A região de Higienópolis/Pacaembú deve ser uma das que tem maior número de trabalhadores domésticos por metro quadrado. Não sei se existem pesquisas para validar minha opinião, mas duvido que madames e afins dediquem seu tempo para faxina e  arrumação da própria casa.

Como os moradores das classes média e alta (salvo raríssimas excessões)  não andam de transporte público faço uma pergunta para os 3.500 assinantes da lista Defenda Higienópolis: como é que vocês acham que seus prestadores de serviços domésticos, os vendedores das lojas, os funcionários dos hospitais, dos restaurantes, os bancários, os operários de obras, os funcionários do prédio, etc., etc.,  que moram na periferia da cidade conseguem vir trabalhar? Teleporte ou usando metrô, onibus e trens?

O preconceito embutido  na expressão “gente diferenciada”  usada pelos “defensores” do bairro é o mesmo de quem acha que negro é inferior, que nordestino é sujo, que pobre é perigoso; é o preconceito de quem se acha bacana demais só porque deu sorte de nascer em uma família financeiramente privilegiada ou porque conseguiu juntar um dinheiro no banco; pessoas alienadas que talvez pensem que são duendes e fadas que executam todo o trabalho que elas sequer reconhecem ou sabem fazer.

Acreditar que estação de Metrô traz insegurança ao bairro é idiotice: a estação servirá aos mesmos que hoje chegam de onibus e trem e se localizada em ponto estratégico vai permitir que os moradores mais conscientes deixem seus carros em casa; contribuirá para que o ar desta área chamada de nobre seja menos poluído e para que o trânsito flua melhor; permitirá que as pessoas trabalhem mais felizes e bem dispostas porque não sofreram para chegar ao trabalho.

Se vai acontecer um churrascão com pagode e protesto na porta do shopping eu não sei, mas está na hora do governo – que é responsável pelas obras do Metrô –  mostrar à quem serve: se à maioria da população que o elegeu ou se á uma minoria privilegiada e preconceituosa. As cartas estão na mesa, se ligue Governador!

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A presença da esposa de Michel Temer na posse de Dilma Rousseff  causou febre alta no Twitter. A moça, quarenta e tantos anos mais jovem que o marido, bonita, com longos cabelos loiros presos em uma trança lateral (que mostrava a tatuagem do nome de Michel feita na nuca) e vestida com blusa de um ombro só, tinha ares de estátua grega. Possivelmente a indumentária, a maquiagem e o penteado foram meticulosamente estudados para criar essa impressão, afinal a imagem de Marcela seria transmitida e replicada para milhões de pessoas.

O aparecimento tão marcante daquela moça ao lado do marido com aparência de pai ou avô, levantou polêmicas e chacoalhou opiniões  sobre o que levaria a jovem a se casar com um homem tão mais velho e, quem sabe, com interesses muito diferentes dos dela, ou não; e  aqui e aqui estão posts ótimos sobre esse assunto . O casamento deles em 2003 pegou muita gente de surpresa.

Imagino que muitas mulheres casam-se com homens mais velhos objetivando a  segurança e responsabilidade que eles podem trazer ao compromisso.  Uma parcela dos jovens mancebos talvez não esteja  apressada em constituir família, ter filhos, assumir despesas, morar junto e enfrentar as dificuldades que a união pode trazer. Nota-se de alguns anos para cá uma tendência das famílias em manter seus filhos e filhas por perto, dando-lhes apoio financeiro e abrigo até os 35 anos, ou mais. É a chamada adolescência tardia e, se para os pais é uma espécie de adiamento do corte umbilical, para os filhos é uma conveniência interessante, já que lhes dá condições de procurar o emprego dos sonhos, fazer a faculdade, a pós graduação, o doutorado, o mestrado, fazer as viagens que deseja, ou aproveitar o simples ócio sem ter que dar muitas satisfações.

Homens mais velhos em geral já estão social e financeiramente estabilizados; já têm carreira sólida; já descobriram o que querem da vida e como realizar esses objetivos. A melhoria das condições sociais e financeiras podem também funcionar como um afrodisíaco tornando o homem que as oferece um sério candidato a marido. Não há nada de errado em querer melhorar de vida, desde que os meios sejam lícitos.

