Querido Papai Noel

Não queria começar reclamando, mas esse ano foi complicado, principalmente nos últimos meses então trate de me atender. Fui uma boa moça e me comportei bem e por isso vou pedir os presentes e você vai trazer, tenho certeza.Segue a lista:

Miss1 – Quero presente de miss: paz mundial e aproveito para agradecer à minha família, sem a qual eu não estaria aqui, etc, etc (o senhor conhece o discurso, elas repetem igualzinho todo ano).

2 – Quero presente utópico: fim da corrupção e da impunidade neste país, ou seja, políticos honestos ou um monte de Joaquins Barbosas com suas caras de mau, convicção firme e destemor.

3 – Quero presente de malcriada: paz d’sprito,  que é o que respondo para todos que perguntam o que eu quero de Natal.

4 – Quero presente de véia: sossego. Tô de saco cheio  Estou cansada desse trânsito, calor, gente chata, corrente de oração na internet, povo que fala mal de política e dos políticos mas vai lá e vota de novo nos mesmos, violência, homofobia, machismo, e por aí vai. O senhor é velho sabe o que vai no coração das pessoas e pode descobrir o que nos desagrada.cinturinha

5- Quero presente de gordinha: uma cinturinha de vespa, barriga apenas levemente arredondada e lembre-se que odeio exercício físico, além de ter pés delicados que não toleram tênis e um ombro de merda complicado. Traga o kit saudável junto.

6 – Quero presente de condômino: fim das malditas reformas nos apartamentos vizinhos. Ninguém nunca está satisfeito, derruba tudo só prá fazer de novo e vou ficando cada vez mais louca com o barulho! Se esse povo quer morar em loft tá fazendo o que aqui?

7 – Quero presente de sorte: ganhar na Mega-Sena. Muitas vezes certo? Tenho que fazer um  monte de coisas e ajudar um monte de gente com o dinheiro, então não economize querido velhinho e não me deixe esquecer ninguém prá não ser amaldiçoada pelos ingratos que não respeitam a idade das pessoas e não entendem que elas esquecem e não é por maldade, e…

Bigbang8 – Quero presente de profecia maia: se o mundo acabar mesmo no dia 21 de dezembro, faça o favor de providenciar um melhor na próxima vez. Sem poluição, sem violência, sem terremoto, sem tsunami, sem novela das 8, sem doenças, sem desgraceira e não tô nem aí se esse negócio for um tédio. Os incomodados que se mudem; o universo é grande e tem espaço pra todo mundo. Pode trazer junto um kit de bom-humor?Miss Daisy

9 – Quero presente de madame: um carro com ar condicionado e motorista que dirija bem, não seja estressado e conheça todos os caminhos para fugir dos congestionamentos, das passeatas na Paulista e das enchentes e, se isso acontecer tudo ao mesmo tempo, que ele tenha um comportamento elegante e não fique resmungando, mas que tenha uma conversa inteligente que me impeça de resmungar e parecer deselegante.

10 – QuerSharono muitos presentes de mulherzinha: unhas que não quebrem; cabelos que cresçam fortes, saudáveis e não fiquem caindo feito besta ; uma pele eternamente sedosa e lisa que nunca jamais tenha jeito de maracujá esquecido na gaveta (e que dispense o uso de cremes caríssimos ou, caso eu precise usa-los de vez em quando, não me deixem com a cara da Cristiane Torloni na propaganda da Olay); peitos que não despenquem com a maldita gravidade; mãos que passem longe do aspecto das mãos da Madonna que eu adoro, mas que tá envelhecendo mal e sem noção; cérebro jovem, “ativo, operante e na escuta”, pra usar um jargão que acho ótimo; olhos que funcionem e não me obriguem a usar óculos, que são um acessório charmoso só quando você não precisa deles; dentes brancos, fortes e brilhantes e que não sejam provenientes de uma prótese bem feita;resumindo aparencia e Q.I.  da Sharon Stone, que o senhor bem sabe é de 154!

Então veja bem querido velhinho de roupas ridículas e fora de moda, além de inadequadas para nosso clima, meus pedidos continuam modestos e de acordo com as necessidades mais básicas de uma mulher comum. Não há desculpas para não me atender.

