Sem Noção


Querido Papai Noel

Não queria começar reclamando, mas esse ano foi complicado, principalmente nos últimos meses então trate de me atender. Fui uma boa moça e me comportei bem e por isso vou pedir os presentes e você vai trazer, tenho certeza.Segue a lista:

Miss1 – Quero presente de miss: paz mundial e aproveito para agradecer à minha família, sem a qual eu não estaria aqui, etc, etc (o senhor conhece o discurso, elas repetem igualzinho todo ano).

2 – Quero presente utópico: fim da corrupção e da impunidade neste país, ou seja, políticos honestos ou um monte de Joaquins Barbosas com suas caras de mau, convicção firme e destemor.

3 – Quero presente de malcriada: paz d’sprito,  que é o que respondo para todos que perguntam o que eu quero de Natal.

4 – Quero presente de véia: sossego. Tô de saco cheio  Estou cansada desse trânsito, calor, gente chata, corrente de oração na internet, povo que fala mal de política e dos políticos mas vai lá e vota de novo nos mesmos, violência, homofobia, machismo, e por aí vai. O senhor é velho sabe o que vai no coração das pessoas e pode descobrir o que nos desagrada.cinturinha

5- Quero presente de gordinha: uma cinturinha de vespa, barriga apenas levemente arredondada e lembre-se que odeio exercício físico, além de ter pés delicados que não toleram tênis e um ombro de merda complicado. Traga o kit saudável junto.

6 – Quero presente de condômino: fim das malditas reformas nos apartamentos vizinhos. Ninguém nunca está satisfeito, derruba tudo só prá fazer de novo e vou ficando cada vez mais louca com o barulho! Se esse povo quer morar em loft tá fazendo o que aqui?

7 – Quero presente de sorte: ganhar na Mega-Sena. Muitas vezes certo? Tenho que fazer um  monte de coisas e ajudar um monte de gente com o dinheiro, então não economize querido velhinho e não me deixe esquecer ninguém prá não ser amaldiçoada pelos ingratos que não respeitam a idade das pessoas e não entendem que elas esquecem e não é por maldade, e…

Bigbang8 – Quero presente de profecia maia: se o mundo acabar mesmo no dia 21 de dezembro, faça o favor de providenciar um melhor na próxima vez. Sem poluição, sem violência, sem terremoto, sem tsunami, sem novela das 8, sem doenças, sem desgraceira e não tô nem aí se esse negócio for um tédio. Os incomodados que se mudem; o universo é grande e tem espaço pra todo mundo. Pode trazer junto um kit de bom-humor?Miss Daisy

9 – Quero presente de madame: um carro com ar condicionado e motorista que dirija bem, não seja estressado e conheça todos os caminhos para fugir dos congestionamentos, das passeatas na Paulista e das enchentes e, se isso acontecer tudo ao mesmo tempo, que ele tenha um comportamento elegante e não fique resmungando, mas que tenha uma conversa inteligente que me impeça de resmungar e parecer deselegante.

10 – QuerSharono muitos presentes de mulherzinha: unhas que não quebrem; cabelos que cresçam fortes, saudáveis e não fiquem caindo feito besta ; uma pele eternamente sedosa e lisa que nunca jamais tenha jeito de maracujá esquecido na gaveta (e que dispense o uso de cremes caríssimos ou, caso eu precise usa-los de vez em quando, não me deixem com a cara da Cristiane Torloni na propaganda da Olay); peitos que não despenquem com a maldita gravidade; mãos que passem longe do aspecto das mãos da Madonna que eu adoro, mas que tá envelhecendo mal e sem noção; cérebro jovem, “ativo, operante e na escuta”, pra usar um jargão que acho ótimo; olhos que funcionem e não me obriguem a usar óculos, que são um acessório charmoso só quando você não precisa deles; dentes brancos, fortes e brilhantes e que não sejam provenientes de uma prótese bem feita;resumindo aparencia e Q.I.  da Sharon Stone, que o senhor bem sabe é de 154!

Então veja bem querido velhinho de roupas ridículas e fora de moda, além de inadequadas para nosso clima, meus pedidos continuam modestos e de acordo com as necessidades mais básicas de uma mulher comum. Não há desculpas para não me atender.

Beijos e amor da Lagartixa.

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E aí Papai Noel?! Tudo bem com o senhor?
Já sei que estou atrasada, que estamos caminhando para a segunda quinzena de janeiro e tal, mas fazer o que? Essa sou eu, uma Lagartixa cuja filosofia de vida de vez em quando é “Demora mas faz” e vou confessar que não tenho nenhum orgulho disso.

