De vez em quando incorporo “a louca”! Querem um exemplo?

Passei pela vitrine de uma grande loja de sapatos e acessórios e, óbvio,  lá estava a bolsa dos meus sonhos: de couro macio, cores lindas, quadradona, molinha, com poucos detalhes  e grande o suficiente para levar minha vida dentro dela (agendas, cadernos, netbook, carteira, 2 pares de óculos, maquiagem de emergência, enfim tudo o que uma Lagartixa precisa para seu dia a dia.).

Alucinei e entrei na loja para perguntar o preço e aqui abro um parênteses : sou cliente antiga, o gerente e as vendedoras já me conhecem, quando me vêem chegando é logo um personalizado “como vai Dona Lagartixa?”, dão beijinhos, me preparam para o susto cheios de gentilezas e afagos. Dessa vez não foi diferente.  A Estela, com um sorriso de arcada dentária perfeita tasca o valor assim sem mais nem menos  ali no meio da loja, tranquila tranquila, como se todo aquele dinheiro por uma bolsa fosse a coisa mais normal do mundo.

Será que é? O custo do couro, da mão de obra, dos impostos, do aluguel da loja lá no Shopping, do ar condicionado e dos sorrisos,  justificam esse valor? Será que quero andar por aí com bem mais de um salário mínimo pendurado nos ombros? É provável que essa bolsa dure anos, mas é mais provável ainda que eu enjoe dela ou que ela saia de moda rápidamente.

Pensando bem, é melhor guardar “a louca” em uma das muitas bolsas linda que já tenho e sossegar o facho deixando esse desejo insano junto com aqueles outros tipo um colar de pérolas verdadeiras, um brinco de esmeraldas, um vestido super grifado, umas semanas no spa, todos da mesma espécie: peruíce crônica.

E continuar feliz e sem culpa a ser uma Lagartixa básica carregando menos coisas dentro da bolsa e ficando livre de dores nas costas.