Beijos e amor da Lagartixa.

Querido (ou não, tudo vai depender da sua resposta) Papai Noel

O senhor deve trocar figurinha com seu Superior porque sabe tudo o que a gente faz durante o ano. Por isso não preciso contar que fui uma pessoa legal, pratiquei boas ações, defendi as criancinhas, os velhinhos, os bichinhos  e as plantinhas.

O senhor está informado (Ele deve ter contado) que num momento de loucura decidi fazer uma reforma básica do piso aqui no apê na tentativa de não matar meus cachorros mijões de não estressar quando meus animais de estimação fazem suas necessidades aquáticas pela casa toda .

Mas o senhor sabe, uma coisa puxa outra e precisei fazer também uma reforma na parte elétrica da cabana. Fiquei super falida feliz porque pensei que iria resolver o problema dos milhares de fios pretos esparramados debaixo da mesinha de trabalho.

Doce ilusão, querido velhinho! O que consegui foi um novo problema : o governo aprovou a fabricação de uma tomada num formato esquisito, que não aceita quase nenhum dos plugues existentes. Resultado: a medida favorece só os fabricantes de tomadas e “adaptadores”. Pra esses o senhor nem precisa dar presente; já receberam antecipado.

Continuo com o problema antigo e acima está a foto que é auto-explicativa.

Então Papai Noel, o que quero de presente neste Natal é simples: um computador igual  á esse ai do lado. Já falei sobre ele. É fabricado pela Dell, chama Studio One 19 e custa uma bagatela (para o senhor que não está reformando o Pólo Norte, é claro).  Está vendo que ele não tem fio? Está vendo que tem na cor vermelha? Está entendendo que com tudo o que gastei na maldita reforma fiquei sem dinheiro para comprar? Dá para entender que não aceito desculpas?

O senhor tem meu enderêço e pode mandar entregar antes do Natal se quiser. Se fizer isso continuarei a ser uma boa senhora e pode ser que até doe o meu PC aranha para uma instituição de caridade.

Se não fizer deixo de acreditar na sua existência e, quando meus futuros netos perguntarem à seu respeito,  vou me fazer de louca e responder “Sei lá! Se existe não entende nada de computador”

Cada vez que reclamo sobre alguma coisa da reforma escuto de volta: “ah é assim mesmo!

Flávio, o empreiteiro, disse que na primeira semana vai tudo bem, na segunda algumas coisas começam a incomodar, na terceira o stress é grande e na quarta, finalmente a paciência do cliente acaba. Deve ser por isso que sempre pedem um mês para executar as obras; na hora da explosão fatal tudo já deve estar quase terminado. No momento estamos na quinta semana, o que pode dar uma idéia do clima reinante.

Batendo de frente com um prestador de serviços cujo método de trabalho não me agradou, e que insistiu em ter razão ignorando qualquer argumento contrário e encontrando desculpas para fazer as coisas à sua maneira, explodi na segunda semana…

Depois de mais duas semanas de paciência só restou trocar de profissional enfrentando o risco de ter uma pessoa nova para assumir na reta final e terminar o serviço. Por isso é bom ter um empreiteiro: eles sempre trabalham com várias equipes e podem fazer a substituição quando necessária.

O que fazer se uma empresa não entrega a peça encomendada sob medida? Como agir se a cada vez que ligamos ouvimos a garantia de que “até o final do dia” ou “no máximo ate amanhã” o problema estará resolvido, mas os dias vão passando e nada da encomenda ficar pronta? Cancelar? Gritar? Xingar a mãe do gerente, do vendedor, do transportador? Sentar no meio do caos e chorar?

Por conta de um maldito e fedorento esmalte sintético da Coral estou dormindo novamente no sofá “pé pra fora”. Essa tinta foi aplicada na porta do quarto para “resolver um problema” e, mesmo depois de 4 dias, o cheiro continua insuportável, me obrigando a ficar o mais longe possível! É por isso que só uso tintas à base de água: elas não têm cheiro, não me dão dor de cabeça nem náusea e não provocam alergia. Me arrependo de ter acreditado nos argumentos do pintor (que era da equipe daquele que dispensei)…

O que mantém minha sanidade são os vislumbres aqui e ali de como tudo vai ficar lindo quando estiver pronto.

