Assisti várias vezes o comercial de Gisele Bundchen para a marca Hope e não vi nada demais.

Hoje leio no jornal que a Secretaria de Políticas para Mulheres quer vetar a propaganda por considerá-la sexista. Estarei cega? Terei emburrecido na última semana? Me tornei insensível do dia para a noite?

Tudo que vejo é a Gisele de calcinha e soutien, fazendo beicinho e dando notícia ruim para o marido. Com uma carinha de “amooooooorrr”, uns olhinhos de “mimimi” e voz de meiguinha a personagem tenta amenizar a notícia desagradável.

A sedução é e sempre será uma arma; foi e sempre será usada por homens e mulheres e isso é fato. Mostrar isso em um comercial é sexista ou tranforma a personagem em objeto sexual??

Considero exemplo de machismo aqueles comerciais com mulheres usando biquini fio dental, filmadas de costas e de baixo para cima, rebolando o popozão nas areias das praias ou nos bares das cidades para anunciar cerveja. Pode ser que o comercial da Hope seja mais sutil e eu em minha cegueira não pude ver. O que torna uma propaganda abusiva ao ponto de causar intervenção do poder público?

Uma mulher nua fazendo campanha contra o uso de peles de animais é apelativa, ou a causa nobre a transforma em ética?

E uma moça descabelada fazendo carão sexy para anunciar desodorante? Olhando só para a imagem sem ler o texto, qual será a mensagem ?

E essa moça nua deitada de bruços e pintada de tigresa, novamente para campanha de proteção aos animais?

O que Scarlet anuncia entre peles (falsas?), olhar perdido e boca entreaberta? Parece estar pensando em roupas, perfumes ou sapatos?

Onde fica a fronteira do machismo, do sexismo, do erotismo, da sedução, do estereótipo, do politicamente correto, do desrespeito, do divertido ou do constrangedor? As mulheres ficaram ofendidas com a linda Gisele enrolando o marido?

De vez em quando aparece alguém agitando uma bandeira defendendo “a moral e os bons costumes”, principalmente quando se trata de assunto que vai causar grande visualização na mídia.

Enquanto isso a mulher brasileira comum só aparece na mídia quando é assunto de página policial. O que será que a Secretaria de Políticas para Mulheres está fazendo à esse respeito?

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De vez em quando incorporo “a louca”! Querem um exemplo?

Passei pela vitrine de uma grande loja de sapatos e acessórios e, óbvio,  lá estava a bolsa dos meus sonhos: de couro macio, cores lindas, quadradona, molinha, com poucos detalhes  e grande o suficiente para levar minha vida dentro dela (agendas, cadernos, netbook, carteira, 2 pares de óculos, maquiagem de emergência, enfim tudo o que uma Lagartixa precisa para seu dia a dia.).

Alucinei e entrei na loja para perguntar o preço e aqui abro um parênteses : sou cliente antiga, o gerente e as vendedoras já me conhecem, quando me vêem chegando é logo um personalizado “como vai Dona Lagartixa?”, dão beijinhos, me preparam para o susto cheios de gentilezas e afagos. Dessa vez não foi diferente.  A Estela, com um sorriso de arcada dentária perfeita tasca o valor assim sem mais nem menos  ali no meio da loja, tranquila tranquila, como se todo aquele dinheiro por uma bolsa fosse a coisa mais normal do mundo.

Será que é? O custo do couro, da mão de obra, dos impostos, do aluguel da loja lá no Shopping, do ar condicionado e dos sorrisos,  justificam esse valor? Será que quero andar por aí com bem mais de um salário mínimo pendurado nos ombros? É provável que essa bolsa dure anos, mas é mais provável ainda que eu enjoe dela ou que ela saia de moda rápidamente.

Pensando bem, é melhor guardar “a louca” em uma das muitas bolsas linda que já tenho e sossegar o facho deixando esse desejo insano junto com aqueles outros tipo um colar de pérolas verdadeiras, um brinco de esmeraldas, um vestido super grifado, umas semanas no spa, todos da mesma espécie: peruíce crônica.

E continuar feliz e sem culpa a ser uma Lagartixa básica carregando menos coisas dentro da bolsa e ficando livre de dores nas costas.

