A região de Higienópolis/Pacaembú deve ser uma das que tem maior número de trabalhadores domésticos por metro quadrado. Não sei se existem pesquisas para validar minha opinião, mas duvido que madames e afins dediquem seu tempo para faxina e  arrumação da própria casa.

Como os moradores das classes média e alta (salvo raríssimas excessões)  não andam de transporte público faço uma pergunta para os 3.500 assinantes da lista Defenda Higienópolis: como é que vocês acham que seus prestadores de serviços domésticos, os vendedores das lojas, os funcionários dos hospitais, dos restaurantes, os bancários, os operários de obras, os funcionários do prédio, etc., etc.,  que moram na periferia da cidade conseguem vir trabalhar? Teleporte ou usando metrô, onibus e trens?

O preconceito embutido  na expressão “gente diferenciada”  usada pelos “defensores” do bairro é o mesmo de quem acha que negro é inferior, que nordestino é sujo, que pobre é perigoso; é o preconceito de quem se acha bacana demais só porque deu sorte de nascer em uma família financeiramente privilegiada ou porque conseguiu juntar um dinheiro no banco; pessoas alienadas que talvez pensem que são duendes e fadas que executam todo o trabalho que elas sequer reconhecem ou sabem fazer.

Acreditar que estação de Metrô traz insegurança ao bairro é idiotice: a estação servirá aos mesmos que hoje chegam de onibus e trem e se localizada em ponto estratégico vai permitir que os moradores mais conscientes deixem seus carros em casa; contribuirá para que o ar desta área chamada de nobre seja menos poluído e para que o trânsito flua melhor; permitirá que as pessoas trabalhem mais felizes e bem dispostas porque não sofreram para chegar ao trabalho.

Se vai acontecer um churrascão com pagode e protesto na porta do shopping eu não sei, mas está na hora do governo – que é responsável pelas obras do Metrô –  mostrar à quem serve: se à maioria da população que o elegeu ou se á uma minoria privilegiada e preconceituosa. As cartas estão na mesa, se ligue Governador!