melindrosaAntigamente dizia-se que elas eram do balacobaco. Depois, mulheres fáceis e em seguida as meninas do paz e amor; mais tarde viraram liberadas e hoje são chamadas de periguetes. Tem também as várias Marias que escolhem os rapazes de acordo com suas profissões ou posses: Maria-Chuteira, Maria Gasolina, Maria-Breteira e vejam só, Maria-Apostila que para mim é uma Maria totalmente inédita.

Estou falando, é claro, das mulheres que não seguem algumas regras pré estabelecidas de comportamento e que não estão nem aí para o que falam delas.mulher gato

O que chamou minha atenção para o assunto foi um artigo de Mirian Goldenberg, publicado em 18/12 no caderno Equilíbrio do Jornal Folha de São Paulo. Nele homens com idade entre 32 e 42 anos, todos com formação universitária, reclamam da “agressividade” das mulheres. Dizem que se sentem constrangidos, que as mulheres estão muito “oferecidas”, que essa disponibilidade toda “não dá o menor tesão” e contam atitudes tomadas pelas mais afoitas.

Esse discurso, sem bem me lembro, era feito por mulheres  conservadoras; também era usado pelas indignadas para ofender a vizinha desquitada e/ou gostosona que, supostamente, betty_anosdouradosvirava os olhos para os filhos, maridos e namorados alheios.

O que os entrevistados não dizem, mas certamente sabem, é que que essas moças estão reproduzindo o comportamento sexual antes reservado apenas aos homens e que agora pode ser adotado por todos: o sexo como pura diversão.

Me parece que alguns homens estão sentindo falta da emoção da “caça” e da “conquista” o que deve ser gens herdado dos antepassados neandertais ou então, saudade do tempo em que as garotas deviam ser românticas  ingênuas e os rapazes garanhões espertos porque o homem era o ser superior a quem se devia obediência e ponto final.

barbie-the-blonde-collection1É sintomático que digam que falta mulher interessante “no mercado” como se fossemos sabão em pó e devessemos ficar todas na prateleira esperando pelo nosso comprador. Não aceitam muito bem que as mulheres tomem a iniciativa antes reservada à eles e demonstrem abertamente um interesse apenas sexual.

Será que os rapazes já se esqueceram do tempo em que eles  próprios separavam as moças em “prá casar” e “prá se divertir”?

Não estou defendendo que as mulheres adotem o comportamento “masculino”  porque ir de um estereótipo à outro não resolve muita coisa, mas defendo o direito que todos tem de resolver como levar sua própria vida sexual. Se o que muitas meninas querem é diversão sem compromisso, tudo bem. Se alguns homens ficam melindrados com isso, tudo bem também.homem chorando

Só não falem de nós como se fôssemos todas umas descerebradas fúteis e assumam de uma vez por todas que mulheres adultas são capazes de decidir o que querem para elas próprias e vão em busca do que querem. É chocante? Lamento queridos, mas assim é a vida e se não estão muito contentes com essa nova situação, lutem para que não sejam vistos apenas como objeto.

Nós já estamos conseguindo.

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Um grupo de mulheres da Ucrânia descobriu um novo velho modo de chamar a atenção para suas causas: mostrar o corpo, ficar pelada em público. São causas justas, mas em minha modesta opinião, as manifestantes só aparecem na mídia global por mostrarem os seios pois do contrário, quem iria se importar com protestos que acontecem do outro lado do mundo e que expõem a conivência do governo local com o turismo sexual, entre outras coisas?

Quem se importa com os protestos das mulheres brasileiras contra o turismo sexual aqui no nosso país? Quem se importa com o fato de sermos um dos destinos mais procurados por estrangeiros de classe média na faixa entre 20 e 40 anos, muitos em busca de sexo com meninas de até 10 anos? Uma das muitas reportagens publicadas à respeito mostra que o turismo sexual brasileiro já não se concentra mais nas orla marítima e que está espalhado por todo o país, mas quem se importa? Teremos que tirar a roupa e sair em passeata pela Avenida Paulista?

Quem se importa com a situação de abandono vivida por nossas crianças recem nascidas que são cotidianamente largadas em caixas de papelão, cestos de lixo, sacolas plásticas ou becos escuros? Quem se importa com as crianças e adolescentes que estão nas ruas cometendo pequenos e grandes crimes? Teremos que mostrar nossos seios e sair gritando pela Avenida Presidente Vargas, lá no Rio de Janeiro?

Quem se importa com os idosos no Brasil, empilhados em asilos sem a menor condição de higiene e saúde? Para chamar a atenção e causar impacto, quem sabe teremos que mostrar seios jovens e velhos em praça pública? Será que se ficarmos nuas na Praça dos Três Poderes iremos chamar a atenção?