LEGGING

Estão pelas ruas já faz um tempo. Gordinhas, magricelas, altas, baixas, pernas retas, pernas tortas, pernas perfeitas, com bunda, sem bunda, comprimento longo, até o meio da canela, curto… Eu acho que legging não orna com nada, mas se você gosta e não estiver fingindo que é vocalista de banda glam rock anos 80, por favor fuja das metálicas ou com estampas de oncinha e não se iluda, aquela cor “nude” não é neutra coisa nenhuma, só é horrorosa.

MEIA PATA

Aquelas botas de cano alto, sandálias cheias de tirinhas, sapatos com modelos variados, tamancos, tudo com salto altíssimo e uma meia sola alta na frente orna com o que? Certamente não com vestidos curtos e justos ou shorts, além do que essa combinação pode passar uma impressão errada sobre a profissão que você exerce. Fico me perguntando porque os fashionistas criam esses sapatos torturantes desde a antiga China mas ainda não consegui uma resposta satisfatória. Continuarei pesquisando.

BATOM VERMELHO

Batom vermelho não orna com lábios finos.  Se você não for a Reese Witherspoon numa foto super produzida de anúncio da Avon (e boquinha aumentada no photoshop), evite.  Ao usar essa cor na boca fininha você sempre corre o risco de ficar um pouco parecida com o Coringa.


ALÇA DE SOUTIEN

Você pode ser uma cantora famosa, com uma voz linda, mas note que alça de soutien aparecendo pode novamente levantar suspeitas sobre sua profissão e não orna com moças elegantes. Alças de material plástico supostamente transparentes nem merecem comentário.

SILICONE

Exagerar no silicone e sair por aí com as próteses na janela não é bonito e não orna nem com Victória Beckham que é uma exibida de primeira.

 

DAVID BECKHAM

Já David pode vestir ou desvestir qualquer coisa que sempre orna não é?!


 

Desfruto do privilégio de poder ir à pé para o trabalho e todos os dias posso ser vista subindo as ladeiras do bairro e botando os bofes pra fora enquanto amaldiçoo as calçadas quebradas e cheias de calombos contruídos para facilitar o acesso aos estacionamentos. Jogo de cintura para contornar as mesinhas que bares e padarias descaradamente colocam sobre o que resta de plano nas tais calçadas também faz parte da minha rotina.

Outro dia, durante essa minha andança fui contemplada, à revelia, com a visão de pedaços variados de glúteos, mais ou menos cobertos por calcinhas  em tons esquisitos. Vi calcinhas no indefectível azul calcinha, rosa amassada, bege amarronzado, verde semáforo,  e uma de cor indefinida por conta do encardido.

Não, não me tornei lavadeira e nem vendedora de roupas íntimas. A fartura de bundas expostas exibindo partes daquele vão que separa uma metade da outra exposição foi por conta dessa moda medonha das cinturas excessivamente baixas. As moçoilas compram calças dois números menores do que deveriam usar e saem pela rua mostrando pneus abundantes, barrigas imensas e o que chamarei pudicamente de  “cofrinho”,  numa deselegância sem fim.

Para completar o quadro dão dois passos e uma puxadinha, porque a calça vai descendo e à cada movimento mostrando mais carnes e celulites. Fui me perguntando qual a razão desse gesto de recato já que se não quisessem mostrar a bunda os glúteos, poderiam comprar calças um ou dois centímetros mais alto nas cinturas, mas concluí que elas acham isso bonito.

Continuei meu caminho e pouco mais à frente encontro um discípulo de Neymar. Sabe aquela pessoa que vai ziguezagueando pela calçada, driblando todas as tentativas que você faz para passar á frente? Fintei para a direita, para a esquerda e nada! Já estava quase dando um carrinho no moço quando surgiu a oportunidade e passei por ele. Não pude evitar olhar assim meio de banda para ver o que distraía tanto o rapaz.

Ele ia feito barata tonta pela calçada porque lia um livro enquanto caminhava. Um livro com as páginas amareladas, com jeitão de antigo. Dei à ele o meu melhor sorriso, pedi desculpa pela ultrapassagem e continuei andando com o sorriso pregado na cara. Esse moço-leitor salvou meu dia.

É estrabeth-ditto1nho como de repente parece que um assunto toma forma simultâneamente na cabeças de  pessoas diferentes e totalmente desconhecidas umas das outras. Fico achando que é coisa de extra terrestre, mas em seguida penso que é viagem minha pensar assim, que na verdade tudo não passa de coincidência ou é apenas o tal do inconsciente coletivo ou a sincronicidade agindo e tiriri, tarará.