Assim nem vejo as várias tomadas elétricas pulando pelos buracos da parede, nem a solitária lâmpada pendurada no teto de minha sala por um único fio, nem as 9 portas que estão à espera de pintura (à base de água, of course), nem a torneira da pia da cozinha que foi retirada e não recolocada (no lugar está uma torneirinha provisória que não pode ser usada).

Também tento não me preocupar com a bancada de vidro do banheiro que não há meio da “SOS Vidros” entregar, nem com os armários da cozinha que estão reformados pela metade e espalhados pela casa, nem com o escritório que ainda não foi pintado.

Procuro não pensar no armário do banheiro que não foi orçado até agora porque depende da bancada de vidro que não foi entregue, nem na falta de finalização da colocação dos azulejos, da pia e da torneira do banheiro que dependem da famigerada bancada de vidro, nem no transtorno que será hospedar por dois dias os cachorros em hotel e eu com 3 gatos na casa da minha irmã (que tem uma gata velha e cega),  para que possam aplicar Epóxi, que tem um cheiro insuportável, nos azulejos da cozinha, nem………BBBUUUMMMMMMMMMMMMM!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!

Começo a acreditar que a sexta-feira atrai mesmo um pouco de azar.

Aparentemente esse é o dia da semana que trabalhadores em geral dedicam para enfrentar “sérios, inesperados e inadiáveis problemas particulares” que os impedem de trabalhar.

Deve haver causa esotérica poderosa, muito além da minha tosca compreensão, justificando esse fato.

Para evitar que a esperança de terminar certas obras  no prazo combinado continue sendo destroçada com um simples telefonema (e as vezes nem isso), estou quase sugerindo que, seguindo o exemplo de nossos sábios representantes em Brasília, a semana acabe na quinta feira.  Assim ficariam 4 dias mais ou menos úteis para os prestadores de serviços cumprirem suas promessas.

Evitaria muito stress, mas por outro lado, limitaria o uso da imaginação e criatividade de alguns. Estarei condenando grandes talentos ao ostracismo?

“Servir bem para servir sempre”  foi e ainda é slogan de muitas empresas de prestação de serviços, venda de bens de consumo, camelôs, etc. Quando entro em uma loja espero encontrar vendedores atenciosos, educados, bem humorados, bem informados sobre o que estão vendendo e dispostos a sugerir produtos que substituam aquele que você quer e não tem.

banheiro dos meus sonhosSimples, não é mesmo?  Mas, nem sempre é assim. Lembram-se que estive na grande loja de materiais de construção fazendo compras e pedi orçamento do que iria precisar  se decidisse reformar também o banheiro?

Naquele dia achei que a moça que me atendia estava um pouquinho mal humorada, um pouquinho desinformada e com um pouquinho de má vontade, talvez porque eu estivesse procurando produtos de qualidade por preços acessíveis e em quantidades pequenas. Então, quem sabe por se sentir assim, ela rabiscou o valor total do orçamento em um pedaço de papel de rascunho, colocou o nome dela e o número de celular.

Achei estranho porque sempre que peço um orçamento, recebo no mínimo uma lista com o nome ou código dos produtos e respectivos valores, mas quem sabe esse fosse o procedimento daquela loja.

Durante a semana querendo rever o piso, o lavatório e a torneira que haviaPiso Casagrande Recife escolhido para ter certeza de que seria aquilo mesmo, liguei para o número de celular rabiscado no pedaço de papel. A vendedora atendeu, expliquei que queria ver novamente os produtos no site da loja e pedi  os códigos, mas ela disse que estava de folga e não sabia os códigos “de cabeça”.

Sábado voltei lá decidida a comprar as coisas para reformar o banheiro, as tintas para pintar todo o apartamento, umas pastilhas para a cozinha e os acabamentos de elétrica. Procurei a mesma vendedora, afinal ela havia “perdido tempo” na semana anterior fazendo o orçamento do material para o banheiro e nada mais justo que comprar com ela para que recebesse a comissão. Encontrei-a desocupada no corredor da loja, a cumprimentei e pedi para que separasse as coisas que tinha orçado para mim.

