shakespeare, Sopranos, The Shield, faroeste, motos, blusões de couro, testosterona, drama e romance, conta com um ótimo elenco e está em sua segunda temporada nos EUA. Aqui o canal FX apresenta a primeira temporada e espero que já tenha adquirido a segunda porque são raras as séries onde trama e talento estão tão bem costurados.

Fui ao cinema ver Lua Nova, a continuação da saga Crepúsculo, que tem como personagem masculino principal não mais um vampiro super bem intencionado chamado Edward Cullen. Nesse episódio quem manda é Jacob Black (Taylor Lautner), o lobisomem que está naquele momento da puberdade onde se passa de pato à ganso, ou nesse caso, de pet à lobo. Jacob sabe consertar motos que estavam no lixão da cidade, mente para os amigos dizendo que está saindo com a menina, fica emburrado, sai batendo a porta e se revolta de vez em quando. Um adolescente quase normal.

Ele vive os conflitos de um garoto apaixonado que não está nem aí para a sonsice de sua amada Bella. É dedicado, protetor, meiguinho mesmo quando vira lobisomem e, para completar, o ator tem a voz de taquara rachada característica dessa fase da vida dos meninos. O pobre e deprimido Edward (Robert Pattinson) quase só aparece nas alucinações de Bella e mal notei sua presença.

Uma coisa me incomodou o filme inteiro: o “hair style” dos atores.Gente nunca vi tanto cabelo feio na vida, tanto laquê, tanto cabelo duro, tanto loiro descaradamente falso. As únicas que se salvam do desastre são Alice, com um corte meio desestruturado e desfiadinho e Vitória, com o cabelo ruivo longo, brilhante e cacheado. E Jacob, é claro, que começa com uma peruca indígena medonha, mas depois fica lindo de cabelo baixinho e arrepiado. Os Volturi, papai Cullen e Jasper usam perucas e penteados que são de chorar; mal consegui acompanhar algumas cenas porque meus olhos iam involuntariamente para aqueles ninhos de mafagafos.

O filme se arrasta com a atriz Kristen Stewart, tentando dar vida(?) à personagem Bella Swan e falhando miseravelmente. Para expressar profunda decepção e tristeza ela dá uns grunhidos e aperta a região do abdomem como se estivesse tomada por espasmos de cólicas menstruais. A menina está deprimidíssima depois do pé na bunda fora que levou de seu amado vampiro e não vi uma lágrima sequer, nem mesmo uns olhinhos marejados; até debaixo de chuva ela mantém os olhos secos. Efeitos especiais bem chinfrins  na hora da transformação dos lobisomens e da luta dos vampiros; no mais, muita maquiagem branca, purpurina, boquinhas vermelhas de gloss e lentes de contatos tão bizarras que não sei como a cidade inteira nunca desconfiou que aquela gente é vampira.

Ainda acho que o tema principal de Stephenie Meyer não tem nada a ver com vampiros nem com lobisomens, mas sim com a questão da castidade e virgindade na vida dos adolescentes. Basta ver os esforços dos personagens para se manterem puros até o casamento e os namoricos inocentes dos amigos do colégio. A atividade sexual nesta história é delimitada pelo beijo e pelo abraço. Só faltou o “aperto de mão”…

O próximo domingo é dia de reunir a mulherada no LuluzinhaCamp aqui em São Paulo, ou seja, dia de discutir um monte de assuntos  — femininos ou não. Aliás isso de dizer que tal assunto é “de mulher” já não faz nenhum sentido.

Muitas entendem de futebol, tecnologias, informática, carros, fotografia, etc e junto vão engatando conversas sobre filhos, maquiagem, estética corporal,arte, pets, tatuagem, sexo, cozinha…estamos muito mais ecléticas e bem informadas. E acima de tudo, temos muito mais liberdade e espaço para discutir tais assuntos.

Conversei outro dia com uma senhorinha de mais de 85 anos, e ela disse: “Minha mãe tinha muito talento para pintura. Pena que meus avós não a mandaram para uma escola especializada. Ela poderia ter sido uma grande artista”. Olhando os quadros que a mãe dela pintou aos 14 anos vi que não era uma afirmação vazia —  havia ali muito talento que foi direcionado para áreas consideradas mais “femininas” na época: o lar, os filhos, os bordados, o “saber receber” e o “saber tratar com a criadagem”.

Nasci quando as mulheres já  “trabalhavam fora” e, graças à pessoas como a senhora Chanel, há décadas tinham se livrado dos espartilhos; podiam até usar “trajes masculinos”, como calças compridas, camisetas e gravatas, tudo misturado com pérolas e correntes douradas. Um luxo!