Escrevi sobre as agruras das mais gordinhas no sábado, dia 11. No domingo de manhã folheando distraidamente a Revista da Folha, edição de 12/04,  vejo um artigo assinado pela cantora e escritora Vange Leonel , na página (plural), chamada “Tamanho grande”. Ali Vange relata a entrada no mundo fashion de Beth Ditto, uma cantora que veste tamanhos G coloridíssimos e nada discretos. Ela foi contratada por uma confecção inglesa para desenvolver uma linha propria de roupas.

Um pouco mais tarde ligo a televisão e estou indo de um canal para outro como quem não quer nada. Para minha surpresa, sintonizo  a atriz America Ferrera no papel da Ugly Betty, numa cena em que reclamando com seu chefe, (o editor) que os editoriais da revista onde trabalham só mostram modelos uglybetty-s2famélicas que não têm nada a ver com o mundo real, tenta convence-lo a realizar um desfile com modelos mais carnudas. A personagem Betty é uma moça latina óbvio porque americana é cheia de bom gosto e magrinha,um pouco acima do peso e com péssimo gosto para se vestir e/ou combinar acessórios, mas “inteligente” como deve ser toda moça que não foi abençoada com o padrão de beleza do momento e consegue realizar o tal desfile.

Deixando os estereótipos de lado, o que importa nessa história é que mais uma vez estão falando sobre o-diabo-veste-pradaas mulheres de um mundo real que tem pouco a ver com as mulheres idealizadas que aparecem na publicidade, em editoriais de moda ou em filmes e séries americanas.

Lembro de ouvir dizer que a câmera “engorda” e nunca pude compreender a razão desse fenômeno de ótica. Mas se isso é mesmo verdade me apavora pensar no tamanho real das atrizes do filme O Diabo Veste Prada, por exemplo.  Aparecem magérrimas e fico imaginando se  foram “engordadas” pelas câmeras ou se a tecnologia já superou esse problema da imagem e, quem sabe, hoje em dia “afine” as atrizes.

Tenho a sensação de que o modelito “fiapo” começa aos poucos deixar a cena. 2274073

Pode levar algum tempo mas acredito que os estilistas acabarão percebendo que vestir cabides não é grande vantagem, isso qualquer um pode fazer. Bacana mesmo é transformar, com um simples pedaço de pano, mulheres comuns em deusas gloriosas.

 

Isso sim é arte!!!!

anitaekberg

madonna-1Sou mais ou menos fã da Madonna. Gosto dela na fase mais antiga, quando fazia caras e bocas e ficava lá vestida de espanhola dançando prá  Jesus ( o outro) ou de chicotinho e maiô preto fazendo carinha de má e se divertindo à valer.

Depois que virou estudiosa da Cabala e passou a fazer 500 horas de exercícios diários ficando parecida com um graveto coberto de musculinhos eu já não gostei mais.

Mas enfim, não é de nada disso que queria falar, concentre-se mulher!!! O que queria mesmo comentar, ou melhor, entender é o que a Tia faz na África toda paramentada? A foto publicada nos jornais trouxe uma série de pensamentos um tanto maldosos.

Seria uma tentativa de parecer simplesinha e maternal, tipo “mamãe vai ao parquinho”, para impressionar os juízes que concederão a adoção? Será que ela precisa mesmo impressionar alguém? Li em algum lugar que quando ela quer alguma coisa ela consegue, por isso a adoção está garantida. Mesmo porque o figurino apresentado lembra mais uma espécie de “mamãe saiu da boate baixo nível onde faz striptease e foi correndo pegar o filhinho na escola”!

Porque essa moça está debaixo de sol vestindo calça comprida de tecido camuflado (para dentro das botas), duas (ou três) camisetas sobrepostas, sendo que uma é de mangas longas, além de pesadas botas de couro de cano alto com amarração frontal é uma coisa que foge totalmente à minha compreensão. Para completar um lenço esvoaçante que não sei se ela está segurando ou se amarrou na lateral das calças, chapéu caído nas costas e óculos escuros… Será que é pra não ficar bronzeada? Depois do Jesus brasileiro achei que ela gostasse do tom.

