outubro 2008


Hoje é dia de escrever sobre esse assunto que toda mulher comenta mas do qual poucas tem coragem de se aproximar de verdade.

Não tenho nenhum caso de câncer de mama na família, mas apesar de odiar (poucas mulheres não se sentem incomodadas),  obedeço rigorosamente a rotina de ir ao ginecologista uma vez por ano fazer os exames de contrôle. Pois bem, no comecinho deste ano fui lá conversar com o Dr. Pêra Pires. Me queixei apenas de queda de cabelo; ele fez os exames clínicos e pediu os de rotina: mamografia, densitometria  óssea, colposcopia, etc e disse que depois me receitaria hormonios para parar a queda.

Ao receber os resultados da mamografia uma surpresa: 4 pequenos pontinhos do tamanho da ponta de um alfinetinho daqueles bem pequenininhos, estavam ali indicados por uma seta desenhada no exame. Diagnóstico: microcalcificações.

Como toda sujeita plugada na internet fui lá googlar esse assunto e tomei um susto. Em algumas informações encontradas, esse tipo de calcificação com os pontinhos proxímos um dos outros era apontada como precursora ou indicativa  de câncer de mama. Corri de volta ao ginecologista e com o coração na mão, enquanto ele olhava a mamografia,  fiquei encarando o coitado na tentativa de captar algum arquear de sobrancelha ou um olhar mais aflito.

O Dr. Pera Pires não demonstrou nenhum tipo de alarme. Explicou que era comum após uma certa idade o aparecimento de microcalcificações, mas como ele pretendia me receitar hormônios, era mais indicado que eu consultasse antes um mastologista levando aquela mamografia, para um diagnóstico mais aprofundado.

Novamente lá fui eu. O mastologista fez um exame clínico detalhado das mamas e devo dizer que é bem esquisito um completo desconhecido olhando seus peitos por todos os ângulos com expressão de extremo interesse. Ao final explicou que não havia nenhuma alteração e que aqueles pontinhos, devido a localização, tamanho e formato, por enquanto não significavam nada. Recomendou que a cada seis meses eu refaça os exames e leve pra ele olhar para que possamos controlar caso os tais pontinhos mudem de aspecto ou de número.

Essa é uma história com final feliz. Já se passaram seis meses, já refiz a mamografia e os pontinhos estão lá paradinhos e do mesmo jeito. Mas, apesar de não haver casos na família, apesar desses pontinhos não serem detectados na apalpação, não provocarem dor nem nada, e não serem perigosos, não posso bobear. Se um dia eles resolvem se mexer eu os pego no pulo e não permito que se espalhem pelos meus peitos e atrapalhem minha vida!

Vamos lá mulherada! Se apalpem e mesmo não encontrando nada de diferente bóra pro ginecologista uma vez por ano, ou menos se for necessário!

Deus do Céu!!! Surtei legal agora…

Essa crise que está abalando os mercados mundiais chegou aqui em casa e não é mimimi… Eu, uma simples brasileira que não tem nada a ver com especulações no mercado financeiro estou sendo abatida por um míssel megamastergigante gerado lá nos esteites.

Antes que fique parecendo paranóia, vou explicar. Quando o tempo e a inspiração permitem faço umas coisinhas em patchwork, tipo bolsas, colchas, toalhas de mesa, descanso de pratos, jogos americanos (ops!), etc. Para isso uso tecidos de puro algodão que dão um caimento perfeito e têm estampas lindas.

Os tecidos que encontro aqui em São Paulo quase nunca atendem aos meus loucos desejos criativos e vez por outra compro através de catálogo uns poucos metros lá nos EUA. Eles mandam por correio e, acreditem ou não, a variedade de cores e de estampas são incríveis; os tecidos são muito mais macios que os nossos e a trama é bem mais delicada; além disso eles tem muito cuidado com as embalagens e tudo chega direitinho.

Nunca compro valores muito altos porque sou pobrinha,  mas dessa última vez resolvi investir (ops!) um pouco  e fazer umas coisinhas legais pra vender no Natal e aumentar meus parcos rendimentos. Daí num momento de audácia importadora, aproveitei que o dólar estava baixinho e gastei um pouco mais. Pagaria no cartão de crédito em uma única parcela e tudo estaria bem, sem juros ou correção.

Durante exatos quatro dias fiquei feliz da vida imaginando as coisas lindas e originais que iria fazer e que poderia vender por precinhos acessíveis ganhando um rendimento extra, tão necessário nesse momento. No quinto dia tudo começou a desabar; devido à essa crise iniciada nos EUA o maldito dólar passou a se comportar como um rojão desembestado e lá se foram minhas parcas economias e minhas idéias brilhantes de como ganhar um dinheirinho. Eu, modesta dona de casa brasileira, passei a sofrer as consequências do tombo dos bancos americanos.