Tenho é vergonha de ficar empurrando as decisões com a barriga e por isso mesmo, meu querido, é que quero mudar meu comportamento. Então, como não pedi nada de presente de Natal, vou pedir de Ano Inteiro, pode ser? Ainda dá tempo não é, porque o Natal não acabou, as lojas continuam oferecendo liquidações fantásticas e eu ainda não desmanchei a árvore cheia de pinduricalhos e luzinhas em volta da qual reuni minha amada família para comemorar o seu dia. Vamos à listinha dos pedidos:

Força e coragem para cumprir a meta de levar os cachorros pra passear pelo menos uma vez por dia. Todo ano prometo que vou fazer isso, mas um dia está chovendo, no outro tenho trabalho para fazer, no outro estou esperando uma ligação, no outro… enfim, os bichinhos estão, assim como eu, criando lindos pneus ao redor do abdomem, lembrando que no meu caso é frente e verso, sabe como é?

Determinação para começar e terminar um trabalho de patchwork antes de começar outro porque, fala sério, tem uma hora em que 3 grandes colchas junto com 2 ou 3 caminhos de mesa, 2 panôs e 1 bolsa, esperam pacientemente no fundo do baú o momento em que terminadas, serão gloriosamente exibidas no Twitpic e tudo bem que não faço isso para ganhar dinheiro. Mesmo sendo um hobby, quando percebo que isso está acontecendo de novo, saio correndo para acabar tudo de uma vez e é um stress que vou te contar…acaba com todo o prazer do trabalho.

Cegueira momentânea diante de lojas com coisas lindas e inúteis ou desnecessárias naquele momento, inteligência para perceber que ninguém precisa de 50 pares de sapato, nem de 30 bolsas, nem de trocentas blusas, milhentos vestidos, 8 livros por semana…e por aí vai.

Tolerância com a falta de educação, de bom gosto, bom senso, boa vontade, honestidade, gentileza, dedicação e cidadania das pessoas com quem cruzo nos espaços públicos. E também preciso de compreensão para perceber que o segurança do supermercado está me seguindo porque gostou de mim e não porque me achou com cara de quem vai roubar um um frango e esconder na calcinha. Ou, quem sabe, ficar perambulando é o trabalho dele…

Me dê paciência para não sair no tapa com aquele atendente estúpido; com a vendedora grosseira e desinteressada; com as mães de shopping que levam seus rebentos para correr e gritar pelos corredores e áreas de alimentação; com o sujeito que conversa durante a projeção de um filme como se estivesse na sala de sua casa; com o senhor de meia idade que se acha “o” civilizado e fica na fila (depois de tentar furá-la) falando mal de brasileiro; com o jovem que finge dormir nos vagões dos trens e do metrô para não dar lugar às gestantes, idosos e deficientes; com os motoristas que agem como se estivesse sozinhos na rua. Sei que o senhor é esperto e notou que preciso é de paciência para lidar com grande parte da humanidade, por isso mande muita, mas muita mesmo.

Preciso também de um desconfiômetro que apite quando passo mais de uma hora naqueles joguinhos terríveis e viciantes do Facebook. Diga, bom velhinho, como eles conseguem me fazer acreditar que preciso ficar horas colhendo plantações virtuais, construindo casinhas virtuais, alimentando bichinhos que nem existem, ganhando estrelinhas e experiência, atendendo centenas de pedidos dos “amigos e vizinhos” e as vezes, gastando meu dinheiro real para comprar ferraduras, coroas, ou seja lá qual for o “dinheirinho” do jogo, só para poder terminar uma “missão”? Preciso entender o mecanismo desse hábito porque é muita falta de noção…

Também quero parar de falar palavrão e ser mais sociável, simpática, doce, afável e …. eca! Retiro este pedido.

Nem preciso dizer que fui superboazinha no ano passado. O senhor viu que tirando o mal humor e o desejo arrogante de mudar o mundo, fiz tudo direitinho. Então me atende, por favor, porque senão a coisa vai ficar cada vez mais feia e dia desses saio no jornal estapeando o povo todo. Aí vão me apontar na rua e falar “aquela velha louca!!!” e serei obrigada a esclarecer que a responsabilidade  é toda sua, que me negou coisas simples e necessárias.

Bom Ano Novo!

Está mais que provado que, no espaço que separa o público e o privado, algumas pessoas pensam que se situa uma latrina e que esse espaço é o seu ouvido. É um tal de gente que fala em público como se estivesse sozinha no subsolo de uma mina com 3.000 metros de profundidade que eu não aguento mais.

