Feminices


Hoje faço aniversário e antes que alguém se empolgue e venha com aquele negócio de “ah que legal!!!!!!”  informo que são muitos anos de vida… muitos mesmo, o que de vez em quando não é legal. Nunca curti muito essa história de aniversariar, nem quando criança, nem quando adolescente e nem depois de adulta.

Quando o clima era mais constante, todos os anos chovia nessa data querida e não era chuvinha amena, era daquelas chuvas de verão do tipo derruba-árvore e as crianças não podiam sair de casa para ir na minha festinha; o bolo simplezinho, os brigadeiros e o guaraná ficavam lá, tristes-tristes, me fazendo companhia e eu não sentia muitas felicidades.

Olho pras minhas ruguinhas e penso que não combinam com :

1-  Dean Winchester. É um sujeito lindo e fico semanalmente torcendo para que ele mate todos os vampiros e lobisomens que encontrar naquelas cidades americanas esquisitas, e de preferência que faça isso sem camisa.

2- O vampiro Eric Northman. Não quero que ninguém o mate, mesmo ele sendo mau e ordinário (e de preferência quero que ele fique sem camisa)

3- Nas mesmas cidades caipiras americanas de Eric reside o lobisomem Alcide. E quem em sã consciência vai querer sua morte ? (nem vou falar da camisa ou da falta dela)

4- Jax Teller. Esse pode se vestir como quiser, mas a moto é essencial. E a trilha roqueira da série também.

Perceberam que tenho um gosto adolescente para séries de TV e seus protagonistas? O mesmo se dá com relação aos filmes; gosto de coisas como a trilogia Senhor dos Anéis, Tubarão, qualquer coisa de Quentin Tarantino, Caçadores da Arca Perdida e suas sequências, Guerra nas Estrelas e suas sequências, Avatar, Harry Potter, e muitos outros como e sses cujos nomes esqueci numa descarada perda de memória o que também não combina com uma senhora com muitos anos de vida.

Amo toda parafernália tecnológica. Usei gravador de voz de fita; passei do VHS para o DVD e agora para  Blu-ray e 3-D e espero poder assistir, se ntada no sofá da minha sala, filmes com imagem holográfica . Conheci o disco 78 rotações, o long-play high-fidelity, o CD e hoje ouço tudo em digital.

Gravei muito arquivo em disquete de 5 1/4 com capacidade de armazenar 360KB ou 1,2 MB, dependendo se eram de simples ou dupla densidade, e fazer isso demorava pra caramba. S e o a rquivo fosse grande precisava usar vários disquetes que ia etiquetando (com etiqueta de papel) e numerando na sequência. Se um desses dinossaurinhos estragasse, não havia drive (que era uma fenda na frente da CPU) que os lesse; era desastre total. Agora é tudo em pen drive e tenho uns que parecem de brinquedo  mas armazenam um montão de Gigas.

No quesito estilo, detesto roupas tipo saco de batatas, disformes e supostamente indicadas para “gente velha”. Detesto aqueles sapatos largos e de saltinho baixo, com cara de ortopédico que deixam o pé como o da Minnie Mouse, lembram dela?

Detesto aquele corte de cabelo batidinho na nuca e que é um “must” entre as velhinhas mais simplezinhas aqui do bairro. Odeio solenemente o estilo “americana brega”, armado, “desfiado” e com toneladas de laquê, como o que Sylvia, mãe de Fran Fine usava no seriado The Nanny, alguém ainda se lembra?

Mas, mesmo com essas referências antigas pululando aqui no blog, devo dizer que tenho uma alma jovem e que neste corpinho com algumas décadas de uso  felizmente bate um coração adolescente e sonhador.





 

Causou certo frisson a notícia veiculada dias atrás dizendo que o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso foi visto passeando de mãos dadas com Ellen Gracie ministra do Supremo Tribunal Federal.

Não vi nenhum alarde na mídia tradicional, mas nas conversas de botequim e nas midias sociais como o twitter e o facebook, a coisa virou assunto. Os comentários nem sempre foram favoráveis e li alguns deboches; parece que para muita gente o direito de relacionamentos, principalmente em se tratando de mulheres, acaba cedo.

