Minha  impressão é de que a maioria dos SACs  são como os unicórnios:  tenho idéia de como devem ser, mas o bicho não existe… Pensei nisso ao ler a reportagem publicada em jornal de São Paulo à respeito do debate que aconteceu na Social Media Week São Paulo, onde se discutiu a influência das mídias sociais no bom nome das empresas.

Um dos participantes da mesa disse que as empresas não devem resolver o problema “só porque o cara reclamou no Twitter”. Se sua máquina de lavar quebrou 6 vezes no período de um ano,  se o canal à cabo que você paga regiamente exibir o mesmo filme trocentas vezes, se o plano de saúde que custa 10 barras de ouro mensais te encaminha para o SUS, se os móveis que você comprou em janeiro não foram entregues até outubro e seu casamento foi em julho, se o apartamento que você comprou na planta foi entregue sem janelas, se o conserto do notebook vai demorar 4 meses porque a assistência técnica autorizada não tem a peça, se o banco está cobrando tarifas não combinadas, se o vestido que você comprou, pagando os olhos da cara porque achou lindo, encolheu e manchou na primeira lavada –  em qualquer desses casos você reclama com o SAC certo?

Que as empresas devem se preocupar “com seus  produtos e sua honestidade” como disse um dos debatedores, é óbvio, mas e quando não o fazem? E quando a empresa é ruim, o SAC é ineficiente, os atendentes ficam te empurrando um lado para outro ou, o que é pior, nem atendem o telefone ou te deixam 10 minutos esperando na linha e na loja  o vendedor te trata mal, fazer o que? Se o PROCON é ineficiente e as leis para o serviço de call center são ignoradas, devemos reclamar com o Bispo como se dizia em tempos de Brasil colônia, botar a boca no trombone, pendurar uma faixa em local de grande circulação?

Hoje nosso bispo e nosso trombone são o Twitter, o Youtube e o Facebook e se engana quem pensa que esses meios de comunicação são ineficientes. Uma tuitada com reclamação sobre alguma empresa será lida por meia dúzia de três ou quatro que me seguem e, se entre eles alguém teve problema semelhante, com certeza vai retuitar e também falar mal da empresa. Consumidor não fica de mimimi sem razão; ninguém vai falar mal de um produto sem ter antes esgotado todos os canais de comunicação possíveis.

O chamado “boca a boca” hoje são os videos e  as incontroláveis timelines onde a  reclamação se dissemina em tempo real. Empresa que ignora esse fato está correndo o risco de ter sua reputação manchada e de ver seu produto sendo tachado de ruim para milhares de pessoas.

Quem quiser correr o risco que fique à vontade. Sempre poderá contar com a ajuda de quem acredita que “daqui há pouco o Twitter vai se esgotar” como falou um dos participantes do Social Media Week São Paulo.  Quem viver verá.

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Não sei se são os hormônios, o efeito estufa ou alguma conjunção astral desfavorável, mas o fato é que não estou com paciência para a falta de educação que se esparrama, feito batatinha quando nasce, pelo chão virtual e real.

Fiquei abestalhada ao ler um post onde a vizinha de apartamento, que reclama de barulho, foi chamada de “velha escrota e mal amada”, que devia “comprar um vibrador e ser feliz”; a blogueira  também questiona  o que a tal senhora  “está fazendo acordada a esta hora”.  Tentar fazer menos barulho, nem pensar. O que vale é insultar e usar para isso todo o arsenal de preconceito disponível.

Na  padaria, comprei várias coisas e fui pagar com o cartão de débito que, suprema modernidade, tem chip. Não passou o débito e a caixa pergunta: “esse cartão é da senhora mesmo?”. Parecia estar pensado que roubei o cartão e fui lá comprar pão, leite e refrigerante.

Fui ao supermercado e na hora que estou passando as compras, um rapaz se aproxima e joga no balcão do caixa, no meio das minhas coisas, um pacote de mortadela e um pãozinho. Fico zangada e pergunto o que é aquilo e porque ele não espera a vez para passar sua compra. O grosseirão, que ao que parece é funcionário do mercado,  me olha ameaçador e diz: “fica na sua!”. Que me sirva de lição para ficar bem longe desse estabelecimento que de barato não tem nada, e apesar de ter futuro no nome, é um dos mais retrógados que conheço.

Na região da rua 25 de Março existem muitas lojas que vendem bijouterias mais em conta. Semana passada vi uns colares legais e, com cuidado para não danificar a etiqueta, coloquei um no pescoço para ver como ficava. Do fundo da loja a funcionária do caixa gritou: não pode experimentar! Não bastasse os 3 seguranças com cara de poucos amigos que vigiavam as clientes com olhos de águia… Não há preço baixo que justifique.

Voltando à blogosfera, as vezes o twitter parece a latrina de um bar de quinta categoria. Jogam-se ali palavrões, comentários escatológicos e frases preconceituosas como se o mundo fosse acabar e fosse necessário gastar todo o arsenal de grosserias que cada um tem.

Longe de mim querer ditar regras. Posso parar de frequentar os estabelecimentos onde não sou bem atendida, ignorar o blogueiro/blogueira mal educados e bloquear pessoas no Twitter, mas isso resolve o problema? Em outros tempos se diria que não há sabão que chegue para lavar tantas bocas…