Será que esses caras que geraram a crise sofrerão de verdade com isso tudo? A resposta é NÃO! É óbvio que todos eles estão em situação financeira muito melhor do que a minha; é óbvio que irão curtir esse fracasso momentâneo em alguma praia bem legal ou à bordo de um iatezinho elegante. Se forem um pouco mais discretos, permanecerão em seus magnifícos apartamentos bebendo um drinquezinho puro, com gelo ou com azeitona. O que interessa à eles se estou surtando e tentando encontrar uma maneira de cobrir esse rombo nas minhas finanças?

Estarão preocupados comigo e com outras milhões de pessoas afetadas em maior ou menor grau pela lambança que aprontaram? A resposta mais uma vez é NÃO!  O que interessa à eles se no mundo inteiro pessoas perderão seus empregos e irão se encontrar em situações muito difíceis de serem resolvidas? Se a inflação irá aumentar em grande parte do planeta? O que interessa à esses pequenos deuses, esses Sherman MacCoy da vida, se os outros se esborracham?

Num outro surto psicótico, e agora vingativo, desejo com todas as minhas forças que todos eles percam num passe de mágica, cada centavo acumulado em suas contas bancárias e que vão todos pra puta que os pariu para o inferno. Segundo as Lições Revolucionárias que vi num anúncio do livro The Secret de Bob Proctor meus desejos se tornarão realidade. Pena que não tenho dinheiro pra poder comprar esse livro e aprender mais esse milagre americano! Aliás, o Dr. Proctor pode se juntar aos banqueiros americanos lá no inferno ou naquele outro lugar. Não preciso das lições dele; sou brasileira e tenho fé em Deus que também o é e certamente atenderá o meu desejo!

 

Ando super ocupada com a tal reforma dos móveis (maldita hora que eu resolvi começ…), trabalho, casa, etc, e fiquei sem tempo pra escrever.

Mas hoje, véspera de eleição, me deu vontade de parar tudo e passar à limpo algumas idéias. Meio que um desabafo ou um desengasgo sabe?

Que eleições são essas aqui em São Paulo?  Quem são esses candidatos afinal? Em quem votarei? Votarei??

Numa análise meio rápida e superficial temos:

1) Marta Suplicy  que muita gente adora chamar de puta, sei lá porque. Avalio que seja por conta do machismo brasileiro que faz com que mulher em destaque “só pode ser puta mesmo” já que nunca soube que a moça tivesse exercido a profissão em algum momento. Sei que ela foi esposa do Suplicy, é mãe do Supla roqueiro e do outro músico que não lembro o nome e teve um programa de televisão, nos idos dos anos 80 creio, onde atuava como sexóloga, moderníssima profissão para a época; daí divorciou do Suplicy e casou com  aquele argentino estranho, e nesse meio tempo foi prefeita aqui da cidade.

O que a Marta fez enquanto prefeita? O Bilhete Único que é bem legal; acho que fez também umas coisas voltadas para a infância lá na periferia, and….?????? Concluo que beneficiou trabalhador e criança. OK

2) Gilberto Kassab desse não sei nada da vida particular mas lembro da Lei Cidade Limpa e do xilique contra um protestante (não a religião gente) lá num posto de saúde. Lembro também que ele emagreceu muito e que ninguém votou nele mas o sujeito se elegeu na cola do outro que renunciou. Então ele deixou a cidade mais bonita. OK.

3) Geraldo Alckmin, ou Picolé de Xuxú (José Simão) de cuja vida sei que é casado com Dona Lú que ganhou e depois desdenhou uns vestidinhos de um costureiro, é pai de uma moçoila que trabalhou (ou trabalha) na Daslu, empresa acusada de contrabandear/subfaturar roupas de grifes internacionais. Aqui uma dúvida: quando estourou o escândalo da Daslu a filha do Alckmim pediu demissão ou continuou lá vendendo coisas supostamente contrabandeadas? Não consigo lembrar de nada que ele tenha feito quando foi governador do estado.

4) Soninha. Essa foi (ou é) vereadora de S.Paulo, anda de bicicleta e acho que é simpatizante da liberalização das drogas e assumiu que fumou maconha, se não me engano, ou esse era o Gabeira?. O que mais?? Niente!

Sempre penso que a vida particular de um candidato não pode nem deve ser separada de sua vida pública porque se for honesto e correto de bermuda e chinelão, existe grande chance de o ser também de terno ou tailleur. Questão de formação e caráter. Para muita gente “todos roubam, uns mais, outros menos” e quem não rouba “deixa roubar”. Triste imagem de nossa classe política.

Continuo na dúvida: Em quem votarei? Votarei?? Será que essa gente toda não fez nada de relevante ou eu que sou mal informada e preciso ler mais?

Melhor voltar para meu móvel e correr aproveitar o sol que está aparecendo para dar mais uma camada de tinta.