A resposta veio inesperada e em tom grosseiro: “Ah!!! A senhora falou que ia comprar na internet por isso joguei o papel fora”!!!

Indignada nem respondi, dei-lhe as costas, procurei uma vendedora melhor e fiz minha compra. Não sei quem a mal educada está acostumada a atender, mas certamente não é uma Lady  Lagartixa.

Já contei que meu apartamento foi construído no século passado – anos 70 – época em que quarto de empregada não era armário. Como nunca pude me dar ao luxo de ter empregada que dormisse no emprego, quando visitei  o apartamento antes de comprar fiquei muito animada quando vi aquele quartão com banheiro e tudo. Era só quebrar o tal banheiro,virar a porta que abria para a área de serviço para o lado de dentro (porque a  empregada tinha quarto grande e entrada independente), colocar uma janela maior e tcharãããnnnnn!!!… eu teria mais um bom quarto.

Lembro que conversei com o pedreiro que estava reformando o banheiro amarelo horroroso e pedi para fazer esse serviço, desativando o banheiro de empregada, colocando tacos onde era azulejo e pronto. Lembro também que ele chegou em um ponto de quebra da parede e parou, fechou, cimentou, masseou, pintou, enfim, fez tudo o que um pedreiro faz e explicou que não podia quebrar mais por causa dos canos.

Bem, isso já faz 20 anos e minha memória de lagartixa apagou tudo. Quando decidi a nova reforma fui toda esperançosa conversar com o Flávio, o engenheiro e empreiteiro mais paciente do mundo, e pedi para ver se dava para derrubar a tal parede, quem sabe desviando um caninho aqui, outro ali e jogando tudo para o canto, e tal…

Lá foi ele dar pancadinhas na parede; o Luiz (aquele que cortou a mão) também deu uns tapas  e o Pedro pedreiro também bateu. Foram unânimes: “olha acho que não tem cano aqui não, se tiver estão mais lá para o canto, a parede é fina para ter canos aí dentro, mas é melhor olhar pra garantir…”.

Luiz e a parede

Pedro se armou de marreta e talhadeira e foi quebrando pedacinho por pedacinho, com muito cuidado, “porque vai que passa um cano, né Dona Lagartixa, aí arrebenta e a senhora vai brigar comigo!”. Para minha frustração e subseqüente ódio, lá estavam os canos. Parece Itaipu! Tem cano na parede inteira e minha ilusão de mais um quarto grande foi por terra.

Então o buraco de investigação foi fechado e passei o resto da tarde pensando no que fazer com aquele espaço perdido atrás da parede que não pode ser modificada. Olhei um monte de revistas de decoração em busca de idéias e encontrei uma sugestão que vai permitir aproveitamento daquele canto, com um toque pessoal para baratear o custo. Não vou contar o que é, mas quando estiver pronto  mostro uma foto. Tenho dias de trabalho pela frente…

IMG_0341

Enquanto isso, meu escritório e atelier de costura está assim, meio como direi… compactado no cantinho de espaço disponível na minha sala. Isso sim que é “romiófice”!

IMG_0331Chegou a sexta feira e o momento esperado com ansiedade: o assentamento do piso. Parece coisa simples, mas não é bem assim. Existe uma técnica para esse trabalho: primeiro é preciso definir por que lado começar por causa do alinhamento com os outros ambientes  já que vou colocar o piso na casa toda e ele vai ficar contínuo. Então as emendas têm que “bater” com as do próximo cômodo pra não virar “pastiche”; é preciso também prestar muita atenção no “desenho” (mesmo que seja muito sutil) que precisa ir todo no mesmo sentido.

Enquanto me explica tudo isso, o Luiz  coloca as duas primeiras peças lado a lado na porta de entrada, prende um fio e estica até o outro lado pra fazer a guia e aí vem a grande surpresa: a sala é totalmente fora de esquadro. Olho e não posso acreditar; tenho uma sala desenhada por Picasso no auge da fase cubista!

Luiz, que é um sujeito muito calmo, liga para o empreiteiro Flávio  e em questão de minutos lá estão os dois, calmamente de pé no meio da sala. Estica, puxa, mede, pensa, olha de um lado e de outro, colocam várias peças no chão, testam, olham de novo, trocam idéias. Saio de perto e vou cuidar da vida enquanto eles descobrem um jeito mágico para sumir com uma diferença de quase 15 cm entre uma ponta e outra da sala e fazer aquilo dar certo.