O comprimento das saias e a altura das cinturas  subiu e desceu, o divórcio finalmente foi implantado no Brasil e as mulheres perderam o estigma de “separadas”. De quebra, homens casados tiveram que inventar outra desculpa para  não assumir os compromissos fora do casamento, apesar de continuarem usando até hoje o clássico “minha esposa é muito doente”! Houve o aumento da presença de mulheres em cargos de responsabilidade e liderança nas empresas e aparentemente os brasileiros deram um passo à frente criando leis específicas para a proteção das mulheres e crianças.

Tudo isso e muito mais costuma ser discutido entre nós. Quando nos reunimos também damos muita risada, às vezes fazemos comentários maldosos, aprendemos muitas coisas novas, falamos de nossos relacionamentos e de nossas esperanças e decepções.

No próximo domingo preciso dar um jeito de disfarçar as olheiras resultantes de noites mal dormidas por causa da reforma do apartamento; não quero ficar com cara de quati albino, com aquela sombra esbranquiçada de corretivo ao redor dos olhos. Ainda bem que tenho filha muito querida que adora vídeo de maquiagem e que me ensinou a resolver esse problema. Como eu disse, nós mulheres aprendemos muito umas com as outras. Sempre.

“Servir bem para servir sempre”  foi e ainda é slogan de muitas empresas de prestação de serviços, venda de bens de consumo, camelôs, etc. Quando entro em uma loja espero encontrar vendedores atenciosos, educados, bem humorados, bem informados sobre o que estão vendendo e dispostos a sugerir produtos que substituam aquele que você quer e não tem.

banheiro dos meus sonhosSimples, não é mesmo?  Mas, nem sempre é assim. Lembram-se que estive na grande loja de materiais de construção fazendo compras e pedi orçamento do que iria precisar  se decidisse reformar também o banheiro?

Naquele dia achei que a moça que me atendia estava um pouquinho mal humorada, um pouquinho desinformada e com um pouquinho de má vontade, talvez porque eu estivesse procurando produtos de qualidade por preços acessíveis e em quantidades pequenas. Então, quem sabe por se sentir assim, ela rabiscou o valor total do orçamento em um pedaço de papel de rascunho, colocou o nome dela e o número de celular.

Achei estranho porque sempre que peço um orçamento, recebo no mínimo uma lista com o nome ou código dos produtos e respectivos valores, mas quem sabe esse fosse o procedimento daquela loja.

Durante a semana querendo rever o piso, o lavatório e a torneira que haviaPiso Casagrande Recife escolhido para ter certeza de que seria aquilo mesmo, liguei para o número de celular rabiscado no pedaço de papel. A vendedora atendeu, expliquei que queria ver novamente os produtos no site da loja e pedi  os códigos, mas ela disse que estava de folga e não sabia os códigos “de cabeça”.

Sábado voltei lá decidida a comprar as coisas para reformar o banheiro, as tintas para pintar todo o apartamento, umas pastilhas para a cozinha e os acabamentos de elétrica. Procurei a mesma vendedora, afinal ela havia “perdido tempo” na semana anterior fazendo o orçamento do material para o banheiro e nada mais justo que comprar com ela para que recebesse a comissão. Encontrei-a desocupada no corredor da loja, a cumprimentei e pedi para que separasse as coisas que tinha orçado para mim.

A resposta veio inesperada e em tom grosseiro: “Ah!!! A senhora falou que ia comprar na internet por isso joguei o papel fora”!!!

Indignada nem respondi, dei-lhe as costas, procurei uma vendedora melhor e fiz minha compra. Não sei quem a mal educada está acostumada a atender, mas certamente não é uma Lady  Lagartixa.

Já contei que meu apartamento foi construído no século passado – anos 70 – época em que quarto de empregada não era armário. Como nunca pude me dar ao luxo de ter empregada que dormisse no emprego, quando visitei  o apartamento antes de comprar fiquei muito animada quando vi aquele quartão com banheiro e tudo. Era só quebrar o tal banheiro,virar a porta que abria para a área de serviço para o lado de dentro (porque a  empregada tinha quarto grande e entrada independente), colocar uma janela maior e tcharãããnnnnn!!!… eu teria mais um bom quarto.

Lembro que conversei com o pedreiro que estava reformando o banheiro amarelo horroroso e pedi para fazer esse serviço, desativando o banheiro de empregada, colocando tacos onde era azulejo e pronto. Lembro também que ele chegou em um ponto de quebra da parede e parou, fechou, cimentou, masseou, pintou, enfim, fez tudo o que um pedreiro faz e explicou que não podia quebrar mais por causa dos canos.