É preciso também considerar que muitos homens mais velhos despertam respeito e admiração por sua inteligência e charme e conquistam mulheres muitos anos mais jovens, construindo casamentos longos e estáveis. Wood Allen e Charles Chaplin não me deixam mentir. E quem aos 15 ou 16 anos não se apaixonou pelo professor décadas mais velho que atire o primeiro punhado de arroz.

Homens em posição de poder também podem ser muito atraentes para algumas mulheres; podem trazer a estabilidade que muitas precisam para seguirem felizes em suas vidas e em contrapartida, fazerem seus maridos felizes. A troca de interesses materiais não é necessáriamente condenável e se um pode ajudar, por exemplo, na carreira profissional do outro, qual o problema?

Não sei se ainda existem os casamentos impostos pelas famílias, onde os interesses econômicos e financeiros ou as alianças políticas estão acima de qualquer coisa. Até bem pouco tempo – se pensarmos históricamente –  esses eram os casamentos mais comuns.

O casamento por amor, que muitos chamam de “casamento romântico” também pode acontecer entre pessoas com muita diferença de idade. Acho que o amor ainda não está extinto e acredito sinceramente que, para quem ama, a idade do outro é o que menos importa.

Existem homens que dizem que não fazem questão de se relacionarem com mulheres muito jovens porque, deixando de lado a aparência física, elas não têm muito à oferecer. Pode parecer preconceituoso, mas se pensarmos um pouquinho veremos que é preciso tempo para adquirir conhecimento e cultura. Para esses homens a relação não se embasa apenas em sexo e aparência, mas também em ter uma boa companhia, com conversas agradáveis, troca de conhecimento, crescimento intelectual mútuo. Eles não descartam o fato de que existem jovens inteligentes, cultas e interessantes, apenas estão abertos à todas as possibilidades.

Existem mulheres que não gostam de homens mais velhos e dizem que eles não acompanham seus ritmos de vida ou não compartilham de seus interesses. Essas muitas vezes enfrentam preconceito por namorarem ou casarem com homens mais jovens do que elas e posso falar desse assunto com conhecimento de causa. A imagem do “golpe do baú” e da “velha tarada” ainda é poderosa em nossa sociedade. As pessoas relutam em acreditar que aquele “garotão” está com aquela “balzaca” ou que aquela “gatinha” escolheu o “tiozinho” porque isso os deixam felizes.

Casamentos com grandes diferenças de idade entre marido e mulher existem em todas as camadas sociais e costumam chamar mesmo a atenção, mas casamento é um contrato de parceria entre duas pessoas e, como em qualquer contrato justo é essencial que haja honestidade em seus termos. Seja qual for o motivo que leva alguém a se unir à outro alguém,  que ambos tenham clareza do que os une e sejam felizes para sempre ou até que o divórcio ou a morte os separem.

Causou certo frisson a notícia veiculada dias atrás dizendo que o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso foi visto passeando de mãos dadas com Ellen Gracie ministra do Supremo Tribunal Federal.

Não vi nenhum alarde na mídia tradicional, mas nas conversas de botequim e nas midias sociais como o twitter e o facebook, a coisa virou assunto. Os comentários nem sempre foram favoráveis e li alguns deboches; parece que para muita gente o direito de relacionamentos, principalmente em se tratando de mulheres, acaba cedo.

Qual é o problema se houver mesmo um romance entre um homem e uma mulher, ambos saudáveis e absolutamente cientes de seus atos?  Porque pensar que pessoas mais velhas não podem se apaixonar?

A grande meleca é que neste país, como em outros por aí afora, o culto à juventude é uma doença incurável até o presente momento.

Envelhecer fisicamente parece uma praga bíblica a ser enfrentada com todos os exorcismos que a cirurgia plástica pode oferecer. Exige-se a aparência idealizada e divulgada no cinema, editorial de revista de moda, anúncios  e novela. Quem ganha com isso são as academias de ginástica, os fabricantes de cosméticos “anti idade”, as clínicas de cirurgias plásticas… Quem perde somos todos nós que iremos envelhecer um dia.

