Hoje faço aniversário e antes que alguém se empolgue e venha com aquele negócio de “ah que legal!!!!!!”  informo que são muitos anos de vida… muitos mesmo, o que de vez em quando não é legal. Nunca curti muito essa história de aniversariar, nem quando criança, nem quando adolescente e nem depois de adulta.

Quando o clima era mais constante, todos os anos chovia nessa data querida e não era chuvinha amena, era daquelas chuvas de verão do tipo derruba-árvore e as crianças não podiam sair de casa para ir na minha festinha; o bolo simplezinho, os brigadeiros e o guaraná ficavam lá, tristes-tristes, me fazendo companhia e eu não sentia muitas felicidades.

Olho pras minhas ruguinhas e penso que não combinam com :

1-  Dean Winchester. É um sujeito lindo e fico semanalmente torcendo para que ele mate todos os vampiros e lobisomens que encontrar naquelas cidades americanas esquisitas, e de preferência que faça isso sem camisa.

2- O vampiro Eric Northman. Não quero que ninguém o mate, mesmo ele sendo mau e ordinário (e de preferência quero que ele fique sem camisa)

3- Nas mesmas cidades caipiras americanas de Eric reside o lobisomem Alcide. E quem em sã consciência vai querer sua morte ? (nem vou falar da camisa ou da falta dela)

4- Jax Teller. Esse pode se vestir como quiser, mas a moto é essencial. E a trilha roqueira da série também.

Perceberam que tenho um gosto adolescente para séries de TV e seus protagonistas? O mesmo se dá com relação aos filmes; gosto de coisas como a trilogia Senhor dos Anéis, Tubarão, qualquer coisa de Quentin Tarantino, Caçadores da Arca Perdida e suas sequências, Guerra nas Estrelas e suas sequências, Avatar, Harry Potter, e muitos outros como e sses cujos nomes esqueci numa descarada perda de memória o que também não combina com uma senhora com muitos anos de vida.

Amo toda parafernália tecnológica. Usei gravador de voz de fita; passei do VHS para o DVD e agora para  Blu-ray e 3-D e espero poder assistir, se ntada no sofá da minha sala, filmes com imagem holográfica . Conheci o disco 78 rotações, o long-play high-fidelity, o CD e hoje ouço tudo em digital.

Gravei muito arquivo em disquete de 5 1/4 com capacidade de armazenar 360KB ou 1,2 MB, dependendo se eram de simples ou dupla densidade, e fazer isso demorava pra caramba. S e o a rquivo fosse grande precisava usar vários disquetes que ia etiquetando (com etiqueta de papel) e numerando na sequência. Se um desses dinossaurinhos estragasse, não havia drive (que era uma fenda na frente da CPU) que os lesse; era desastre total. Agora é tudo em pen drive e tenho uns que parecem de brinquedo  mas armazenam um montão de Gigas.

No quesito estilo, detesto roupas tipo saco de batatas, disformes e supostamente indicadas para “gente velha”. Detesto aqueles sapatos largos e de saltinho baixo, com cara de ortopédico que deixam o pé como o da Minnie Mouse, lembram dela?

Detesto aquele corte de cabelo batidinho na nuca e que é um “must” entre as velhinhas mais simplezinhas aqui do bairro. Odeio solenemente o estilo “americana brega”, armado, “desfiado” e com toneladas de laquê, como o que Sylvia, mãe de Fran Fine usava no seriado The Nanny, alguém ainda se lembra?

Mas, mesmo com essas referências antigas pululando aqui no blog, devo dizer que tenho uma alma jovem e que neste corpinho com algumas décadas de uso  felizmente bate um coração adolescente e sonhador.





 

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Causou certo frisson a notícia veiculada dias atrás dizendo que o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso foi visto passeando de mãos dadas com Ellen Gracie ministra do Supremo Tribunal Federal.

Não vi nenhum alarde na mídia tradicional, mas nas conversas de botequim e nas midias sociais como o twitter e o facebook, a coisa virou assunto. Os comentários nem sempre foram favoráveis e li alguns deboches; parece que para muita gente o direito de relacionamentos, principalmente em se tratando de mulheres, acaba cedo.

Qual é o problema se houver mesmo um romance entre um homem e uma mulher, ambos saudáveis e absolutamente cientes de seus atos?  Porque pensar que pessoas mais velhas não podem se apaixonar?

A grande meleca é que neste país, como em outros por aí afora, o culto à juventude é uma doença incurável até o presente momento.

Envelhecer fisicamente parece uma praga bíblica a ser enfrentada com todos os exorcismos que a cirurgia plástica pode oferecer. Exige-se a aparência idealizada e divulgada no cinema, editorial de revista de moda, anúncios  e novela. Quem ganha com isso são as academias de ginástica, os fabricantes de cosméticos “anti idade”, as clínicas de cirurgias plásticas… Quem perde somos todos nós que iremos envelhecer um dia.

Parece que depois dos 50 anos as mulheres só podem ser avós; às vezes uma avó “bem apanhada”, mas sempre avó. Não pode mais se apaixonar, não pode amar nem ser amada,  é obrigada a aposentar a sexualidade e o desejo. Puro preconceito de gente desinformada.

Homens tem um prazo de validade um pouco maior graças à outra doença que nos assola: o machismo. Homens mais velhos podem desfilar com suas novas parceiras, desde que elas tenham menos de 40 é claro; de preferência que tenham menos de 30!

O ex presidente é uma pessoa inteligente, bem sucedida, culta, influente em seu campo de atuação e o mesmo se pode dizer da ministra. Fatalmente qualquer coisa que os envolva vai aparecer na mídia porque são conhecidos e portanto, notícia. Mas está cheio de Zés e Marias acima dos 50 anos se apaixonando por aí o que me faz voltar á pergunta inicial: e daí?

Fiquem espertos! O coração não se aposenta cedo não! Se não estiverem satisfeitos com essa verdade, vão cuidar da própria vida e parem de se preocupar com a vida alheia.