Bem, isso já faz 20 anos e minha memória de lagartixa apagou tudo. Quando decidi a nova reforma fui toda esperançosa conversar com o Flávio, o engenheiro e empreiteiro mais paciente do mundo, e pedi para ver se dava para derrubar a tal parede, quem sabe desviando um caninho aqui, outro ali e jogando tudo para o canto, e tal…

Lá foi ele dar pancadinhas na parede; o Luiz (aquele que cortou a mão) também deu uns tapas  e o Pedro pedreiro também bateu. Foram unânimes: “olha acho que não tem cano aqui não, se tiver estão mais lá para o canto, a parede é fina para ter canos aí dentro, mas é melhor olhar pra garantir…”.

Luiz e a parede

Pedro se armou de marreta e talhadeira e foi quebrando pedacinho por pedacinho, com muito cuidado, “porque vai que passa um cano, né Dona Lagartixa, aí arrebenta e a senhora vai brigar comigo!”. Para minha frustração e subseqüente ódio, lá estavam os canos. Parece Itaipu! Tem cano na parede inteira e minha ilusão de mais um quarto grande foi por terra.

Então o buraco de investigação foi fechado e passei o resto da tarde pensando no que fazer com aquele espaço perdido atrás da parede que não pode ser modificada. Olhei um monte de revistas de decoração em busca de idéias e encontrei uma sugestão que vai permitir aproveitamento daquele canto, com um toque pessoal para baratear o custo. Não vou contar o que é, mas quando estiver pronto  mostro uma foto. Tenho dias de trabalho pela frente…

IMG_0341

Enquanto isso, meu escritório e atelier de costura está assim, meio como direi… compactado no cantinho de espaço disponível na minha sala. Isso sim que é “romiófice”!

IMG_0331Chegou a sexta feira e o momento esperado com ansiedade: o assentamento do piso. Parece coisa simples, mas não é bem assim. Existe uma técnica para esse trabalho: primeiro é preciso definir por que lado começar por causa do alinhamento com os outros ambientes  já que vou colocar o piso na casa toda e ele vai ficar contínuo. Então as emendas têm que “bater” com as do próximo cômodo pra não virar “pastiche”; é preciso também prestar muita atenção no “desenho” (mesmo que seja muito sutil) que precisa ir todo no mesmo sentido.

Enquanto me explica tudo isso, o Luiz  coloca as duas primeiras peças lado a lado na porta de entrada, prende um fio e estica até o outro lado pra fazer a guia e aí vem a grande surpresa: a sala é totalmente fora de esquadro. Olho e não posso acreditar; tenho uma sala desenhada por Picasso no auge da fase cubista!

Luiz, que é um sujeito muito calmo, liga para o empreiteiro Flávio  e em questão de minutos lá estão os dois, calmamente de pé no meio da sala. Estica, puxa, mede, pensa, olha de um lado e de outro, colocam várias peças no chão, testam, olham de novo, trocam idéias. Saio de perto e vou cuidar da vida enquanto eles descobrem um jeito mágico para sumir com uma diferença de quase 15 cm entre uma ponta e outra da sala e fazer aquilo dar certo.

Tudo resolvido, lá vão Luiz e Pedro colocando quadrado por quadrado até preencher todo o chão. Quase esqueço de dizer que tanto o Luiz, como o Pedro, são super bem humorados. O dia todo escuto as risadas dos dois e é ótimo.

Faltando 3 peças paraterminar o serviço percebo uma mudança no tom da conversa e vou dar uma olhada. O Luiz está branco e com a mão mergulhada no balde de água. Pergunto o que aconteceu e ele mostra: cortou a mão na cerMakita para cortar mármore 4107Râmica e está sangrando bastante. Aprendi na minha vida moleca que corte a gente lava com sabão de pedra; acho que a soda mata as bactérias, sei lá.  Digo isso ao pedreiro agoniado, vou buscar um pedaço de gaze e esparadrapo e faço um curativo depois que ele lava e seca a mão. Nunca vi um homem daquele tamanho tão assustado mas entendi o  motivo.

Um dia antes, um colega de equipe quase perdeu o polegar na Makita, maquininha muito útil com a qual eles convivem diariamente, mas basta um pequeno descuido para o desastre. Foi por isso que aquele homem tranquilo suou frio e quase desmaiou no meio da minha sala: ele lembrou do amigo e do perigo.

Sábado eles chegam cedo; é dia de colocar o rodapé e fazer o rejunte e o Pedro foi substituído pelo Vando. Pergunto do ferimento e o Luiz mostra a mão com um band-aid. O “corte enorme e sangrento” já fechou e está cicatrizando. Deve ser o sabão de lavar roupa: antibactericida e cicatrizante!

Na hora do almoço está tudo pronto, varrido e bonito. A mágica foi feita!

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