Parece que depois dos 50 anos as mulheres só podem ser avós; às vezes uma avó “bem apanhada”, mas sempre avó. Não pode mais se apaixonar, não pode amar nem ser amada,  é obrigada a aposentar a sexualidade e o desejo. Puro preconceito de gente desinformada.

Homens tem um prazo de validade um pouco maior graças à outra doença que nos assola: o machismo. Homens mais velhos podem desfilar com suas novas parceiras, desde que elas tenham menos de 40 é claro; de preferência que tenham menos de 30!

O ex presidente é uma pessoa inteligente, bem sucedida, culta, influente em seu campo de atuação e o mesmo se pode dizer da ministra. Fatalmente qualquer coisa que os envolva vai aparecer na mídia porque são conhecidos e portanto, notícia. Mas está cheio de Zés e Marias acima dos 50 anos se apaixonando por aí o que me faz voltar á pergunta inicial: e daí?

Fiquem espertos! O coração não se aposenta cedo não! Se não estiverem satisfeitos com essa verdade, vão cuidar da própria vida e parem de se preocupar com a vida alheia.

Uma notícia chocante nos informa que estudantes da UNESP-Universidade Estadual Paulista organizou uma competição chamada “rodeio das gordas”  cujo objetivo era “agarrar suas colegas, de preferência as obesas, e tentar simular um rodeio – ficando o maior tempo possível sobre a presa”, conforme o jornal Folha de São Paulo

O estudante organizador do “evento” –  e criador de uma comunidade no Orkut com o mesmo tema –  se defende dizendo que era só uma brincadeira. Só pode ser cinismo e certeza de impunidade  que o leva  a ficar tão tranquilo. Aliás, o vice-reitor da Faculdade de Ciências e Letras do campus de Assis disse, segundo a reportagem acima,  que não quer ” estabelecer um processo inquisitório” usando frase de efeito para diminuir a importância do fato.

Quando Geyse Arruda foi chamada de puta pelos colegas de UNIBAN, também era apenas “brincadeirinha”?

Quando o estudante Edison Tsung Chi Hsuen morreu afogado durante um trote na piscina da USP em 1999, também era só uma “brincadeira” não é mesmo?

A facilidade com que os responsáveis se safam dessas situações, a impunidade, a leniência dos dirigentes das universidades e escolas em geral, a falta de atitude dos pais e dos educadores, são os tijolos que pavimentam essa estrada que só pode levar ao desastre.

A cantora Preta Gil ganhou um processo contra alguns  “humoristas” de um programa de TV que a chamaram de baleia encalhada, numa alusão à sua aparência física. Seu caso deveria ser usado como exemplo e incentivo para todos que sofrem humilhação e preconceito, seja na escola, no ambiente de trabalho, na rua, nos anúncios de produtos, etc. Os agredidos precisam tomar atitude e processar os agressores e aqueles que lhes dão guarida

Se a justiça começar à punir rapidamente e com rigor os “inocentes brincalhões”, o senso de humor dessas pessoas certamente mudará para melhor e todo mundo vai sair lucrando.

Não sei se são os hormônios, o efeito estufa ou alguma conjunção astral desfavorável, mas o fato é que não estou com paciência para a falta de educação que se esparrama, feito batatinha quando nasce, pelo chão virtual e real.

Fiquei abestalhada ao ler um post onde a vizinha de apartamento, que reclama de barulho, foi chamada de “velha escrota e mal amada”, que devia “comprar um vibrador e ser feliz”; a blogueira  também questiona  o que a tal senhora  “está fazendo acordada a esta hora”.  Tentar fazer menos barulho, nem pensar. O que vale é insultar e usar para isso todo o arsenal de preconceito disponível.

Na  padaria, comprei várias coisas e fui pagar com o cartão de débito que, suprema modernidade, tem chip. Não passou o débito e a caixa pergunta: “esse cartão é da senhora mesmo?”. Parecia estar pensado que roubei o cartão e fui lá comprar pão, leite e refrigerante.