Quem se importa com a  mulher que percorre dois ou três hospitais públicos e não consegue vaga para se internar acabando por dar a luz na rua ou em uma viatura da PM e que dá graças à Deus pelo bebê estar vivo?

Admiro a mulher que não se importa em se expor ou  ir presa para denunciar os horrores e injustiças que são ignorados pelas autoridades e pela sociedade como um todo.

Não pretendo ser panfletária, mas acredito que está na hora de ficarmos todas de peito de fora aqui no Brasil.

A presença da esposa de Michel Temer na posse de Dilma Rousseff  causou febre alta no Twitter. A moça, quarenta e tantos anos mais jovem que o marido, bonita, com longos cabelos loiros presos em uma trança lateral (que mostrava a tatuagem do nome de Michel feita na nuca) e vestida com blusa de um ombro só, tinha ares de estátua grega. Possivelmente a indumentária, a maquiagem e o penteado foram meticulosamente estudados para criar essa impressão, afinal a imagem de Marcela seria transmitida e replicada para milhões de pessoas.

O aparecimento tão marcante daquela moça ao lado do marido com aparência de pai ou avô, levantou polêmicas e chacoalhou opiniões  sobre o que levaria a jovem a se casar com um homem tão mais velho e, quem sabe, com interesses muito diferentes dos dela, ou não; e  aqui e aqui estão posts ótimos sobre esse assunto . O casamento deles em 2003 pegou muita gente de surpresa.

Imagino que muitas mulheres casam-se com homens mais velhos objetivando a  segurança e responsabilidade que eles podem trazer ao compromisso.  Uma parcela dos jovens mancebos talvez não esteja  apressada em constituir família, ter filhos, assumir despesas, morar junto e enfrentar as dificuldades que a união pode trazer. Nota-se de alguns anos para cá uma tendência das famílias em manter seus filhos e filhas por perto, dando-lhes apoio financeiro e abrigo até os 35 anos, ou mais. É a chamada adolescência tardia e, se para os pais é uma espécie de adiamento do corte umbilical, para os filhos é uma conveniência interessante, já que lhes dá condições de procurar o emprego dos sonhos, fazer a faculdade, a pós graduação, o doutorado, o mestrado, fazer as viagens que deseja, ou aproveitar o simples ócio sem ter que dar muitas satisfações.

Homens mais velhos em geral já estão social e financeiramente estabilizados; já têm carreira sólida; já descobriram o que querem da vida e como realizar esses objetivos. A melhoria das condições sociais e financeiras podem também funcionar como um afrodisíaco tornando o homem que as oferece um sério candidato a marido. Não há nada de errado em querer melhorar de vida, desde que os meios sejam lícitos.

É preciso também considerar que muitos homens mais velhos despertam respeito e admiração por sua inteligência e charme e conquistam mulheres muitos anos mais jovens, construindo casamentos longos e estáveis. Wood Allen e Charles Chaplin não me deixam mentir. E quem aos 15 ou 16 anos não se apaixonou pelo professor décadas mais velho que atire o primeiro punhado de arroz.

Homens em posição de poder também podem ser muito atraentes para algumas mulheres; podem trazer a estabilidade que muitas precisam para seguirem felizes em suas vidas e em contrapartida, fazerem seus maridos felizes. A troca de interesses materiais não é necessáriamente condenável e se um pode ajudar, por exemplo, na carreira profissional do outro, qual o problema?

Não sei se ainda existem os casamentos impostos pelas famílias, onde os interesses econômicos e financeiros ou as alianças políticas estão acima de qualquer coisa. Até bem pouco tempo – se pensarmos históricamente –  esses eram os casamentos mais comuns.

O casamento por amor, que muitos chamam de “casamento romântico” também pode acontecer entre pessoas com muita diferença de idade. Acho que o amor ainda não está extinto e acredito sinceramente que, para quem ama, a idade do outro é o que menos importa.

Existem homens que dizem que não fazem questão de se relacionarem com mulheres muito jovens porque, deixando de lado a aparência física, elas não têm muito à oferecer. Pode parecer preconceituoso, mas se pensarmos um pouquinho veremos que é preciso tempo para adquirir conhecimento e cultura. Para esses homens a relação não se embasa apenas em sexo e aparência, mas também em ter uma boa companhia, com conversas agradáveis, troca de conhecimento, crescimento intelectual mútuo. Eles não descartam o fato de que existem jovens inteligentes, cultas e interessantes, apenas estão abertos à todas as possibilidades.

