Sou um tanto avessa às cerimônias, sejam elas posse presidencial, entrega de premios, casamentos, batizados, e por aí afora. Mas não resisti e assisti, como milhões de brasileiros e brasileiras (para adotar a forma da Presidente se expressar), a posse de Dilma Rousseff pela televisão.

Confesso minha futilidade dizendo que estava ansiosa para ver o vestido, o penteado e a maquiagem que ela usaria. Não me decepcionei; achei a Presidente elegante e vestida de acordo com a ocasião. Só faço um aparte com todo o respeito: Dilma precisa aprender a andar com mais elegância e leveza senão fica parecendo uma pata choca de 150 kilos no convés de um navio em meio a uma tempestade! É facil Presidente Dilma, basta juntar as pernas, alinhar os pés para frente  e coloca-los um diante do outro, nem precisa carregar livro na cabeça.

Outra coisa sobre o que precisam alertá-la é o sorriso. Quando ela sorri abertamente fica bonita e simpática; quando dá o sorriso contido, com a boca semi-aberta, mostrando apenas os dois dentes da frente, fica com cara de coelha e parece desconfortável e falsa. Ser elegante e bonita não tira a autoridade de ninguém.

Passando às coisas sérias, Dilma se emocionou e me emocionou ao assumir seu lado “mãezona” dizendo que: ” A partir desse momento, sou a presidenta de todos os brasileiros”   e ao levar a filha Paula com ela.

No seu discurso de posse Dilma disse que quer que “todas as brasileiras sintam o orgulho e a alegria de ser mulher” e ela deve saber que isso não será fácil.

Acompanhando o notíciario de jornais e TV, ouvindo as conversas alheias nos ônibus e no metrô, conversando com as pessoas, observando as estatísticas da violência, percebemos que ainda vivemos em meio a um profundo desrespeito com as questões femininas.

Exemplo típico e imediato foi o comportamento dos internautas. Muitos comentaram a beleza da jovem mulher de Michel Temer em oposição à “feiúra” das petistas e sequer deram importância ao fato de uma mulher estar assumindo a presidência do país. Para esses internautas  importante é ser bonita e só. Muitos também fizeram e/ou replicaram piadas de gosto  duvidoso  sobre a orientação sexual da presidente, com insinuações extremamente maldosas. No raciocínio desses, mulher forte tem que ser “macho”; não aceitam que mulher pode ser inteligente, feia, bonita, gorda, magra, alta, baixa, rica, pobre, jovem, velha… e poderosa; em seus pensamentos rasos poder não combina com feminilidade. É contra esse tipo de preconceito que a Presidente terá que lutar, entre tantos outros.

É com a questão da violência física e psicológica contra as mulheres que Dilma terá que se ver caso queira mesmo resgatar a dignidade da mulher no Brasil.

A Presidente disse em seu discurso que vai dar atenção à educação, atrelando ensino de qualidade á valorização dos “professores e professoras”, dando à eles remuneração adequada e formação continuada; prometeu também apoiar as prefeituras para aumentar vagas nas creches e pré-escolas, e aqui a Presidente – caso cumpra sua promessa – estará realmente prestando um enorme serviço às brasileiras, pois dará à elas condição de irem para seus empregos deixando seus filhos em segurança.

Como boa administradora, falou em usar os recursos do Pré-sal com cuidado e atenção, como faz a dona de casa com seu orçamento doméstico. Quer que o dinheiro dure e se transforme em “qualidade de serviços públicos, na redução da pobreza e na valorização do meio ambiente”. Mas falou pouco sobre meio ambiente, dizendo apenas que é possivel crescer sem destruir o meio ambiente, utilizando energia limpa e preservando reservas naturais e florestas. A intenção é muito boa, agora como diria Garrincha, falta combinar com os adversários.

Falou em imprensa livre, disse que não guarda rancor ou mágoa numa clara alusão ao período em que foi perseguida, presa e torturada pela ditadura, prestou homenagem à Lula e à José de Alencar, enfatizou a erradicação da “miséria absoluta” e a necessidade de uma classe média forte e sólida.

Agora nos próximos 4 anos a Presidente Dilma Rousseff terá que nos mostrar que não é apenas uma mulher no poder, mas que é “a” mulher no poder. Precisará ignorar as tolices de um feminismo de boutique que tentou fazer com que ela nomeasse mulheres para cargos nos ministérios apenas por serem mulheres.

Precisará deixar claro que independente de ser homem ou mulher, independente de pertencer à alguma das minorias étnicas ou de orientação sexual; independente de pertencer à essa ou aquela religião ou camada social, as pessoas que estarão com ela governando o país serão pessoas de bem, dignas de nosso respeito e confiança.

Peço humildemente que a senhora não me desaponte, Presidente Dilma Rousseff.