É estrabeth-ditto1nho como de repente parece que um assunto toma forma simultâneamente na cabeças de  pessoas diferentes e totalmente desconhecidas umas das outras. Fico achando que é coisa de extra terrestre, mas em seguida penso que é viagem minha pensar assim, que na verdade tudo não passa de coincidência ou é apenas o tal do inconsciente coletivo ou a sincronicidade agindo e tiriri, tarará.

Escrevi sobre as agruras das mais gordinhas no sábado, dia 11. No domingo de manhã folheando distraidamente a Revista da Folha, edição de 12/04,  vejo um artigo assinado pela cantora e escritora Vange Leonel , na página (plural), chamada “Tamanho grande”. Ali Vange relata a entrada no mundo fashion de Beth Ditto, uma cantora que veste tamanhos G coloridíssimos e nada discretos. Ela foi contratada por uma confecção inglesa para desenvolver uma linha propria de roupas.

Um pouco mais tarde ligo a televisão e estou indo de um canal para outro como quem não quer nada. Para minha surpresa, sintonizo  a atriz America Ferrera no papel da Ugly Betty, numa cena em que reclamando com seu chefe, (o editor) que os editoriais da revista onde trabalham só mostram modelos uglybetty-s2famélicas que não têm nada a ver com o mundo real, tenta convence-lo a realizar um desfile com modelos mais carnudas. A personagem Betty é uma moça latina óbvio porque americana é cheia de bom gosto e magrinha,um pouco acima do peso e com péssimo gosto para se vestir e/ou combinar acessórios, mas “inteligente” como deve ser toda moça que não foi abençoada com o padrão de beleza do momento e consegue realizar o tal desfile.

Deixando os estereótipos de lado, o que importa nessa história é que mais uma vez estão falando sobre o-diabo-veste-pradaas mulheres de um mundo real que tem pouco a ver com as mulheres idealizadas que aparecem na publicidade, em editoriais de moda ou em filmes e séries americanas.

Lembro de ouvir dizer que a câmera “engorda” e nunca pude compreender a razão desse fenômeno de ótica. Mas se isso é mesmo verdade me apavora pensar no tamanho real das atrizes do filme O Diabo Veste Prada, por exemplo.  Aparecem magérrimas e fico imaginando se  foram “engordadas” pelas câmeras ou se a tecnologia já superou esse problema da imagem e, quem sabe, hoje em dia “afine” as atrizes.

Tenho a sensação de que o modelito “fiapo” começa aos poucos deixar a cena. 2274073

Pode levar algum tempo mas acredito que os estilistas acabarão percebendo que vestir cabides não é grande vantagem, isso qualquer um pode fazer. Bacana mesmo é transformar, com um simples pedaço de pano, mulheres comuns em deusas gloriosas.

 

Isso sim é arte!!!!

anitaekberg

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manequimNunca fui uma tábua e sempre tive quadril, cintura, busto e bunda;  pesava entre 50 e 52 kilos  distribuídos por 1,60m de altura e era considerada magra! Meu manequim era 40. Sim vocês entenderam bem QUA-REN-TA!! Manequim 34, 36 ou 38 era usado por adolescentes. Criança usava P, M ou G.

O tempo passou e os chineses e coreanos dominaram as confecções aqui em São Paulo trazendo uma modelagem esquisita tipo bacalhau. No início pensei que fosse uma coisa assim de economia de pano para baratear os custos e conquistar o mercado e que logo eles se adaptariam. Pura ilusão! Nossos fabricantes é que acharam a idéia maravilhosa e o que era manequim 40/42 hoje é mais ou menos 46/48; as grifes endoidaram e o chique virou  fazer roupas tamanhos 36 ou 38 como se costurassem apenas para  Eva Longoria ou o resto das Desperates.

 Para as que como eu passaram muito ou pouco dos 55 ou 60 kilos restaram as roupas de “gorda”, quadradas, sem  modelagem, nenhum detalhe elegante, desatualizadas, sem graça, parecendo com sacos de batatas com  buraco em cima pra passar a cabeça e buracos dos lados pra colocar os braços. Roupas que deformam nossos corpos, não respeitam nossa cintura, não valorizam nosso busto, não realçam nossos ombros e colos; roupas que nos deixam com a auto-estima magrinha, magrinha.

Nas lojas se pedimos alguma coisa no tamanho G o que nos oferecem são umas roupinhas que não passam pelos quadris ou pelas pernas e depois de tentar uns 15 modelos diferentes dá um ódio danado daquele amontoado de panos  jogados  no canto do provador. Nos sentimos uma “monstra de gorda” como diz uma amiga minha que também está um tantinho acima do peso. Essa mesma amiga comentou que simplesmente tamanhos2parou de comprar roupas…Outra que engordou quase nada ( pesa 58 kilos e tem 1,65m de altura), também está com dificuldade para encontrar algo que sirva e outro dia brigou feio em uma loja.

Aproveitei uma liquidação para comprar umas bermudas dessas mais compridinhas que estão na moda. Ficaram muito bons os tamanhos 54, 50 e 48 todas da mesma confecção e tamanho 44 de uma outra outra. Mato a cobra e mostro o pau e aí está a foto das etiquetas pra provar que não estou doida ainda.

Sapatos estão indo para o mesmo rumo. Experimentei um sapatinho básico para meia estação e o que me serviu era número 39!!! Estarrecida corri pra casa achando que estava com alguma doença que fizera meus pés aumentarem de tamanho da noite para o dia. Tirei a dúvida calçando um que já tenho – tamanho 37 – e serviu perfeitamente! Ou seja, estão diminuindo o tamanho dos sapatos também.

Agora posso me sentir uma “monstra de gorda” e também um “pé de lancha”. Tudo por cortezia de nossa indústria de vestuário e calçados que perdeu a noção das coisas.

Disseram que virá uma lei obrigando a padronização dos tamanhos de roupas e calçados. Só espero que o padrão adotado seja alguma coisa mais sensata e adequada à realidade pois quero voltar a pensar em bacalhau como sendo um peixe, consumido tradicionalmente na sexta feira santa.