Qual é o problema se houver mesmo um romance entre um homem e uma mulher, ambos saudáveis e absolutamente cientes de seus atos?  Porque pensar que pessoas mais velhas não podem se apaixonar?

A grande meleca é que neste país, como em outros por aí afora, o culto à juventude é uma doença incurável até o presente momento.

Envelhecer fisicamente parece uma praga bíblica a ser enfrentada com todos os exorcismos que a cirurgia plástica pode oferecer. Exige-se a aparência idealizada e divulgada no cinema, editorial de revista de moda, anúncios  e novela. Quem ganha com isso são as academias de ginástica, os fabricantes de cosméticos “anti idade”, as clínicas de cirurgias plásticas… Quem perde somos todos nós que iremos envelhecer um dia.

Parece que depois dos 50 anos as mulheres só podem ser avós; às vezes uma avó “bem apanhada”, mas sempre avó. Não pode mais se apaixonar, não pode amar nem ser amada,  é obrigada a aposentar a sexualidade e o desejo. Puro preconceito de gente desinformada.

Homens tem um prazo de validade um pouco maior graças à outra doença que nos assola: o machismo. Homens mais velhos podem desfilar com suas novas parceiras, desde que elas tenham menos de 40 é claro; de preferência que tenham menos de 30!

O ex presidente é uma pessoa inteligente, bem sucedida, culta, influente em seu campo de atuação e o mesmo se pode dizer da ministra. Fatalmente qualquer coisa que os envolva vai aparecer na mídia porque são conhecidos e portanto, notícia. Mas está cheio de Zés e Marias acima dos 50 anos se apaixonando por aí o que me faz voltar á pergunta inicial: e daí?

Fiquem espertos! O coração não se aposenta cedo não! Se não estiverem satisfeitos com essa verdade, vão cuidar da própria vida e parem de se preocupar com a vida alheia.

Vou direto ao assunto: tenho uma dificuldade gigantesca em memorizar nomes de pessoas, de ruas, de filmes e coisas do gênero. Posso explicar direitinho quem a pessoa é, onde ela trabalha, a cara que ela tem, roupas que usa, mas o nome nem pensar.

Quando quero lembrar o nome de algum ator ou atriz sou capaz de lembrar os filmes, os enredos, os personagens. Então fica uma coisa assim: aquele ator, bandido- médico-surfista-fantasma, que já morreu… Se minha filha estiver por perto, ela dirá: o Patrick  Swayze, né mãe?

Antes que alguém me chame de esclerosada, saibam que esse é um problema que acompanha minha família pelo lado paterno há gerações. Minha avó, tias, tios e meu próprio pai, sempre misturaram os nomes da criançada da família. Para a molecada era normal atender pelo nome de outro quando a vó chamava; é uma coisa genética.

Com essa memória de jaca escolhi a profissão de secretária, quando carregar uma agenda de papel era coisa chique e aproveitando a moda sempre anotava tudo; depois marcava com canetinhas coloridas porque não podia esquecer nada.

Minha formação acadêmica é, vejam que adequado, História. A sorte foi que quando comecei a cursar a faculdade o que valia era entender o “contexto”, a “tessitura”,  “o comportamento social”, o “embricamento”, e não decorar datas e nomes.  Entender as fofocas e os babados históricos “dentro de um contexto social”  permitiu que eu me saisse razoavelmente bem.

Hoje tudo mudou. Agenda agora é o netbook, o celular, o smartfone, o ipod. As redes sociais inundam minha timeline com arrobas que preciso reconhecer. O Facebook oferece fazendas, cafés, cidades de fronteira e outros jogos on line.

Imaginem quantas vezes não enviei uma vaca de presente para aquela senhora americana que é vegetariana convicta e tem um café, não uma fazenda.

Não faço idéia de como superar esse problema, nem de como marcar com canetinha colorida minhas anotações no smartfone. No netbook já consigo…

Tentei o método divulgado por um político que segundo as más línguas roubava mas fazia, não tinha dinheiro no exterior, é casado com uma senhora que usa um litro de laquê nos cabelos e elegeu um prefeito em São Paulo. Esse método ensina a relacionar as pessoas à alguma coisa para depois lembrar o nome delas. Como podem perceber, lembro do político, das fofocas e do método, mas esqueci o nome do sujeito.

