Está mais que provado que, no espaço que separa o público e o privado, algumas pessoas pensam que se situa uma latrina e que esse espaço é o seu ouvido. É um tal de gente que fala em público como se estivesse sozinha no subsolo de uma mina com 3.000 metros de profundidade que eu não aguento mais.

Exemplo? Precisei ir almoçar em um restaurante. Escolhi um bem tranquilo, com comida de boa qualidade e quase vazio. Ênfase no “quase”! Na cena, eu, várias mesas vazias e, do outro lado da sala uma mesa com 2 senhores e uma sujeita que falava alto e mais do que a boca.

Não bastasse a verborragia, a conversa, ou melhor, o monólogo, reverberava naquele vazio de uma maneira muito especial. Os assuntos, variações de um mesmo tema, enchiam o espaço com aquela voz arrogante, cheia de si, delirantemente propagandeando seus serviços de assessoria de imprensa ou coisa que o valha, alardeando que era a melhor assessoria para Petshop . Como os dois homens que a companhavam não tinham cara de Cesar Millan nem conseguiam interromper aquela torrente de chatices, precisei pedir para o garçom colocar a comida em embalagem para viagem e sair antes que minha força de vontade sucumbisse ao desejo de gritar CALA A BOCA PÔ!!, coisa que uma dama jamais deve fazer em público.

Nunca entendi porque a moça no ônibus, com celular grudado na orelha, conta detalhes da cirurgia de sua mãe, de seu relacionamento, da briga no trabalho, tudo em alto e bom som  de modo que todos os passageiros escutem.

Se estou em um espaço público, não me sinto obrigada a escutar que fulana é uma vaca que dá pra todo mundo e que fica dando em cima do namorado da sicrana que saiu com o professor da academia porque a namorada dele é uma bruxa que não se enxerga e não vê que é uma baranga e ele é um gato pena que seja gay porque você sabe que todo carinha assim bombado é viado e fica fazendo musculação só prá se exibir igual aquela idiota do 18º andar lá do prédio que só falta dar pros porteiros e quem sabe se não dá porque tem cara de garota de programa e depois fica fazendo cara de santa e…blá, blá,blá.

Para onde será que foram a discrição, o assunto particular, o bom senso, a educação? Devem ter morrido e estão enterrados junto com o Privado .