Tudo resolvido, lá vão Luiz e Pedro colocando quadrado por quadrado até preencher todo o chão. Quase esqueço de dizer que tanto o Luiz, como o Pedro, são super bem humorados. O dia todo escuto as risadas dos dois e é ótimo.

Faltando 3 peças paraterminar o serviço percebo uma mudança no tom da conversa e vou dar uma olhada. O Luiz está branco e com a mão mergulhada no balde de água. Pergunto o que aconteceu e ele mostra: cortou a mão na cerMakita para cortar mármore 4107Râmica e está sangrando bastante. Aprendi na minha vida moleca que corte a gente lava com sabão de pedra; acho que a soda mata as bactérias, sei lá.  Digo isso ao pedreiro agoniado, vou buscar um pedaço de gaze e esparadrapo e faço um curativo depois que ele lava e seca a mão. Nunca vi um homem daquele tamanho tão assustado mas entendi o  motivo.

Um dia antes, um colega de equipe quase perdeu o polegar na Makita, maquininha muito útil com a qual eles convivem diariamente, mas basta um pequeno descuido para o desastre. Foi por isso que aquele homem tranquilo suou frio e quase desmaiou no meio da minha sala: ele lembrou do amigo e do perigo.

Sábado eles chegam cedo; é dia de colocar o rodapé e fazer o rejunte e o Pedro foi substituído pelo Vando. Pergunto do ferimento e o Luiz mostra a mão com um band-aid. O “corte enorme e sangrento” já fechou e está cicatrizando. Deve ser o sabão de lavar roupa: antibactericida e cicatrizante!

Na hora do almoço está tudo pronto, varrido e bonito. A mágica foi feita!

Fox no cimento

bagunça

Pois é…uma semana de reforma no apê e devo dizer que nem doeu muito. Apesar da confusão que se instaurou na residência dessa que vos fala, as coisas foram “menos pior” do que eu esperava, mesmo levando em conta o calor infernal que fez a semana toda.

IMG_0308Segunda foi feriado,  mas na terça  a equipe de “demolição” chegou depois do almoço e começou o serviço pela sala. Em um dia e meio arrancaram os dois pisos existentes. O carpete de madeira sai facinho, mas os tacos,  sólidamente colados com uma mistura de cimento e piche, só saem á poder de marreta e talhadeira gigante. Os vizinhos, como sempre, devem ter adorado. Abri todas as janelas e deixei que  um furacão o vento entrasse e cuidasse da poeira. Funcionou.

IMG_0312

Quinta feira foi um dia cheio. Depois dos tacos arrancados veio o Luiz eletricista com seus ajudantes. Com aquela talhadeira e uma marreta menorzinha eles “rasgaram” o chão porque a instalação elétrica precisa ser redimensionada; fizeram “canaletas” de um lado para o outro por onde passará o conduite que vai levar os novos cabos e fios. A pancadaria é de doer os tímpanos, mas os vizinhos já devem estar conformados. Fazer esse remanejamento foi o único jeito de acabar com as gambiarras, os benjamins, as extensões, etc; também é muito mais bonitinho tudo arrumado sem aquele monte de fios pendurados e/ou enroscados no chão atrás dos móveis e do computador. Quem mora em casa mais antiga, sem muitas tomadas, sabe bem do que estou falando.

Luis e PedroIMG_0315 Depois que o eletricista terminou, chegou a hora de começar a fazer o famoso contrapiso que precisa de algumas horas para secar. É um pouco assustador ver um monte de areia, cimento e água no meio da sala, mas o Luiz (à esquerda) e o Pedro (à direita) são muito cuidadosos. Quando vão embora deixam tudo limpinho e arrumado, como podem ver na foto à direita. O empreiteiro Flávio veio dar uma olhada na obra e conversar comigo.  As notícias não são boas: ele disse que o tal “porcelanato” que comprei é um negócio chamado grès; não é porcelanato de verdade.