Estou contando isso tudo só para me desculpar antecipadamente com você, amigo ou amiga de rede social, cursos em geral, antigos empregos, vizinhos, namorados, etc.. Nunca pensem que o fato de não lembrar de seus nomes seja pouco caso ou esclerose. Lembre-se que é genético!

Tenho TV por assinatura e uma das coisas que mais me irrita é ver séries e filmes reprisados à exaustão. No caso de Sex and the City isso não acontece e acredito que já assisti a série inteira umas três vezes sem  nunca me cansar.

Simplesmente adoro as histórias dessas mulheres unidas por uma grande amizade; adoro o cotidiano da grande cidade; adoro os figurinos, os namorados, os conflitos, os casinhos, os ficantes, e vejam só, eu que não bebo nada alcoólico, acho lindo aqueles drinks!

Para mim o enredo de Sex and the City vai muito além de “festas”,  “procura marido” e “sexo casual”. O que vejo naquelas mulheres é o desejo de sucesso no trabalho e na vida pessoal; é o desejo de encontrar um relacionamento afetivo duradouro, de se manter bonita e atraente não importando a idade; é o desejo de superar os obstáculos oferecidos pelo cotidiano de qualquer mulher. E se isso tudo vem temperado com a presença do Mr. Big, melhor ainda.

Na primeira vez que alguém me chamou de “senhora” confesso que meu mundo caiu!

Estava com mais ou menos 30 anos e assim que pude corri para casa, joguei as sacolas de qualquer jeito sobre o sofá e me plantei diante do espelho procurando rugas, cabelos brancos, pés de galinha, ou qualquer outra coisa que denunciasse minha “idade avançada”.

Na época a perspectiva de envelhecer em um país que cultua a eterna juventude, prometia muitas coisas e a maioria delas, aterrorizantes. Significava flacidez, “vista cansada”, aposentadoria profissional e mental, fim dos romances, roupas largas e disformes ou, sendo mais otimista, almoço com a netaiada aos domingos, novelinha na TV e falta de sono e assunto.

Não sei bem quando isso tudo começou a mudar nem quando o termo Terceira Idade entrou em uso, humm..tsc,tsc,tsc…será falta de memória?, mas vamos ao que interessa: hoje a maturidade está sob os refletores.  As agências de viagem descobriram o filão do turismo interno para as pessoas dessa faixa etária, feito de ônibus nas viagens mais curtas ou de avião, para as mais longas e os países vizinhos; existem grupos organizados que alugam vans e vão ao teatro, cinema, restaurantes, museus, exposições, etc. As lojas de roupas e sapatos oferecem modelos lindos e coloridos e nada do vestido preto e fechado que a nona usava ornando com o terço e  o olhar perdido.

A equação idoso=inútil e/ou dependente está ultrapassada. Homens e mulheres acima de 50 anos estão cultivando a auto estima, permitindo-se a vaidade, cuidando da aparência e a saúde na Terceira idade não é mais tema para conversa chata, mas sim motivo para pesquisas e debates.

Os futuros velhinhos e velhinhas (com todo o respeito, é claro) estão preocupados com seu bem estar e buscam formas para se manterem saudáveis, praticando esportes que vão da tradicional bocha ao tênis, natação. Praticam tai-chi-chuan, dançam, passeiam, curtem a família e os amigos, fazem ioga, frequentam academia, aprendem novos hobbies ou novas profissões e não permitem que a mente envelheça. A aposentadoria é minguada e não dá para pagar academia? Eles fazem caminhadas. Vale tudo minha gente desde que se ponha o corpo e a cabeça para funcionar.

Olhando para essa nova realidade, a Unimed-Rio criou um perfil no Twitter, o @dr_melhor_idade, voltado para esse público, que dá dicas ótimas  sobre saúde, estética, alimentação, relações sociais, etc. Um dos links tuitados leva até uma página com mapa da cidade com sugestões de vários circuitos para quem quer praticar atividade física no Rio.

Envelheceu e acha que sexo não é mais para você? Engano seu, lindona! Siga o link que o @dr_melhor_idade disse e aprenda que apenas passamos a dar mais valor à qualidade e não á quantidade.  Vai entender que isso é decorrente das experiências sexuais que vivenciamos e que foram nos ensinando o que é bom de verdade. Essa história de “broxice” e “frigidez” porque se envelhece é lenda urbana.