Fui ao supermercado e na hora que estou passando as compras, um rapaz se aproxima e joga no balcão do caixa, no meio das minhas coisas, um pacote de mortadela e um pãozinho. Fico zangada e pergunto o que é aquilo e porque ele não espera a vez para passar sua compra. O grosseirão, que ao que parece é funcionário do mercado,  me olha ameaçador e diz: “fica na sua!”. Que me sirva de lição para ficar bem longe desse estabelecimento que de barato não tem nada, e apesar de ter futuro no nome, é um dos mais retrógados que conheço.

Na região da rua 25 de Março existem muitas lojas que vendem bijouterias mais em conta. Semana passada vi uns colares legais e, com cuidado para não danificar a etiqueta, coloquei um no pescoço para ver como ficava. Do fundo da loja a funcionária do caixa gritou: não pode experimentar! Não bastasse os 3 seguranças com cara de poucos amigos que vigiavam as clientes com olhos de águia… Não há preço baixo que justifique.

Voltando à blogosfera, as vezes o twitter parece a latrina de um bar de quinta categoria. Jogam-se ali palavrões, comentários escatológicos e frases preconceituosas como se o mundo fosse acabar e fosse necessário gastar todo o arsenal de grosserias que cada um tem.

Longe de mim querer ditar regras. Posso parar de frequentar os estabelecimentos onde não sou bem atendida, ignorar o blogueiro/blogueira mal educados e bloquear pessoas no Twitter, mas isso resolve o problema? Em outros tempos se diria que não há sabão que chegue para lavar tantas bocas…

Podem me chamar de chata, mas fico pasma com a atitude de certas pessoas.

Primeiro de dezembro é o Dia Mundial de Luta Contra a AIDS, data escolhida em 1987 pela Assembleia Mundial de Saúde com apoio da ONU. Se 22 anos depois ainda precisamos ser lembrados que devemos tolerância, solidariedade, compaixão e apoio às pessoas infectadas pelo HIV e que precisamos reforçar as ações de prevenção, alguma coisa não vai bem não é mesmo? Isso tudo já devia fazer parte do nosso cotidiano, mas lamentávelmente não é bem assim.

Acompanhei no Twitter as mensagens de hoje e, por incrível que pareça, muitas eram piadinhas sobre a doença. Se pensarmos que nessa rede social a maioria tem menos de, digamos, 35 anos e vivem em grandes centros urbanos, a coisa fica bem feia; jovens cosmopolitas supostamente deveriam ser mais bem informados…

Observando as estatísticas dá para entender que atualmente as maiores vítimas de novas contaminações são as mulheres:  se até 1986 havia 15 homens infectados para cada mulher, em 2003 os números mudam drasticamente:continuam os mesmos 15 homens, mas o número de mulheres vai para 10. A contaminação está aumentando entre mulheres na faixa etária de 13 a 19 anos, quer dizer, entre as muito jovens.

Qual o significado disso tudo? Uma das possíveis resposta é que as mulheres não estão levando essa questão á sério. Seja porque confiam no parceiro, seja porque eles se recusam a usar o preservativo e elas ficam com medo de ofender e perder o marido, o namorado, o amante, o caso, o rôlo, o ficante, etc; sentem vergonha de pedir e parecer “sabidas” demais; muitas acreditam que estão em uma relação monogâmica (e às vezes estão mesmo) mas esquecem que os sintomas podem demorar anos para aparecer e elas ou eles não sabem o que se esconde no passado.

Forçar, mesmo que indiretamente, a mulher a manter relações sexuais sem proteção é um ato da mais pura violência.

Falando nisso, 25 de novembro foi o Dia Internacional da Não-Violência Contra as Mulheres e que ninguém fique se iludindo pensando que as mulheres sofrem apenas violência física. Apesar desta  ainda estar muito presente,somos agredidas das mais diversas formas e de maneiras muitas vezes disfarçadas.

Espera-se que as mulheres cumpram o padrão estético das modelos photoshopadas e ridiculamente retocadas para atingir um certo ideal de “perfeição” inexistente e ao lado está  a foto de Juliana Paes que não me deixa mentir. Ser gorda nem pensar, envelhecer jamais…

Pagam-se salários 35% menores para as mulheres em cargos e serviços equivalentes; ainda existem profissões  consideradas “femininas”, como por exemplo, educação infanto/juvenil ou enfermagem. Ouvi relato sobre discriminação contra uma médica  que tentou vaga para fazer especialização em neurocirurgia; foi-lhe dito que esse era um trabalho para homens e sua admissão foi negada. Várias mulheres que estão trabalhando na área de informática denunciam que são olhadas com desconfiança e/ou consideradas lésbicas, porque onde já se viu mulher entender de computador?!