Existem mulheres que não gostam de homens mais velhos e dizem que eles não acompanham seus ritmos de vida ou não compartilham de seus interesses. Essas muitas vezes enfrentam preconceito por namorarem ou casarem com homens mais jovens do que elas e posso falar desse assunto com conhecimento de causa. A imagem do “golpe do baú” e da “velha tarada” ainda é poderosa em nossa sociedade. As pessoas relutam em acreditar que aquele “garotão” está com aquela “balzaca” ou que aquela “gatinha” escolheu o “tiozinho” porque isso os deixam felizes.

Casamentos com grandes diferenças de idade entre marido e mulher existem em todas as camadas sociais e costumam chamar mesmo a atenção, mas casamento é um contrato de parceria entre duas pessoas e, como em qualquer contrato justo é essencial que haja honestidade em seus termos. Seja qual for o motivo que leva alguém a se unir à outro alguém,  que ambos tenham clareza do que os une e sejam felizes para sempre ou até que o divórcio ou a morte os separem.

Podem me chamar de chata, mas fico pasma com a atitude de certas pessoas.

Primeiro de dezembro é o Dia Mundial de Luta Contra a AIDS, data escolhida em 1987 pela Assembleia Mundial de Saúde com apoio da ONU. Se 22 anos depois ainda precisamos ser lembrados que devemos tolerância, solidariedade, compaixão e apoio às pessoas infectadas pelo HIV e que precisamos reforçar as ações de prevenção, alguma coisa não vai bem não é mesmo? Isso tudo já devia fazer parte do nosso cotidiano, mas lamentávelmente não é bem assim.

Acompanhei no Twitter as mensagens de hoje e, por incrível que pareça, muitas eram piadinhas sobre a doença. Se pensarmos que nessa rede social a maioria tem menos de, digamos, 35 anos e vivem em grandes centros urbanos, a coisa fica bem feia; jovens cosmopolitas supostamente deveriam ser mais bem informados…

Observando as estatísticas dá para entender que atualmente as maiores vítimas de novas contaminações são as mulheres:  se até 1986 havia 15 homens infectados para cada mulher, em 2003 os números mudam drasticamente:continuam os mesmos 15 homens, mas o número de mulheres vai para 10. A contaminação está aumentando entre mulheres na faixa etária de 13 a 19 anos, quer dizer, entre as muito jovens.

Qual o significado disso tudo? Uma das possíveis resposta é que as mulheres não estão levando essa questão á sério. Seja porque confiam no parceiro, seja porque eles se recusam a usar o preservativo e elas ficam com medo de ofender e perder o marido, o namorado, o amante, o caso, o rôlo, o ficante, etc; sentem vergonha de pedir e parecer “sabidas” demais; muitas acreditam que estão em uma relação monogâmica (e às vezes estão mesmo) mas esquecem que os sintomas podem demorar anos para aparecer e elas ou eles não sabem o que se esconde no passado.

Forçar, mesmo que indiretamente, a mulher a manter relações sexuais sem proteção é um ato da mais pura violência.

Falando nisso, 25 de novembro foi o Dia Internacional da Não-Violência Contra as Mulheres e que ninguém fique se iludindo pensando que as mulheres sofrem apenas violência física. Apesar desta  ainda estar muito presente,somos agredidas das mais diversas formas e de maneiras muitas vezes disfarçadas.

Espera-se que as mulheres cumpram o padrão estético das modelos photoshopadas e ridiculamente retocadas para atingir um certo ideal de “perfeição” inexistente e ao lado está  a foto de Juliana Paes que não me deixa mentir. Ser gorda nem pensar, envelhecer jamais…

Pagam-se salários 35% menores para as mulheres em cargos e serviços equivalentes; ainda existem profissões  consideradas “femininas”, como por exemplo, educação infanto/juvenil ou enfermagem. Ouvi relato sobre discriminação contra uma médica  que tentou vaga para fazer especialização em neurocirurgia; foi-lhe dito que esse era um trabalho para homens e sua admissão foi negada. Várias mulheres que estão trabalhando na área de informática denunciam que são olhadas com desconfiança e/ou consideradas lésbicas, porque onde já se viu mulher entender de computador?!

Aliás, chamar de lésbica a mulher que foge dos padrões “ternurinha-forno-e-fogão” é a coisa mais comum. Mulher que não quer casamento nem compromisso sério invariavelmente será chamada de puta em alguns círculos. Mulher que não quer ter filhos será olhada com estranheza… Enfim, a lista dessas violências disfarçadas é imensa!

E que não se culpe apenas os homens – o mundo está cheio de mães, irmãs, esposas, namoradas e amigas educando sucessivas gerações para darem continuidade à tudo isso. Feminismo tosco é muito chato, mas machismo às avessas é lamentável.

