E aí Papai Noel?! Tudo bem com o senhor?
Já sei que estou atrasada, que estamos caminhando para a segunda quinzena de janeiro e tal, mas fazer o que? Essa sou eu, uma Lagartixa cuja filosofia de vida de vez em quando é “Demora mas faz” e vou confessar que não tenho nenhum orgulho disso.

Tenho é vergonha de ficar empurrando as decisões com a barriga e por isso mesmo, meu querido, é que quero mudar meu comportamento. Então, como não pedi nada de presente de Natal, vou pedir de Ano Inteiro, pode ser? Ainda dá tempo não é, porque o Natal não acabou, as lojas continuam oferecendo liquidações fantásticas e eu ainda não desmanchei a árvore cheia de pinduricalhos e luzinhas em volta da qual reuni minha amada família para comemorar o seu dia. Vamos à listinha dos pedidos:

Força e coragem para cumprir a meta de levar os cachorros pra passear pelo menos uma vez por dia. Todo ano prometo que vou fazer isso, mas um dia está chovendo, no outro tenho trabalho para fazer, no outro estou esperando uma ligação, no outro… enfim, os bichinhos estão, assim como eu, criando lindos pneus ao redor do abdomem, lembrando que no meu caso é frente e verso, sabe como é?

Determinação para começar e terminar um trabalho de patchwork antes de começar outro porque, fala sério, tem uma hora em que 3 grandes colchas junto com 2 ou 3 caminhos de mesa, 2 panôs e 1 bolsa, esperam pacientemente no fundo do baú o momento em que terminadas, serão gloriosamente exibidas no Twitpic e tudo bem que não faço isso para ganhar dinheiro. Mesmo sendo um hobby, quando percebo que isso está acontecendo de novo, saio correndo para acabar tudo de uma vez e é um stress que vou te contar…acaba com todo o prazer do trabalho.

Cegueira momentânea diante de lojas com coisas lindas e inúteis ou desnecessárias naquele momento, inteligência para perceber que ninguém precisa de 50 pares de sapato, nem de 30 bolsas, nem de trocentas blusas, milhentos vestidos, 8 livros por semana…e por aí vai.

Tolerância com a falta de educação, de bom gosto, bom senso, boa vontade, honestidade, gentileza, dedicação e cidadania das pessoas com quem cruzo nos espaços públicos. E também preciso de compreensão para perceber que o segurança do supermercado está me seguindo porque gostou de mim e não porque me achou com cara de quem vai roubar um um frango e esconder na calcinha. Ou, quem sabe, ficar perambulando é o trabalho dele…

Me dê paciência para não sair no tapa com aquele atendente estúpido; com a vendedora grosseira e desinteressada; com as mães de shopping que levam seus rebentos para correr e gritar pelos corredores e áreas de alimentação; com o sujeito que conversa durante a projeção de um filme como se estivesse na sala de sua casa; com o senhor de meia idade que se acha “o” civilizado e fica na fila (depois de tentar furá-la) falando mal de brasileiro; com o jovem que finge dormir nos vagões dos trens e do metrô para não dar lugar às gestantes, idosos e deficientes; com os motoristas que agem como se estivesse sozinhos na rua. Sei que o senhor é esperto e notou que preciso é de paciência para lidar com grande parte da humanidade, por isso mande muita, mas muita mesmo.

Preciso também de um desconfiômetro que apite quando passo mais de uma hora naqueles joguinhos terríveis e viciantes do Facebook. Diga, bom velhinho, como eles conseguem me fazer acreditar que preciso ficar horas colhendo plantações virtuais, construindo casinhas virtuais, alimentando bichinhos que nem existem, ganhando estrelinhas e experiência, atendendo centenas de pedidos dos “amigos e vizinhos” e as vezes, gastando meu dinheiro real para comprar ferraduras, coroas, ou seja lá qual for o “dinheirinho” do jogo, só para poder terminar uma “missão”? Preciso entender o mecanismo desse hábito porque é muita falta de noção…

Também quero parar de falar palavrão e ser mais sociável, simpática, doce, afável e …. eca! Retiro este pedido.

Nem preciso dizer que fui superboazinha no ano passado. O senhor viu que tirando o mal humor e o desejo arrogante de mudar o mundo, fiz tudo direitinho. Então me atende, por favor, porque senão a coisa vai ficar cada vez mais feia e dia desses saio no jornal estapeando o povo todo. Aí vão me apontar na rua e falar “aquela velha louca!!!” e serei obrigada a esclarecer que a responsabilidade  é toda sua, que me negou coisas simples e necessárias.

Bom Ano Novo!

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Qualquer um com meio cérebro de minhoca sabe que embalagem deve proteger o produto e instruções devem proteger o consumidor. Mas quem nos protege das armadilhas escondidas pelas caixas e pelos Manuais de Instruções?