Aliás, chamar de lésbica a mulher que foge dos padrões “ternurinha-forno-e-fogão” é a coisa mais comum. Mulher que não quer casamento nem compromisso sério invariavelmente será chamada de puta em alguns círculos. Mulher que não quer ter filhos será olhada com estranheza… Enfim, a lista dessas violências disfarçadas é imensa!

E que não se culpe apenas os homens – o mundo está cheio de mães, irmãs, esposas, namoradas e amigas educando sucessivas gerações para darem continuidade à tudo isso. Feminismo tosco é muito chato, mas machismo às avessas é lamentável.

Imagem obtida no site www.freakingnews.com

Michelangelo Art Pictures - Strange Michelangelo Art Pics

http://www.freakingnews.com

Não seja louco portador de transtorno psíquico.

No caso da natureza ter sido má com você e ter lhe dado um distúrbio qualquer, por favor não surte. Principalmente não surte em público. Se morar em Campinas não surte de jeito nenhum.

Se for investigador de polícia então, nem pense em surtar.  Se além de policial você for transexual, jamais tenha a ousadia de surtar e nem mesmo de ter um ataquezinho de nervos que seja.

Caso você acredite sériamente que possui um esquema mágico para ganhar na loteria, que alguém sussurra ordens em seu ouvido, que  uma cantora de axé divulga mensagens satânicas em suas músicas, e principalmente que é filha(o) de um apresentador famoso, avise sua família.

Eu entendo que se você é louco portador de transtorno psíquico grave não tem noção de nada do que foi dito acima e tudo deve parecer bem natural, mas sua família e seus amigos sabem que não e talvez possam ajudá-lo.

Se apesar de tudo acontecer de você surtar em público e resolver roubar um celular lá em Campinas ( e acho que em qualquer cidade do Brasil),  saiba que você poderá ser detido pela PM e algemado pela Polícia Civil em uma maca de Pronto Socorro permanecendo imóvel por 5 dias.

Nesse meio tempo você vai virar notícia de jornal, será citado em um blog de policiais civis onde será chamado de “veado campineiro” e um apresentador de TV apontará para “a lingerie vermelha” que você estava usando.

Antes, na delegacia, você vai jogar a sandália na cara do delegado, cantará em italiano e ficará nú  em uma “clara evidência” que você surtou e que precisa ser contido. Encaminhado para o P.S. receberá um “sossega-leão” ( Haldol e prometazina),  “apaga” e nas próximas 100 horas ficará quietinho algemado na maca. Direto, sem poder mudar de posição, sem poder se mexer.

Mesmo que você não seja religioso reze para que um advogado especialista em direitos das minorias apareça. Reze para que um psiquiatra que trabalhe em algum órgão de defesa dos direitos humanos faça um laudo coerente que isente você da responsabilidade pelos atos praticados durante o “epísódio maníaco”. Que esse psiquiatra diga que “É de uma injustificável crueldade física e psicológica algemá-la na ala psiquiátrica”. Que diga o óbvio.

Quem sabe assim você consiga um tratamento correto, talvez com um dos residentes do tal hospital público, um daqueles que, demonstrando competência e humanidade, bateu boca com a polícia quando resolveram te algemar. Quem sabe você consiga ficar curado, ou pelo menos apto a continuar seu curso de direito na PUC. Afinal você é quintanista, não pode desperdiçar todos esses anos de estudo.

Duvido que você possa continuar na polícia e que reconquiste o respeito de seus colegas policiais,  não se esqueça que você é uma pessoa que “mudou seu comportamento”, andava “trajado de mulher” e usava “pinturas e esmaltes correspondentes à vaidade feminina, às vezes muito ousados…”. Para eles você é e sempre será um pária.

Neste Brasil desumano, em pleno século XXI certas coisas permanecem iguais ao que eram no século passado, e no anterior, e no anterior, e no…

P.S: Leia a íntegra da notícia que motivou este post aqui