paraquedas-wideEscrever em um blog pequeno e quase desconhecido faz com que me lembre da “louca do saco” que andava pelas ruas da minha infância. A mulher completamente demente, abandonada por tudo e por todos, caminhava a esmo pelo bairro carregando um saco cheio de sabe-se lá o que e murmurava frases incompreensíveis.

Às vezes um ou outro adulto tentava interagir com ela, responder aos resmungos, concordar ou discordar, mas eram poucos. A criançada só ria ou fugia apavorada como cabe à qualquer criança.

No blog é mais ou menos assim: resmungo frases mais ou menos compreendidas, carrego um saco de ideias, e poucas pessoas se dão ao trabalho de ler ou mais raro ainda, de responder. Me deixam lá falando sozinha.

Sou a louca do saco. Não desperto polêmicas, não sou famosa, não trato de nenhum assunto extremamente relevante, mas posso falar do que quiser porque parece que não me levam a sério e quase ninguém se importa com o que tenho a dizer.

A única diferença entre eu e ela é que sei que falo quase que sozinha. Ainda assim acho que sempre vale a pena colocar para fora ideias e convicções.

No mínimo, saber que pouca gente se incomoda com o que você pensa é uma lição de humildade; no máximo, é libertador.