Fui comprar um creme para os olhos na fútil esperança de mandar os pés de galinhas sapatearem em outra freguesia, mas quem diz que consegui ler as informações da caixinha herméticamente fechada? As letras minúsculas, em branco, foram impressas em papel brilhante azul claro e depois a embalagem foi envolvida em celofane transparente o que deixava tudo super clean, lindo e ilegível. Tive que confiar na vendedora e rezar para meus olhos não cairem.

Comprei um mini ferro para viagem lindinho; parece de brinquedo mas é super potente e tem até vapor, vejam só! Animadíssima li as instruções: “coloque água no reservatório do ferro…”  e aí empaquei.  Sendo o recipiente para colocar água “destacável”, tenho que tirar para abastecer? mas como que tira aquilo meu Deus, será que tenho que puxar mesmo? Arrisquei, puxei, empurrei, rezei e finalmente saiu; e onde devo colocar a água? será ali no mesmo buraquinho por onde está saindo o seletor de temperatura? não pode ser…

Olhei novamente as figuras do manual, olhei o ferro e minha metade de cérebro minhoquístico finalmente viu a luz!  No cabo branco gelo tem uma espécie de tampinha de borracha cinza clarinho e nessa tampinha tem gravado o desenho de um copo derrubando líquido, tudo em cinza, óbvio. Devo ser burra por não ter visto imediatamente que aquele desenho quase invisível era o manual de instrução principal. Mas continuei sem entender porque o recipiente para água é  “destacável”.

Caixa de sabão em pó é outro desafio intransponível para mim.  Na lateral da caixa de uma marca famosa tem uma espécie de lingueta que deve ser puxada e supostamente servirá para manter a caixa fechada após cada uso. Já nem tento mais; arrumei uma lata e coloco todo o sabão lá porque, no dia em que conseguir descolar aquela tira de papelão sem rasgar tudo, serei eleita a Rainha do  Lar, título que não me interessa de jeito nenhum.

Ainda no âmbito doméstico, sabem aquela tripinha de plástico que vem na lata de azeite e que devemos puxar para fazer um bico para servir? Pois é…nunca consegui. Puxo com cuidado e o treco não sai; desisto, fecho a tampinha de plástico, faço dois furinhos em ângulos opostos da tampa da lata e vivo feliz. E ninguém pode dizer que não tentei.

Não vou nem falar dos meus problemas com embalagens feitas de fôlha de plástico duro em cima e papelão em baixo que acomodam pilhas e lâmpadas econômicas, por exemplo, ou umas de plástico contra plástico seladas nas bordas para as quais precisamos usar tesouras, chaves de fenda, dentes…

Não posso ser considerada uma pessoa desastrada e sem habilidades, mas se acreditasse em teoria da conspiração pensaria que os deuses da embalagens e das instruções simplesmente me odeiam.

P.S.: aqui um post  com dicas sobre problemas com embalagens.

De vez em quando incorporo “a louca”! Querem um exemplo?

Passei pela vitrine de uma grande loja de sapatos e acessórios e, óbvio,  lá estava a bolsa dos meus sonhos: de couro macio, cores lindas, quadradona, molinha, com poucos detalhes  e grande o suficiente para levar minha vida dentro dela (agendas, cadernos, netbook, carteira, 2 pares de óculos, maquiagem de emergência, enfim tudo o que uma Lagartixa precisa para seu dia a dia.).

Alucinei e entrei na loja para perguntar o preço e aqui abro um parênteses : sou cliente antiga, o gerente e as vendedoras já me conhecem, quando me vêem chegando é logo um personalizado “como vai Dona Lagartixa?”, dão beijinhos, me preparam para o susto cheios de gentilezas e afagos. Dessa vez não foi diferente.  A Estela, com um sorriso de arcada dentária perfeita tasca o valor assim sem mais nem menos  ali no meio da loja, tranquila tranquila, como se todo aquele dinheiro por uma bolsa fosse a coisa mais normal do mundo.

Será que é? O custo do couro, da mão de obra, dos impostos, do aluguel da loja lá no Shopping, do ar condicionado e dos sorrisos,  justificam esse valor? Será que quero andar por aí com bem mais de um salário mínimo pendurado nos ombros? É provável que essa bolsa dure anos, mas é mais provável ainda que eu enjoe dela ou que ela saia de moda rápidamente.

Pensando bem, é melhor guardar “a louca” em uma das muitas bolsas linda que já tenho e sossegar o facho deixando esse desejo insano junto com aqueles outros tipo um colar de pérolas verdadeiras, um brinco de esmeraldas, um vestido super grifado, umas semanas no spa, todos da mesma espécie: peruíce crônica.

E continuar feliz e sem culpa a ser uma Lagartixa básica carregando menos coisas dentro da bolsa e ficando livre de dores nas costas.