Achou o assunto picante? Você é do tipo púdica  e tímida mas comeu uma feijoada no almoço e sente um pouco de azia e de má digestão? Para você, o @dr_melhor_idade receita uma rápida leitura aqui para você  aprender sobre metabolismo e digestão.

Quando me pediram para escrever um texto sobre a Terceira Idade, ou Melhor Idade, como tem aparecido por aí, achei que não teria muito o que dizer, mas conhecer o @dr_melhor_idade me fez mudar de idéia. Sugiro à vocês velhinhos e velhinhas (e os chamo assim com todo o carinho e respeito, é claro) bem informados e plugados na web que sigam o perfil do @dr_melhor_idade no Twitter. Uma infinidade de assuntos e  novidades legais ao alcance de um click! São os tempos modernos, minha gente!!

Ficou interessada e ainda não tem um perfil no Twitter? Crie sua conta aqui e faça parte desse mundo cheio de informações bacanas. Agora, se você não é muito chegada à esse negócio de computador, peça aos seus filhos ou netos que sigam o @dr_melhor_idade e que passem as dicas para você. Simples não!?

P.S.: Quem me chamou de “senhora” pela primeira vez foi uma vendedora educada.

P.S. 2 : Este post é um publieditorial, mas as opiniões são sinceras.

Não sou muito boa nessa coisa de resoluções de fim de ano, nem em planejamentos a longo prazo. Não lembro de nenhum dia 31 de dezembro em que tenha sentado confortávelmente no sofá e pensado “nesse ano vou juntar dinheiro e viajar”, mesmo porque odeio viajar (mas isso é assunto para outro post), ou “comprarei uma geladeira”, ou” vou  iniciar uma dieta da água filtrada e abobrinhas cozidas”, ou” mudarei de emprego”, etc.

Toda vez que planejo um pouquinho mais longe a vaca vai pro brejo. Parece uma invariável cósmica, aquele lance do “universo conspira”… Por isso nunca faço promessas de final de ano.

Há decisões tomadas no calor do momento, tipo “vou matar esse vizinho pagodeiro que liga o som alto das 9 da manhã às 3 da madrugada” ou “vou cortar o pinto desses cachorros mijões”, mas essas obviamente são esquecidas no mesmo instante e só ressucitam mediante a repetição dos fatos geradores. Tem as que já sei de antemão que provavelmente vou descumprir, como a de não jogar mais nada on-line ( comecei FarmVille e CaféWorld no Natal). E tem as que sei que nem adianta, como no caso das “dietas” e “academia”.

Essa história de “comemorar a passagem de ano” não existe pra mim. Pode parecer anti-social, mas nem ligo pra festas de reveillon, não gosto de champanhe, música alta, abraços falsos, multidões e fogos de artifício. Sou uma Ogra consciente e feliz.

Neste dia 31 de dezembro de 2009  peguei a vassoura e varri minha casa criteriosamente. Num ritual inventado na hora, à cada vassourada ia dizendo em voz alta: pra  fora o cansaço, pra fora as doenças, pra fora as guerras, pra fora a falta de dinheiro, pra fora as tristezas,  pra fora a impaciência, pra fora os falsos amigos, e tudo o mais que consegui lembrar. Imaginei que junto comigo estavam a minha família e os meus amigos e que todos nós varríamos o lixo de nossas vidas. Foi ótimo!!

Podem me chamar de chata, mas fico pasma com a atitude de certas pessoas.

Primeiro de dezembro é o Dia Mundial de Luta Contra a AIDS, data escolhida em 1987 pela Assembleia Mundial de Saúde com apoio da ONU. Se 22 anos depois ainda precisamos ser lembrados que devemos tolerância, solidariedade, compaixão e apoio às pessoas infectadas pelo HIV e que precisamos reforçar as ações de prevenção, alguma coisa não vai bem não é mesmo? Isso tudo já devia fazer parte do nosso cotidiano, mas lamentávelmente não é bem assim.

