Quem não conhece as fazendas,  cidades, restaurantes, bichinhos de estimação, aquários, ilhas do tesouro, poker, máfia ou vampiros oferecidos no Facebook? Iniciei essa história abrindo um restaurante e, apesar de não curtir muito cozinhar, achei que seria divertido preparar comidinhas de mentira e atender clientes em 2D. Onde será que eu estava com a cabeça? Em pouco tempo já odiava cada uma daquelas pessoinhas que entravam no restaurante – e quando não entravam odiava também; detestava cozinhar e esperar horas para que os pratos ficassem prontos, ou ter que juntar dinheiro para equipar meu modesto estabelecimento. Demorei para desistir do negócio porque cada cadeirinha tinha custado esforço, mas juntei coragem e fechei as portas.

Desistindo de ser o Alex Atala decidi que iria curtir a vida no campo e descansar em paisagens bucólicas. Criei uma fazenda e fiquei maravilhada com os animaizinhos, plantas, árvores frutíferas, galpões e casas. Tudo era lindo até que comecei a perceber que se quisesse a fazenda bonita e próspera tinha que estar lá diariamente! Precisava juntar vizinhos, convidar pessoas que nem conhecia, visitar as fazendas vizinhas,  mandar presentes, pedir presentes… um horror. Mesmo assim fui levando; aumentei o tamanho de minhas terras, criei animais diversos, cobri tudo de neve em pleno janeiro tropical, participei de missões, fiz novos amigos e vizinhos e me preparei para ser a Rainha do Country!  E então a ficha começou a cair.

Até onde aquela fazenda me levaria? Quanto tempo teria que dedicar para que minhas plantações vingassem? Com dor no coração desisti da fazenda e resolvi ser uma pioneira do velho oeste.

Não foi uma decisão sábia. Do mesmo jeito que nos empreendimentos anteriores, criar uma pequena cidade com escola, armazém, silos, agência de correio, saloon, hotel, fundição, posto de trocas, carroças, plantações, casa de séde, curral, galinheiros…tudo demanda tempo, pedidos infindáveis aos vizinhos e amigos, ou, em caso de loucura extrema, gasto de dinheiro real para comprar as ferraduras que são o dinheiro do jogo. Arranjei marido, tive dois filhos, arrumei um cachorro.  Depois de tanto empenho agora apareceu uma espécie de “extensão” da cidade: uma trilha que deve ser percorrida para se alcançar um forte. “Não vá para a trilha Caroline!” você com certeza aconselharia, mas para ter alguns itens na cidade é preciso fazer a tal trilha e lá fui.

Para conseguir muitas das construções, animais e plantas ainda preciso cumprir missões demoradas  e encher a paciência de meus vizinhos pedindo favores. Preciso também rezar para que a joça do jogo que é em flash não trave, para que a desenvolvedora corrija os erros frequentes e para que meus vizinhos não desistam de mim só porque sou pidona.  Um ponto à favor ou contra, conforme a interpretação, é que é tudo em inglês o que me permite saber que iron pans é frigideira, rivets é parafuso, springs é mola e badger é texugo.

Sinto-me forte por não ter sucumbido ao desejo de criar peixes em aquário, jogar poker, formar uma quadrilha de mafiosos, procurar tesouros, vestir bichinhos de estimação ou sair por aí mordendo pescoços. Por enquanto sou apenas uma Fazendeira alucinada desbravando o oeste.

Heeelllppp, help, pleeeaaasssseeee!!!