Exemplo? Precisei ir almoçar em um restaurante. Escolhi um bem tranquilo, com comida de boa qualidade e quase vazio. Ênfase no “quase”! Na cena, eu, várias mesas vazias e, do outro lado da sala uma mesa com 2 senhores e uma sujeita que falava alto e mais do que a boca.

Não bastasse a verborragia, a conversa, ou melhor, o monólogo, reverberava naquele vazio de uma maneira muito especial. Os assuntos, variações de um mesmo tema, enchiam o espaço com aquela voz arrogante, cheia de si, delirantemente propagandeando seus serviços de assessoria de imprensa ou coisa que o valha, alardeando que era a melhor assessoria para Petshop . Como os dois homens que a companhavam não tinham cara de Cesar Millan nem conseguiam interromper aquela torrente de chatices, precisei pedir para o garçom colocar a comida em embalagem para viagem e sair antes que minha força de vontade sucumbisse ao desejo de gritar CALA A BOCA PÔ!!, coisa que uma dama jamais deve fazer em público.

Nunca entendi porque a moça no ônibus, com celular grudado na orelha, conta detalhes da cirurgia de sua mãe, de seu relacionamento, da briga no trabalho, tudo em alto e bom som  de modo que todos os passageiros escutem.

Se estou em um espaço público, não me sinto obrigada a escutar que fulana é uma vaca que dá pra todo mundo e que fica dando em cima do namorado da sicrana que saiu com o professor da academia porque a namorada dele é uma bruxa que não se enxerga e não vê que é uma baranga e ele é um gato pena que seja gay porque você sabe que todo carinha assim bombado é viado e fica fazendo musculação só prá se exibir igual aquela idiota do 18º andar lá do prédio que só falta dar pros porteiros e quem sabe se não dá porque tem cara de garota de programa e depois fica fazendo cara de santa e…blá, blá,blá.

Para onde será que foram a discrição, o assunto particular, o bom senso, a educação? Devem ter morrido e estão enterrados junto com o Privado .

Programas de televisão, livros, reportagens, comentários nas mídias sociais, todos anunciando que hoje, 11/11/11, o mundo vai acabar. O horário deve ser 11:11:11 h para ficar mais bonito, esotérico e ameaçador.

Em alguns estados brasileiros com horário de verão, o final do mundo se antecipou um pouquinho mas não importa já que, aparentemente, ninguém mais leva à sério essas ameaças que de tempos em tempos aparecem na mídia, fazem um estardalhaço momentâneo e no dia seguinte estão esquecidas.

Lembro de “profetas” no meio da rua anunciando :”Arrependei-vos! O final dos tempos se aproxima!!!” enquanto aproveitavam para vender uma revistinha ou livro de algum tipo de crença. Não os vejo mais. Será que o mundo está mais cético ou os meios de comunicação é que mudaram?

Pessoalmente achava aquele cara de terno gritando na calçada muito mais ameaçador do que uns sujeitos que de vez em quando apareciam na televisão todos engomadinhos, ensaiados e óbvios, mas criança é assim mesmo, ingênua que só! Hoje, os homens na televisão me assustam muito mais.

Lembro também de malucos que em nome de alguma crença espúria faziam supostas “lavagens cerebral” em seus seguidores e depois cometiam assassinatos em massa, envenenando ou abatendo a tiros os membros de suas seitas. Cada vez que uma notícia dessas aparecia, tenho uma parente mais exaltada que dizia : “é o fim dos tempos!” e mesmo não sendo cética pensava com meus botões: “de novo?!”

Hoje parece que lavagem cerebral saiu de moda e agora, no alto da lista do Apocalipse, podemos encontrar as Profecias Maias com dezenas de programas na televisão sobre o assunto. O curioso é que nessas profecias o mundo vai acabar em dezembro de 2.012, mas há controvérsias e os estudiosos ainda não chegaram à um consenso, só não podem demorar muito porque 2.012 está logo aí e preciso me preparar... Vez ou outra alguém lembra de Nostradamus, mas esse está meio desacreditado.

Como disse, não sou cética mas acho que todas essas previsões apocalípticas são ótimas fontes para a produção de filmes, séries de TV e livros que arrecadam montes de dinheiro.  Também servem de inspiração para frases engraçadas ou mal humoradas de quem não curte brincadeiras com 140 caracteres.

