A presença da esposa de Michel Temer na posse de Dilma Rousseff  causou febre alta no Twitter. A moça, quarenta e tantos anos mais jovem que o marido, bonita, com longos cabelos loiros presos em uma trança lateral (que mostrava a tatuagem do nome de Michel feita na nuca) e vestida com blusa de um ombro só, tinha ares de estátua grega. Possivelmente a indumentária, a maquiagem e o penteado foram meticulosamente estudados para criar essa impressão, afinal a imagem de Marcela seria transmitida e replicada para milhões de pessoas.

O aparecimento tão marcante daquela moça ao lado do marido com aparência de pai ou avô, levantou polêmicas e chacoalhou opiniões  sobre o que levaria a jovem a se casar com um homem tão mais velho e, quem sabe, com interesses muito diferentes dos dela, ou não; e  aqui e aqui estão posts ótimos sobre esse assunto . O casamento deles em 2003 pegou muita gente de surpresa.

Imagino que muitas mulheres casam-se com homens mais velhos objetivando a  segurança e responsabilidade que eles podem trazer ao compromisso.  Uma parcela dos jovens mancebos talvez não esteja  apressada em constituir família, ter filhos, assumir despesas, morar junto e enfrentar as dificuldades que a união pode trazer. Nota-se de alguns anos para cá uma tendência das famílias em manter seus filhos e filhas por perto, dando-lhes apoio financeiro e abrigo até os 35 anos, ou mais. É a chamada adolescência tardia e, se para os pais é uma espécie de adiamento do corte umbilical, para os filhos é uma conveniência interessante, já que lhes dá condições de procurar o emprego dos sonhos, fazer a faculdade, a pós graduação, o doutorado, o mestrado, fazer as viagens que deseja, ou aproveitar o simples ócio sem ter que dar muitas satisfações.

Homens mais velhos em geral já estão social e financeiramente estabilizados; já têm carreira sólida; já descobriram o que querem da vida e como realizar esses objetivos. A melhoria das condições sociais e financeiras podem também funcionar como um afrodisíaco tornando o homem que as oferece um sério candidato a marido. Não há nada de errado em querer melhorar de vida, desde que os meios sejam lícitos.

É preciso também considerar que muitos homens mais velhos despertam respeito e admiração por sua inteligência e charme e conquistam mulheres muitos anos mais jovens, construindo casamentos longos e estáveis. Wood Allen e Charles Chaplin não me deixam mentir. E quem aos 15 ou 16 anos não se apaixonou pelo professor décadas mais velho que atire o primeiro punhado de arroz.

Homens em posição de poder também podem ser muito atraentes para algumas mulheres; podem trazer a estabilidade que muitas precisam para seguirem felizes em suas vidas e em contrapartida, fazerem seus maridos felizes. A troca de interesses materiais não é necessáriamente condenável e se um pode ajudar, por exemplo, na carreira profissional do outro, qual o problema?

Não sei se ainda existem os casamentos impostos pelas famílias, onde os interesses econômicos e financeiros ou as alianças políticas estão acima de qualquer coisa. Até bem pouco tempo – se pensarmos históricamente –  esses eram os casamentos mais comuns.

O casamento por amor, que muitos chamam de “casamento romântico” também pode acontecer entre pessoas com muita diferença de idade. Acho que o amor ainda não está extinto e acredito sinceramente que, para quem ama, a idade do outro é o que menos importa.

Existem homens que dizem que não fazem questão de se relacionarem com mulheres muito jovens porque, deixando de lado a aparência física, elas não têm muito à oferecer. Pode parecer preconceituoso, mas se pensarmos um pouquinho veremos que é preciso tempo para adquirir conhecimento e cultura. Para esses homens a relação não se embasa apenas em sexo e aparência, mas também em ter uma boa companhia, com conversas agradáveis, troca de conhecimento, crescimento intelectual mútuo. Eles não descartam o fato de que existem jovens inteligentes, cultas e interessantes, apenas estão abertos à todas as possibilidades.

Existem mulheres que não gostam de homens mais velhos e dizem que eles não acompanham seus ritmos de vida ou não compartilham de seus interesses. Essas muitas vezes enfrentam preconceito por namorarem ou casarem com homens mais jovens do que elas e posso falar desse assunto com conhecimento de causa. A imagem do “golpe do baú” e da “velha tarada” ainda é poderosa em nossa sociedade. As pessoas relutam em acreditar que aquele “garotão” está com aquela “balzaca” ou que aquela “gatinha” escolheu o “tiozinho” porque isso os deixam felizes.

Casamentos com grandes diferenças de idade entre marido e mulher existem em todas as camadas sociais e costumam chamar mesmo a atenção, mas casamento é um contrato de parceria entre duas pessoas e, como em qualquer contrato justo é essencial que haja honestidade em seus termos. Seja qual for o motivo que leva alguém a se unir à outro alguém,  que ambos tenham clareza do que os une e sejam felizes para sempre ou até que o divórcio ou a morte os separem.