Um grupo de mulheres da Ucrânia descobriu um novo velho modo de chamar a atenção para suas causas: mostrar o corpo, ficar pelada em público. São causas justas, mas em minha modesta opinião, as manifestantes só aparecem na mídia global por mostrarem os seios pois do contrário, quem iria se importar com protestos que acontecem do outro lado do mundo e que expõem a conivência do governo local com o turismo sexual, entre outras coisas?

Quem se importa com os protestos das mulheres brasileiras contra o turismo sexual aqui no nosso país? Quem se importa com o fato de sermos um dos destinos mais procurados por estrangeiros de classe média na faixa entre 20 e 40 anos, muitos em busca de sexo com meninas de até 10 anos? Uma das muitas reportagens publicadas à respeito mostra que o turismo sexual brasileiro já não se concentra mais nas orla marítima e que está espalhado por todo o país, mas quem se importa? Teremos que tirar a roupa e sair em passeata pela Avenida Paulista?

Quem se importa com a situação de abandono vivida por nossas crianças recem nascidas que são cotidianamente largadas em caixas de papelão, cestos de lixo, sacolas plásticas ou becos escuros? Quem se importa com as crianças e adolescentes que estão nas ruas cometendo pequenos e grandes crimes? Teremos que mostrar nossos seios e sair gritando pela Avenida Presidente Vargas, lá no Rio de Janeiro?

Quem se importa com os idosos no Brasil, empilhados em asilos sem a menor condição de higiene e saúde? Para chamar a atenção e causar impacto, quem sabe teremos que mostrar seios jovens e velhos em praça pública? Será que se ficarmos nuas na Praça dos Três Poderes iremos chamar a atenção?

Quem se importa com a  mulher que percorre dois ou três hospitais públicos e não consegue vaga para se internar acabando por dar a luz na rua ou em uma viatura da PM e que dá graças à Deus pelo bebê estar vivo?

Admiro a mulher que não se importa em se expor ou  ir presa para denunciar os horrores e injustiças que são ignorados pelas autoridades e pela sociedade como um todo.

Não pretendo ser panfletária, mas acredito que está na hora de ficarmos todas de peito de fora aqui no Brasil.