Sou um pouco antiga e ainda leio jornal impresso em papel, lembram-se dele? Mas faço isso por puro hábito porque, depois de ler o jornal , vou para a Internet conferir se já tem atualização da notícia que me interessa.

No espaço virtual posso encontrar novos detalhes e imagens que o jornal não trouxe, posso escarafunchar outras informações em sei lá quantos sites diferentes, mas como todo mundo já percebeu, a Internet está aí para o bem e para o mal.

É igual faca que tanto serve para descascar laranja quanto para matar alguém. Vamos censurar e proibir as facas?

A lei antipirataria chamada  Stop Online Piracy Act – SOPA que estão tentando aprovar nos EUA é assim, igual faca: tem potencial para proteger direitos autorais mas pode matar a informação gratuita que conseguimos na Internet.

A justificativa do republicano Lamar Smith o principal autor da iniciativa é, para dizer o mínimo, xenófoba; ele diz que a lei visa proteger consumidores, negócios e empregos “de ladrões estrangeiros que roubam propriedade intelectual dos EUA”.  É uma grande bobagem.

Os mal intencionados de qualquer nacionalidade copiam e distribuem informações obtidas de qualquer lugar, não necessáriamente da Internet e, obviamente, a única diferença é a velocidade com que a distribuição é feita.

Mas o mesmo conteúdo que alimenta a pirataria, é para nós os cidadãos comuns, a boa informação imediata e atualizada, a resposta para dúvidas diárias, o vídeo que permite observar se houve ou não manipulação da notícia, a música que está sendo lançada, o filme que estão discutindo e que queremos ver, a série que queremos assistir na TV mas não temos dinheiro para pagar o canal por assinatura, e muitas outras coisas que só encontramos no ambiente virtual.

Posso ser ingênua, mas pirataria para mim é copiar um filme, por exemplo, e vender um monte de cópias na banquinha instalada na calçada, e isso não será coibido nem punido com a censura de sites. Ou copiar uma informação científica e publicar como se fosse sua, quando na verdade não é, o que também não se resolve com censura, mas sim com processos individuais contra os autores da farsa.

É óbvio que as produtoras de filmes, séries e miniséries estão alvoroçadas e apoiando a iniciativa. Elas sabem que muita gente não pode pagar o ingresso do cinema nem a assinatura do canal HBO, e que para esses consumidores em potencial a saida é “baixar” da Internet e assistir o que lhes interessa, sentadinhos na poltrona da sala de suas próprias casas. Se sabem disso, que tal distribuir legalmente músicas, filmes, séries e miniséries ao preço de centavos por download? Nem pensar, não é?

Para o pessoal interessado na aprovação dessa lei, em princípio todo mundo é ladrão, o que é um pensamento idiota. E tome censura e bloqueio de sites, outra idéia ridícula, além do que a justificativa apresentada pelo Sr. Smith lembra um pouco a censura feita pelos nazistas no III Reich, direcionada á produção intelectual de todos que não fossem arianos e que resultou na queima de milhares de livros em praça pública.

A História se repete, a primeira vez como tragédia e a segunda como farsa, já dizia o velho Marx.