O próximo domingo é dia de reunir a mulherada no LuluzinhaCamp aqui em São Paulo, ou seja, dia de discutir um monte de assuntos  — femininos ou não. Aliás isso de dizer que tal assunto é “de mulher” já não faz nenhum sentido.

Muitas entendem de futebol, tecnologias, informática, carros, fotografia, etc e junto vão engatando conversas sobre filhos, maquiagem, estética corporal,arte, pets, tatuagem, sexo, cozinha…estamos muito mais ecléticas e bem informadas. E acima de tudo, temos muito mais liberdade e espaço para discutir tais assuntos.

Conversei outro dia com uma senhorinha de mais de 85 anos, e ela disse: “Minha mãe tinha muito talento para pintura. Pena que meus avós não a mandaram para uma escola especializada. Ela poderia ter sido uma grande artista”. Olhando os quadros que a mãe dela pintou aos 14 anos vi que não era uma afirmação vazia —  havia ali muito talento que foi direcionado para áreas consideradas mais “femininas” na época: o lar, os filhos, os bordados, o “saber receber” e o “saber tratar com a criadagem”.

Nasci quando as mulheres já  “trabalhavam fora” e, graças à pessoas como a senhora Chanel, há décadas tinham se livrado dos espartilhos; podiam até usar “trajes masculinos”, como calças compridas, camisetas e gravatas, tudo misturado com pérolas e correntes douradas. Um luxo!

O comprimento das saias e a altura das cinturas  subiu e desceu, o divórcio finalmente foi implantado no Brasil e as mulheres perderam o estigma de “separadas”. De quebra, homens casados tiveram que inventar outra desculpa para  não assumir os compromissos fora do casamento, apesar de continuarem usando até hoje o clássico “minha esposa é muito doente”! Houve o aumento da presença de mulheres em cargos de responsabilidade e liderança nas empresas e aparentemente os brasileiros deram um passo à frente criando leis específicas para a proteção das mulheres e crianças.

Tudo isso e muito mais costuma ser discutido entre nós. Quando nos reunimos também damos muita risada, às vezes fazemos comentários maldosos, aprendemos muitas coisas novas, falamos de nossos relacionamentos e de nossas esperanças e decepções.

No próximo domingo preciso dar um jeito de disfarçar as olheiras resultantes de noites mal dormidas por causa da reforma do apartamento; não quero ficar com cara de quati albino, com aquela sombra esbranquiçada de corretivo ao redor dos olhos. Ainda bem que tenho filha muito querida que adora vídeo de maquiagem e que me ensinou a resolver esse problema. Como eu disse, nós mulheres aprendemos muito umas com as outras. Sempre.

maquina-de-lavarContinuando a falar das “comemoraçõeshomenagens besteiras que apareceram na imprensa sobre o Dia da Mulher aqui vai mais uma pérola, segundo nota publicada na Folha de São Paulo em 10/03/2009- pg C10:

“O Jornal do Vaticano “L´Osservatore Romano”, publicou artigo no qual afirma que a máquina de lavar talvez tenha feito mais pela liberação da mulher do que o anticoncepcional. Intitulado ” A máquina de lavar e a liberação das mulheres – ponha detergente, feche a tampa e relaxe”, o texto fazia parte da homenagem no Dia Internacional da Mulher”.

Imagino que quem escreveu o texto acha que esse eletrodoméstico nos dá mais tempo para rezar, procriar, cuidar de nossas casas, de nossos filhos e de nossos maridos; quem sabe ir à praia encontrar nossas amigas, ou talvez ao shopping gastar um pouco do dinheiro da nossa mesada, ou se formos mesmo “liberadas”, trabalhar fora de casa e colaborar financeiramente com a família.

Podemos fazer absolutamente tudo com o tempo disponível menos, obviamente, termos uma vida sexual ativa, saudável e prazerosa  que não envolve a reprodução da espécie. Não esqueçam de “fechar a tampa” é o que ele está dizendo.

É esclarecedor que tenham usado a figura da “roupa lavada e limpa” para nos homenagear. Afinal o que mais desejável, ops, indicado do que corpo e alma femininos limpos, puros e reluzentes? Uma alma dedicada aos prazeres, ops de novo, às atividades espirituais e caseiras?

Em última análise, todas as mulheres devem espelhar-se no exemplo de Maria, a que concebeu limpa e pura (lembrem-se que virgindade e concepção não são excludentes,…). É deveras interessante que para a igreja católica  a liberação feminina esteja ligada á esse dogma.

Mais uma vez perderam a chance de se modernizarem, ou de ficarem calados…