Não me conformei e fui ter certeza de onde fica Malauí que é o país onde ela foi descolar, ops, adotar uma filhinha pra fazer companhia ao David Banda (que também é adotado), uma vez que Lourdes Maria já tem bigodes  é uma mocinha e deve ter outras coisas com que se preocupar. Um breve parênteses: David está vestido adequadamente, lindo de camiseta e bermudas.

Olhando no Google Maps vi que o lugar é mesmo na África, próximo de Moçambique, Zâmbia, Zimbabue, Tânzania e, vejam só, Madagascar

Clima quente concordam? Calor africano! Será que a menininha escolhida, cujo nome é Chifunda James, sofrerá influências da mamãe na hora de se vestir? Espero que não! Tomara que seja uma garotinha de opinião e faça como seu futuro irmão: bermudão e camiseta bem á vontade que eles nem são artistas nem nada!!!

O que me preocupa é pensar que logo teremos algum “guru” da moda achando tudo muito “lindooooooo” e ,depois disso, milhares de mulheres no mundo inteiro imitando o estilo da Diva. Valha-me Deus…

Dia desses caminhando na hora do almoço aqui pelo bairro bairro tive a atenção voltada para a moça que ia um pouco mais à frente. Baixinha e magra o que gritava era sua indumentária: uma calça-bermuda ou bermuda-calça de cintura alta, com o comprimento um palmo acima dos joelhos; jaquetinha curtinha parando ali pelas omoplatas; meia preta fio 40 e sapato salto baixo.  Achei o conjunto da obra bem estranho, mas eu não entendo nada de moda. 

Quando passei ao lado da esquisita, surpresa!!!  Beirava os 40 e tantos anos, muito próxima dos 50 o que fez o ridículo ser elevado ao infinito, já que nessa idade as pessoas tiveram um tempão pra aprender não é?! ! Fui cuidar da vida com um pensamento cristão: tadinha, deve trabalhar em uma produtora de cinema, loja de shopping algum lugar que exija uma roupa mais arrojada e eu que sou desinformada e não entendo nada de coisas fashion…

Semanas depois saio em busca de uma calça jeans porque as duas que tenho já estão à beira do abismo. Entro entusiasmada em uma loja bacaninha, com uma vitrine bonita e vou em direção á vendedora com um sorriso simpático (o dela e o meu).

– Bom dia! Eu estou procurando um jeans. Queria ver se vocês têm algum que seja com a cintura no lugar normal, um pouquinho abaixo do umbigo.

– Vou ver. É pra senhora? Qual seu número? Eu falo e imediatamente percebo o olhar de dúvida e desprezo naquele rosto antes simpático

Minutos depois a moça volta com uma pilha de calças e esperançosa vou desdobrando uma por uma.

– Errr…moça, essas 25 todas são de cintura baixa, todas tamanho P. Não posso vestir isso, já passei da idade e meu tamanho é G. Aliás acho que ninguém fica elegante numa coisa dessas né?! (sorriso amarelo, o dela e o meu).

Depois de entrar em dezenas de lojas, ver centenas de calças, meu entusiasmo inicial murchando à cada novo modelo, caio em total desanimo. Descubro no site de Glória Kalil que além das cinturas baixíssimas (lindas na Jennifer Lopes) mostrando o cofrinho ao menor movimento a outra tendência desse ano são as calças com cintura altíssimas, aquele treco abominável dos anos 80, se não me engano. Me pergunto mais uma vez para quem será que esses estilistas e fabricantes vendem. Quantas Giseles temos em São Paulo com 3 metros de pernas para envergar tais criações cuja cintura chegam quase abaixo do busto estilo santropeito e com fileira de enormes botões de cada lado da inexistente barriga ?

Parece que a proposta do mercado continua sendo fabricar roupas naquele molde pra mulheres magérrimas, altas e sem bunda. Repasso mentalmente quantas mulheres, jovens ou não, conheço e que se enquadrem nesse perfil: uma. Mesmo as brasileiras magras possuem em sua maioria um belíssimo derrière e não dá pra eliminar isso com dietas, malhação ou lipos.

As roupas em tamanho normal são difíceis de achar e quase sempre proporcionam o visual “tia véia” ou “evangélica conservadora”. Parece que à nós mulheres comuns, está destinado o inferno fashion. Ser baixa e/ou acima do peso, ter uma altura mediana, ter bunda, ter pneuzinhos , não ter mais 15 anos e não gostar de tecido sintético é pecado mortal.

Com licença que vou ali preparar meu banho de água benta.