Tento lembrar se, por acaso, nos cartazes espalhados pela loja onde fiz a compra, estava escrito algo como “tipo porcelanato” ou porcelanato “fake”, mas é claro que não estava. O Flávio explica que a diferença está na absorção de água e na resistência do material. Logo eu que queria um chão à prova de xixi de cachorro impermeável…Tentei não me aborrecer com isso mas mandei um e-mail para o fabricante perguntando sobre a absorção de líquidos. Ainda estou esperando uma resposta.

Essa foi a parte da semana com muito suor e poeira. A parte do sangue conto amanhã.

escorpiao

Hoje vi meu futuro singelamente  anunciado com a frase arrasadora: “Escorpianos ficarão nervosos,..” e fiquei nervosa logo de cara o que, mesmo não acreditando,  já deu um ponto pro astrólogo.  Se acreditasse ligaria imediatamente para um certo pedreiro e cancelaria tudo.

Não deu para evitar e fui lendo as previsões. Já na primeira frase o prenúncio da derrota:  não vai me faltar “vitalidade e pique”,   mas terei  “um certo nervosismo e impaciência”, devido a “quantidade de problemas” que terei que resolver . Decido preparar uma jarra de suco de maracujá. No mesmo parágrafo leio a palavra “urgência” e aumento a dose para duas jarras.

Ainda bem que tem um tal de trígono para “neutralizar um pouco os aspectos difíceis do mês”  porque este é o mês da reforma aqui no apê.

Sendo uma cientista nata começo a analisar os últimos acontecimentos e comparo com as previsões. Vejamos: fui com o Guilherme – amigo e arquiteto talentoso  –  em uma mega loja de materiais para construção. De cara somos informados que acabaram as lindas  persianas  “made in China” que quero instalar na sala e ninguém sabe dizer  se estarão disponíveis  em um futuro próximo.

Desanimada vou  seguindo até a seção de pisos e azulejos onde estão expostos centenas de modelitos. Tem grande variedade de preço e tamanho; cores que vão do branco à vários tons de beje e creme com algumas ousadias em preto ou marrom;  “desenhos” que imitam mármore, chapisco, cimento queimado, pedra, cerâmica; brilhante, fosco, acetinado, rústico; e um tal de retificado que deixa as bordas retinhas e diminue  o espaço do rejunte. Só essa aula sobre rejunte já faz com que eu me sinta uma especialista!

Me empolgo com os mais caros, completamente fora das minhas possibilidades financeiras; dos que gosto um tantinho menos, mas posso pagar,  não tem mais em estoque; se tem estoque não tem a côr;  se tem a côr não tem o tamanho.Três horas depois conseguimos achar um com preço dentro do orçamento, com uma côr razoável e quantidade suficiente.  Agora só falta o banheiro.

O piso do banheiro é facinho: escolho logo um rústico lindo, que por sugestão do amigo arquiteto será combinado com um liso formando um desenho; na parede um revestimento basicão sem muita firula, e aiii que beleza!, já tô até vendo!, adorei!… e toda empolgada, saio em busca de lavatório, vulgo pia, e vaso sanitário.

Star Trek Começo pela pia que parece mais fácil, mas não é bem assim. Além daquelas comuns, que tem em todo lugar, descubro os mais inusitados formatos: com jeito de tijela redonda, oval,quadrada ou retangular; rasa ou funda. Para prender na parede, para ficar sobre ou sob uma bancada. Tinha até uma enorme, que era a cara da nave do Capitão Kirk.

A que escolhi,  uma tijela funda meio oval, para colocar sobre uma bancada cria o problema da torneira que tem que ser alta, beeeemmmm alta e na loja os modelos disponíveis são poucos. Opto por ter apenas água fria na pia do banheiro, porque se quiser água quente também, o preço da torneira triplica.

Resolvida essa parte olhos os  vasos sanitários, vulgo privada, que também têm variedade de formas e tamanho, mas aí nem perco muito tempo: acomodando minha bunda já está ótimo; decido por um  simples (com uma tampa que não bate –  frescura do Guilherme)

Peço para a vendedora fazer as contas. Não compro as coisas de banheiro, prefiro pensar mais um pouco. Como diz meu horóscopo,  devo tomar decisões baseada em minha intuição e razão, o que trocando em miúdos quer dizer “devagar com o andor”.

paredeFinalmente resolvi enfiar o pé na jaca e fazer uma pequena reforma no apartamento onde moro, mas confesso que estou apavorada, trêmula, de coração na mão um pouco ansiosa.