Comecei à escrever este post antes da hora do fim do mundo e procurei terminar logo. Vai que…

Quem não conhece as fazendas,  cidades, restaurantes, bichinhos de estimação, aquários, ilhas do tesouro, poker, máfia ou vampiros oferecidos no Facebook? Iniciei essa história abrindo um restaurante e, apesar de não curtir muito cozinhar, achei que seria divertido preparar comidinhas de mentira e atender clientes em 2D. Onde será que eu estava com a cabeça? Em pouco tempo já odiava cada uma daquelas pessoinhas que entravam no restaurante – e quando não entravam odiava também; detestava cozinhar e esperar horas para que os pratos ficassem prontos, ou ter que juntar dinheiro para equipar meu modesto estabelecimento. Demorei para desistir do negócio porque cada cadeirinha tinha custado esforço, mas juntei coragem e fechei as portas.

Desistindo de ser o Alex Atala decidi que iria curtir a vida no campo e descansar em paisagens bucólicas. Criei uma fazenda e fiquei maravilhada com os animaizinhos, plantas, árvores frutíferas, galpões e casas. Tudo era lindo até que comecei a perceber que se quisesse a fazenda bonita e próspera tinha que estar lá diariamente! Precisava juntar vizinhos, convidar pessoas que nem conhecia, visitar as fazendas vizinhas,  mandar presentes, pedir presentes… um horror. Mesmo assim fui levando; aumentei o tamanho de minhas terras, criei animais diversos, cobri tudo de neve em pleno janeiro tropical, participei de missões, fiz novos amigos e vizinhos e me preparei para ser a Rainha do Country!  E então a ficha começou a cair.

Até onde aquela fazenda me levaria? Quanto tempo teria que dedicar para que minhas plantações vingassem? Com dor no coração desisti da fazenda e resolvi ser uma pioneira do velho oeste.

Não foi uma decisão sábia. Do mesmo jeito que nos empreendimentos anteriores, criar uma pequena cidade com escola, armazém, silos, agência de correio, saloon, hotel, fundição, posto de trocas, carroças, plantações, casa de séde, curral, galinheiros…tudo demanda tempo, pedidos infindáveis aos vizinhos e amigos, ou, em caso de loucura extrema, gasto de dinheiro real para comprar as ferraduras que são o dinheiro do jogo. Arranjei marido, tive dois filhos, arrumei um cachorro.  Depois de tanto empenho agora apareceu uma espécie de “extensão” da cidade: uma trilha que deve ser percorrida para se alcançar um forte. “Não vá para a trilha Caroline!” você com certeza aconselharia, mas para ter alguns itens na cidade é preciso fazer a tal trilha e lá fui.

Para conseguir muitas das construções, animais e plantas ainda preciso cumprir missões demoradas  e encher a paciência de meus vizinhos pedindo favores. Preciso também rezar para que a joça do jogo que é em flash não trave, para que a desenvolvedora corrija os erros frequentes e para que meus vizinhos não desistam de mim só porque sou pidona.  Um ponto à favor ou contra, conforme a interpretação, é que é tudo em inglês o que me permite saber que iron pans é frigideira, rivets é parafuso, springs é mola e badger é texugo.

Sinto-me forte por não ter sucumbido ao desejo de criar peixes em aquário, jogar poker, formar uma quadrilha de mafiosos, procurar tesouros, vestir bichinhos de estimação ou sair por aí mordendo pescoços. Por enquanto sou apenas uma Fazendeira alucinada desbravando o oeste.

Heeelllppp, help, pleeeaaasssseeee!!!

Hoje faço aniversário e antes que alguém se empolgue e venha com aquele negócio de “ah que legal!!!!!!”  informo que são muitos anos de vida… muitos mesmo, o que de vez em quando não é legal. Nunca curti muito essa história de aniversariar, nem quando criança, nem quando adolescente e nem depois de adulta.

Quando o clima era mais constante, todos os anos chovia nessa data querida e não era chuvinha amena, era daquelas chuvas de verão do tipo derruba-árvore e as crianças não podiam sair de casa para ir na minha festinha; o bolo simplezinho, os brigadeiros e o guaraná ficavam lá, tristes-tristes, me fazendo companhia e eu não sentia muitas felicidades.

Olho pras minhas ruguinhas e penso que não combinam com :

1-  Dean Winchester. É um sujeito lindo e fico semanalmente torcendo para que ele mate todos os vampiros e lobisomens que encontrar naquelas cidades americanas esquisitas, e de preferência que faça isso sem camisa.

2- O vampiro Eric Northman. Não quero que ninguém o mate, mesmo ele sendo mau e ordinário (e de preferência quero que ele fique sem camisa)

3- Nas mesmas cidades caipiras americanas de Eric reside o lobisomem Alcide. E quem em sã consciência vai querer sua morte ? (nem vou falar da camisa ou da falta dela)

4- Jax Teller. Esse pode se vestir como quiser, mas a moto é essencial. E a trilha roqueira da série também.