Acompanhei no Twitter as mensagens de hoje e, por incrível que pareça, muitas eram piadinhas sobre a doença. Se pensarmos que nessa rede social a maioria tem menos de, digamos, 35 anos e vivem em grandes centros urbanos, a coisa fica bem feia; jovens cosmopolitas supostamente deveriam ser mais bem informados…

Observando as estatísticas dá para entender que atualmente as maiores vítimas de novas contaminações são as mulheres:  se até 1986 havia 15 homens infectados para cada mulher, em 2003 os números mudam drasticamente:continuam os mesmos 15 homens, mas o número de mulheres vai para 10. A contaminação está aumentando entre mulheres na faixa etária de 13 a 19 anos, quer dizer, entre as muito jovens.

Qual o significado disso tudo? Uma das possíveis resposta é que as mulheres não estão levando essa questão á sério. Seja porque confiam no parceiro, seja porque eles se recusam a usar o preservativo e elas ficam com medo de ofender e perder o marido, o namorado, o amante, o caso, o rôlo, o ficante, etc; sentem vergonha de pedir e parecer “sabidas” demais; muitas acreditam que estão em uma relação monogâmica (e às vezes estão mesmo) mas esquecem que os sintomas podem demorar anos para aparecer e elas ou eles não sabem o que se esconde no passado.

Forçar, mesmo que indiretamente, a mulher a manter relações sexuais sem proteção é um ato da mais pura violência.

Falando nisso, 25 de novembro foi o Dia Internacional da Não-Violência Contra as Mulheres e que ninguém fique se iludindo pensando que as mulheres sofrem apenas violência física. Apesar desta  ainda estar muito presente,somos agredidas das mais diversas formas e de maneiras muitas vezes disfarçadas.

Espera-se que as mulheres cumpram o padrão estético das modelos photoshopadas e ridiculamente retocadas para atingir um certo ideal de “perfeição” inexistente e ao lado está  a foto de Juliana Paes que não me deixa mentir. Ser gorda nem pensar, envelhecer jamais…

Pagam-se salários 35% menores para as mulheres em cargos e serviços equivalentes; ainda existem profissões  consideradas “femininas”, como por exemplo, educação infanto/juvenil ou enfermagem. Ouvi relato sobre discriminação contra uma médica  que tentou vaga para fazer especialização em neurocirurgia; foi-lhe dito que esse era um trabalho para homens e sua admissão foi negada. Várias mulheres que estão trabalhando na área de informática denunciam que são olhadas com desconfiança e/ou consideradas lésbicas, porque onde já se viu mulher entender de computador?!

Aliás, chamar de lésbica a mulher que foge dos padrões “ternurinha-forno-e-fogão” é a coisa mais comum. Mulher que não quer casamento nem compromisso sério invariavelmente será chamada de puta em alguns círculos. Mulher que não quer ter filhos será olhada com estranheza… Enfim, a lista dessas violências disfarçadas é imensa!

E que não se culpe apenas os homens – o mundo está cheio de mães, irmãs, esposas, namoradas e amigas educando sucessivas gerações para darem continuidade à tudo isso. Feminismo tosco é muito chato, mas machismo às avessas é lamentável.

Fui ao cinema ver Lua Nova, a continuação da saga Crepúsculo, que tem como personagem masculino principal não mais um vampiro super bem intencionado chamado Edward Cullen. Nesse episódio quem manda é Jacob Black (Taylor Lautner), o lobisomem que está naquele momento da puberdade onde se passa de pato à ganso, ou nesse caso, de pet à lobo. Jacob sabe consertar motos que estavam no lixão da cidade, mente para os amigos dizendo que está saindo com a menina, fica emburrado, sai batendo a porta e se revolta de vez em quando. Um adolescente quase normal.

Ele vive os conflitos de um garoto apaixonado que não está nem aí para a sonsice de sua amada Bella. É dedicado, protetor, meiguinho mesmo quando vira lobisomem e, para completar, o ator tem a voz de taquara rachada característica dessa fase da vida dos meninos. O pobre e deprimido Edward (Robert Pattinson) quase só aparece nas alucinações de Bella e mal notei sua presença.