Explico: em 1990,quando me mudei,  na costumeira fase de contar os caraminguás na carteira pouca verba,  o que fiz foi mandar arrancar a forração podre e nojenta desgastada que cobria o chão e pintar as paredes que estavam imundas. Para se ter uma idéia do tamanho  das ruínas,  este apartamento,  havia ficado desocupado por 5 anos mais ou menos, e claro que alguém em algum momento havia esquecido as janelas abertas para a chuva, a poeira e até para bucólicas folhas secas.

Debaixo da forração encontrei um piso de tacos de madeira mais ou menos em ordem, com uns soltos ou  podrinhos aqui e ali, que dei um jeito de substituir. Tempos depois, quando o dinheiro permitiu, mandei passar a máquina para lixar e apliquei Cascolac. Ás vezes penso que esse negócio de “serviços” é uma loteria. O  Cascolac em menos de um ano começou a rachar e ficou uma coisa assim… como direi… toda trincada, rústica. Convivi com isso por muitos anos, e a cada vez que um taco se soltava lá ia eu de cola Cascorez em punho e pááá! grudava o infeliz de volta.

Mesmo sem grana, antes de mudar tive trocar os azulejos e a louça sanitária do banheiro. Não sei se vocês já viram, mas nos anos 70 (época da construção do prédio) o chic era colocar peças em tons inusitados e aqui  o  modismo adotou um marrom meio caramelo escuro e os azulejos “combinantes” eram creme com tulipas laranja. Óbvio que meu delicado aparelho digestivo travou de imediato em protesto à essa maravilhosa decoração em tons de merda dejetos. Mandei arrancar e trocar aquilo, por questões de saúde física e mental.

Passei também pela explosão dos canos de água desse banheiro, que transformou minha humilde morada em uma piscininha instantânea. O bom disso é que eu estava trabalhando e não vi acontecer. O ruim é que o síndico precisou mandar fechar a água do prédio para conter a inundação que avançava para o hall de entrada e ameaçava invadir os elevadores. O péssimo foi quando cheguei à noite e percebi o ódio no coração de cada vizinho.

Por causa desse acidente aquático fui forçada a trocar o encanamento de todo o apartamento o que representou quebra quebra de parede e também de minha conta bancária. Levei tempo para restabelecer a confiança em pedreiro, encanador e pintor.

Então, muitos anos depois, num momento de doidice total, decidi que chegara a hora de dar uma solução para aquele chão horroroso. Agarrei minha querida filha Gabi,   pelo braço e a arrastei num sábado ensolarado, para uma dessas lojas que vendem carpetes de madeira, contando com os palpites a opinião dela para me ajudar na escolha.

Lembro perfeitamente de ter dito ao vendedor que eu dividia a casa com dois cachorros de pequeno porte e, na época, cinco gatos de tamanhos variados ( a Gabi já havia abandonado o ninho). Expliquei que precisava de uma coisa impermeável à xixi e fácil de limpar, que pudesse ser aplicado sobre os tacos  e que coubesse no meu orçamento, como sempre minúsculo.

Saí de lá com um piso clarinho (indo contra os conselhos  da minha assessora especial ),  que em poucos meses começou a estufar graças à irrigação diária que os cachorros providenciavam. Por uma questão de respeito à vida dos animais, passei a manter todas as portas fechadas criando um efeito estufa particular. Mesmo assim, como o tal piso precisa ser limpo com pano úmido, com o passar do tempo a situação foi degringolando e hoje tenho um chão novamente em ruínas (tá, é exagero meu, mas não está sequer decente).

Essas foram mchãoinhas experiência com reformas, até o momento.

Agora, como disse lá no início, decidi que preciso dar um jeito nas coisas por aqui.  Só de pensar no assunto  já está me dando vontade de desistir, mas olhando a foto ao lado percebo que não tenho essa alternativa. Vou respirar fundo, fazer mentalizações de reformas com finais felizes, chorar ali no cantinho e outra hora termino de contar  o que resolvi fazer  porque, além de tudo, este post  ficou um “tijolão”.