Qualquer um com meio cérebro de minhoca sabe que embalagem deve proteger o produto e instruções devem proteger o consumidor. Mas quem nos protege das armadilhas escondidas pelas caixas e pelos Manuais de Instruções?

Fui comprar um creme para os olhos na fútil esperança de mandar os pés de galinhas sapatearem em outra freguesia, mas quem diz que consegui ler as informações da caixinha herméticamente fechada? As letras minúsculas, em branco, foram impressas em papel brilhante azul claro e depois a embalagem foi envolvida em celofane transparente o que deixava tudo super clean, lindo e ilegível. Tive que confiar na vendedora e rezar para meus olhos não cairem.

Comprei um mini ferro para viagem lindinho; parece de brinquedo mas é super potente e tem até vapor, vejam só! Animadíssima li as instruções: “coloque água no reservatório do ferro…”  e aí empaquei.  Sendo o recipiente para colocar água “destacável”, tenho que tirar para abastecer? mas como que tira aquilo meu Deus, será que tenho que puxar mesmo? Arrisquei, puxei, empurrei, rezei e finalmente saiu; e onde devo colocar a água? será ali no mesmo buraquinho por onde está saindo o seletor de temperatura? não pode ser…

Olhei novamente as figuras do manual, olhei o ferro e minha metade de cérebro minhoquístico finalmente viu a luz!  No cabo branco gelo tem uma espécie de tampinha de borracha cinza clarinho e nessa tampinha tem gravado o desenho de um copo derrubando líquido, tudo em cinza, óbvio. Devo ser burra por não ter visto imediatamente que aquele desenho quase invisível era o manual de instrução principal. Mas continuei sem entender porque o recipiente para água é  “destacável”.

Caixa de sabão em pó é outro desafio intransponível para mim.  Na lateral da caixa de uma marca famosa tem uma espécie de lingueta que deve ser puxada e supostamente servirá para manter a caixa fechada após cada uso. Já nem tento mais; arrumei uma lata e coloco todo o sabão lá porque, no dia em que conseguir descolar aquela tira de papelão sem rasgar tudo, serei eleita a Rainha do  Lar, título que não me interessa de jeito nenhum.

Ainda no âmbito doméstico, sabem aquela tripinha de plástico que vem na lata de azeite e que devemos puxar para fazer um bico para servir? Pois é…nunca consegui. Puxo com cuidado e o treco não sai; desisto, fecho a tampinha de plástico, faço dois furinhos em ângulos opostos da tampa da lata e vivo feliz. E ninguém pode dizer que não tentei.

Não vou nem falar dos meus problemas com embalagens feitas de fôlha de plástico duro em cima e papelão em baixo que acomodam pilhas e lâmpadas econômicas, por exemplo, ou umas de plástico contra plástico seladas nas bordas para as quais precisamos usar tesouras, chaves de fenda, dentes…

Não posso ser considerada uma pessoa desastrada e sem habilidades, mas se acreditasse em teoria da conspiração pensaria que os deuses da embalagens e das instruções simplesmente me odeiam.

P.S.: aqui um post  com dicas sobre problemas com embalagens.