Uma coisa me incomodou o filme inteiro: o “hair style” dos atores.Gente nunca vi tanto cabelo feio na vida, tanto laquê, tanto cabelo duro, tanto loiro descaradamente falso. As únicas que se salvam do desastre são Alice, com um corte meio desestruturado e desfiadinho e Vitória, com o cabelo ruivo longo, brilhante e cacheado. E Jacob, é claro, que começa com uma peruca indígena medonha, mas depois fica lindo de cabelo baixinho e arrepiado. Os Volturi, papai Cullen e Jasper usam perucas e penteados que são de chorar; mal consegui acompanhar algumas cenas porque meus olhos iam involuntariamente para aqueles ninhos de mafagafos.

O filme se arrasta com a atriz Kristen Stewart, tentando dar vida(?) à personagem Bella Swan e falhando miseravelmente. Para expressar profunda decepção e tristeza ela dá uns grunhidos e aperta a região do abdomem como se estivesse tomada por espasmos de cólicas menstruais. A menina está deprimidíssima depois do pé na bunda fora que levou de seu amado vampiro e não vi uma lágrima sequer, nem mesmo uns olhinhos marejados; até debaixo de chuva ela mantém os olhos secos. Efeitos especiais bem chinfrins  na hora da transformação dos lobisomens e da luta dos vampiros; no mais, muita maquiagem branca, purpurina, boquinhas vermelhas de gloss e lentes de contatos tão bizarras que não sei como a cidade inteira nunca desconfiou que aquela gente é vampira.

Ainda acho que o tema principal de Stephenie Meyer não tem nada a ver com vampiros nem com lobisomens, mas sim com a questão da castidade e virgindade na vida dos adolescentes. Basta ver os esforços dos personagens para se manterem puros até o casamento e os namoricos inocentes dos amigos do colégio. A atividade sexual nesta história é delimitada pelo beijo e pelo abraço. Só faltou o “aperto de mão”…

O próximo domingo é dia de reunir a mulherada no LuluzinhaCamp aqui em São Paulo, ou seja, dia de discutir um monte de assuntos  — femininos ou não. Aliás isso de dizer que tal assunto é “de mulher” já não faz nenhum sentido.

Muitas entendem de futebol, tecnologias, informática, carros, fotografia, etc e junto vão engatando conversas sobre filhos, maquiagem, estética corporal,arte, pets, tatuagem, sexo, cozinha…estamos muito mais ecléticas e bem informadas. E acima de tudo, temos muito mais liberdade e espaço para discutir tais assuntos.

Conversei outro dia com uma senhorinha de mais de 85 anos, e ela disse: “Minha mãe tinha muito talento para pintura. Pena que meus avós não a mandaram para uma escola especializada. Ela poderia ter sido uma grande artista”. Olhando os quadros que a mãe dela pintou aos 14 anos vi que não era uma afirmação vazia —  havia ali muito talento que foi direcionado para áreas consideradas mais “femininas” na época: o lar, os filhos, os bordados, o “saber receber” e o “saber tratar com a criadagem”.

Nasci quando as mulheres já  “trabalhavam fora” e, graças à pessoas como a senhora Chanel, há décadas tinham se livrado dos espartilhos; podiam até usar “trajes masculinos”, como calças compridas, camisetas e gravatas, tudo misturado com pérolas e correntes douradas. Um luxo!

O comprimento das saias e a altura das cinturas  subiu e desceu, o divórcio finalmente foi implantado no Brasil e as mulheres perderam o estigma de “separadas”. De quebra, homens casados tiveram que inventar outra desculpa para  não assumir os compromissos fora do casamento, apesar de continuarem usando até hoje o clássico “minha esposa é muito doente”! Houve o aumento da presença de mulheres em cargos de responsabilidade e liderança nas empresas e aparentemente os brasileiros deram um passo à frente criando leis específicas para a proteção das mulheres e crianças.

Tudo isso e muito mais costuma ser discutido entre nós. Quando nos reunimos também damos muita risada, às vezes fazemos comentários maldosos, aprendemos muitas coisas novas, falamos de nossos relacionamentos e de nossas esperanças e decepções.

No próximo domingo preciso dar um jeito de disfarçar as olheiras resultantes de noites mal dormidas por causa da reforma do apartamento; não quero ficar com cara de quati albino, com aquela sombra esbranquiçada de corretivo ao redor dos olhos. Ainda bem que tenho filha muito querida que adora vídeo de maquiagem e que me ensinou a resolver esse problema. Como eu disse, nós mulheres aprendemos muito umas com as outras. Sempre.

paredeFinalmente resolvi enfiar o pé na jaca e fazer uma pequena reforma no apartamento onde moro, mas confesso que estou apavorada, trêmula, de coração na mão um pouco ansiosa.