Perceberam que tenho um gosto adolescente para séries de TV e seus protagonistas? O mesmo se dá com relação aos filmes; gosto de coisas como a trilogia Senhor dos Anéis, Tubarão, qualquer coisa de Quentin Tarantino, Caçadores da Arca Perdida e suas sequências, Guerra nas Estrelas e suas sequências, Avatar, Harry Potter, e muitos outros como e sses cujos nomes esqueci numa descarada perda de memória o que também não combina com uma senhora com muitos anos de vida.

Amo toda parafernália tecnológica. Usei gravador de voz de fita; passei do VHS para o DVD e agora para  Blu-ray e 3-D e espero poder assistir, se ntada no sofá da minha sala, filmes com imagem holográfica . Conheci o disco 78 rotações, o long-play high-fidelity, o CD e hoje ouço tudo em digital.

Gravei muito arquivo em disquete de 5 1/4 com capacidade de armazenar 360KB ou 1,2 MB, dependendo se eram de simples ou dupla densidade, e fazer isso demorava pra caramba. S e o a rquivo fosse grande precisava usar vários disquetes que ia etiquetando (com etiqueta de papel) e numerando na sequência. Se um desses dinossaurinhos estragasse, não havia drive (que era uma fenda na frente da CPU) que os lesse; era desastre total. Agora é tudo em pen drive e tenho uns que parecem de brinquedo  mas armazenam um montão de Gigas.

No quesito estilo, detesto roupas tipo saco de batatas, disformes e supostamente indicadas para “gente velha”. Detesto aqueles sapatos largos e de saltinho baixo, com cara de ortopédico que deixam o pé como o da Minnie Mouse, lembram dela?

Detesto aquele corte de cabelo batidinho na nuca e que é um “must” entre as velhinhas mais simplezinhas aqui do bairro. Odeio solenemente o estilo “americana brega”, armado, “desfiado” e com toneladas de laquê, como o que Sylvia, mãe de Fran Fine usava no seriado The Nanny, alguém ainda se lembra?

Mas, mesmo com essas referências antigas pululando aqui no blog, devo dizer que tenho uma alma jovem e que neste corpinho com algumas décadas de uso  felizmente bate um coração adolescente e sonhador.





 

Meu sorrisinho já mostrava a praga que eu iria me tornar

Me criei entre meninos e  meus amigos eram os amigos do meu irmão mais novo; era com eles que eu brincava.

Num belo dia estávamos brincando de guerra em nosso imenso quintal. O Forte que protegia meus soldados era uma pilha de tijolos e a tribo de índios de meu irmão se esgueirava atrás das moitas de azaléias preparando o ataque. A batalha era presenciada à distância pelo cachorro, pelo gato e pelas galinhas.

Os soldados estavam em desvantagem. Porque eu era a única menina do bando e não podia escolher muito, do meu lado ficavam aqueles meninos novinhos que ninguém queria no time e do lado dos índios os meninos maiores e mais espertos.

Era certo que perderíamos o Forte e seríamos escalpelados tal qual se insinuava nos filmes das matinês. Na verdade a gente nem sabia direito o que significava “escalpelar”. Antigamente as cenas sangrentas eram deixadas por conta de nossa imaginação e na tela só se via aquele índio mal encarado erguendo a mão para exibir um treco que parecia um rabo de guaxinim. Isso significava que “escalpo” podia ser um corte de cabelos ruim.

Prevendo a derrota tive a brilhante idéia de usar os canhões do Forte e mandei meus soldados nanicos juntarem pedras e atirar nos selvagens protegidos pelas moitas. Nenhuma bala conseguia acertar o alvo até que eu, Comandante do Forte, peguei um  pedaço de tijolo e joguei para cima na direção dos inimigos.

O projétil fez uma curva e caiu direto no território índio. Quando já íamos comemorar, ouvi o berro! Meu irmão saía de sua trincheira com o rosto todo ensangüentado, os olhos verdes cheios de espanto e raiva por causa da tijolada na testa.

Abandonei o Forte e os soldados e corri para socorrer o pobre índio. Fomos às pressas para o tanque lavar o ferimento com sabão como minha mãe havia nos ensinado. Aproveitei o pano de pratos que estava no varal e fiz uma bandagem que o deixou com cara de árabe no deserto (tipo o das matinês é óbvio).

Acho que foi a partir daí que virei pacifista e jurei nunca mais usar uma arma, juramento cumprido até hoje e que se renova cada vez que olho a cicatriz que ainda enfeita a testa de meu irmão 50 anos depois.

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