paraquedas-wideEscrever em um blog pequeno e quase desconhecido faz com que me lembre da “louca do saco” que andava pelas ruas da minha infância. A mulher completamente demente, abandonada por tudo e por todos, caminhava a esmo pelo bairro carregando um saco cheio de sabe-se lá o que e murmurava frases incompreensíveis.

Às vezes um ou outro adulto tentava interagir com ela, responder aos resmungos, concordar ou discordar, mas eram poucos. A criançada só ria ou fugia apavorada como cabe à qualquer criança.

No blog é mais ou menos assim: resmungo frases mais ou menos compreendidas, carrego um saco de ideias, e poucas pessoas se dão ao trabalho de ler ou mais raro ainda, de responder. Me deixam lá falando sozinha.

Sou a louca do saco. Não desperto polêmicas, não sou famosa, não trato de nenhum assunto extremamente relevante, mas posso falar do que quiser porque parece que não me levam a sério e quase ninguém se importa com o que tenho a dizer.

A única diferença entre eu e ela é que sei que falo quase que sozinha. Ainda assim acho que sempre vale a pena colocar para fora ideias e convicções.

No mínimo, saber que pouca gente se incomoda com o que você pensa é uma lição de humildade; no máximo, é libertador.

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Não sei se são os hormônios, o efeito estufa ou alguma conjunção astral desfavorável, mas o fato é que não estou com paciência para a falta de educação que se esparrama, feito batatinha quando nasce, pelo chão virtual e real.

Fiquei abestalhada ao ler um post onde a vizinha de apartamento, que reclama de barulho, foi chamada de “velha escrota e mal amada”, que devia “comprar um vibrador e ser feliz”; a blogueira  também questiona  o que a tal senhora  “está fazendo acordada a esta hora”.  Tentar fazer menos barulho, nem pensar. O que vale é insultar e usar para isso todo o arsenal de preconceito disponível.

Na  padaria, comprei várias coisas e fui pagar com o cartão de débito que, suprema modernidade, tem chip. Não passou o débito e a caixa pergunta: “esse cartão é da senhora mesmo?”. Parecia estar pensado que roubei o cartão e fui lá comprar pão, leite e refrigerante.

Fui ao supermercado e na hora que estou passando as compras, um rapaz se aproxima e joga no balcão do caixa, no meio das minhas coisas, um pacote de mortadela e um pãozinho. Fico zangada e pergunto o que é aquilo e porque ele não espera a vez para passar sua compra. O grosseirão, que ao que parece é funcionário do mercado,  me olha ameaçador e diz: “fica na sua!”. Que me sirva de lição para ficar bem longe desse estabelecimento que de barato não tem nada, e apesar de ter futuro no nome, é um dos mais retrógados que conheço.

Na região da rua 25 de Março existem muitas lojas que vendem bijouterias mais em conta. Semana passada vi uns colares legais e, com cuidado para não danificar a etiqueta, coloquei um no pescoço para ver como ficava. Do fundo da loja a funcionária do caixa gritou: não pode experimentar! Não bastasse os 3 seguranças com cara de poucos amigos que vigiavam as clientes com olhos de águia… Não há preço baixo que justifique.

Voltando à blogosfera, as vezes o twitter parece a latrina de um bar de quinta categoria. Jogam-se ali palavrões, comentários escatológicos e frases preconceituosas como se o mundo fosse acabar e fosse necessário gastar todo o arsenal de grosserias que cada um tem.

Longe de mim querer ditar regras. Posso parar de frequentar os estabelecimentos onde não sou bem atendida, ignorar o blogueiro/blogueira mal educados e bloquear pessoas no Twitter, mas isso resolve o problema? Em outros tempos se diria que não há sabão que chegue para lavar tantas bocas…