Explico: em 1990,quando me mudei,  na costumeira fase de contar os caraminguás na carteira pouca verba,  o que fiz foi mandar arrancar a forração podre e nojenta desgastada que cobria o chão e pintar as paredes que estavam imundas. Para se ter uma idéia do tamanho  das ruínas,  este apartamento,  havia ficado desocupado por 5 anos mais ou menos, e claro que alguém em algum momento havia esquecido as janelas abertas para a chuva, a poeira e até para bucólicas folhas secas.

Debaixo da forração encontrei um piso de tacos de madeira mais ou menos em ordem, com uns soltos ou  podrinhos aqui e ali, que dei um jeito de substituir. Tempos depois, quando o dinheiro permitiu, mandei passar a máquina para lixar e apliquei Cascolac. Ás vezes penso que esse negócio de “serviços” é uma loteria. O  Cascolac em menos de um ano começou a rachar e ficou uma coisa assim… como direi… toda trincada, rústica. Convivi com isso por muitos anos, e a cada vez que um taco se soltava lá ia eu de cola Cascorez em punho e pááá! grudava o infeliz de volta.

Mesmo sem grana, antes de mudar tive trocar os azulejos e a louça sanitária do banheiro. Não sei se vocês já viram, mas nos anos 70 (época da construção do prédio) o chic era colocar peças em tons inusitados e aqui  o  modismo adotou um marrom meio caramelo escuro e os azulejos “combinantes” eram creme com tulipas laranja. Óbvio que meu delicado aparelho digestivo travou de imediato em protesto à essa maravilhosa decoração em tons de merda dejetos. Mandei arrancar e trocar aquilo, por questões de saúde física e mental.

Passei também pela explosão dos canos de água desse banheiro, que transformou minha humilde morada em uma piscininha instantânea. O bom disso é que eu estava trabalhando e não vi acontecer. O ruim é que o síndico precisou mandar fechar a água do prédio para conter a inundação que avançava para o hall de entrada e ameaçava invadir os elevadores. O péssimo foi quando cheguei à noite e percebi o ódio no coração de cada vizinho.

Por causa desse acidente aquático fui forçada a trocar o encanamento de todo o apartamento o que representou quebra quebra de parede e também de minha conta bancária. Levei tempo para restabelecer a confiança em pedreiro, encanador e pintor.

Então, muitos anos depois, num momento de doidice total, decidi que chegara a hora de dar uma solução para aquele chão horroroso. Agarrei minha querida filha Gabi,   pelo braço e a arrastei num sábado ensolarado, para uma dessas lojas que vendem carpetes de madeira, contando com os palpites a opinião dela para me ajudar na escolha.

Lembro perfeitamente de ter dito ao vendedor que eu dividia a casa com dois cachorros de pequeno porte e, na época, cinco gatos de tamanhos variados ( a Gabi já havia abandonado o ninho). Expliquei que precisava de uma coisa impermeável à xixi e fácil de limpar, que pudesse ser aplicado sobre os tacos  e que coubesse no meu orçamento, como sempre minúsculo.

Saí de lá com um piso clarinho (indo contra os conselhos  da minha assessora especial ),  que em poucos meses começou a estufar graças à irrigação diária que os cachorros providenciavam. Por uma questão de respeito à vida dos animais, passei a manter todas as portas fechadas criando um efeito estufa particular. Mesmo assim, como o tal piso precisa ser limpo com pano úmido, com o passar do tempo a situação foi degringolando e hoje tenho um chão novamente em ruínas (tá, é exagero meu, mas não está sequer decente).

Essas foram mchãoinhas experiência com reformas, até o momento.

Agora, como disse lá no início, decidi que preciso dar um jeito nas coisas por aqui.  Só de pensar no assunto  já está me dando vontade de desistir, mas olhando a foto ao lado percebo que não tenho essa alternativa. Vou respirar fundo, fazer mentalizações de reformas com finais felizes, chorar ali no cantinho e outra hora termino de contar  o que resolvi fazer  porque, além de tudo, este post  ficou um “tijolão”.

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