Quando filhos aprontam ou se expõe à situações de risco é de se esperar que papais ou mamães corram em seu socorro. Faz parte do ato de cuidar da própria espécie.

O que não entendo é como os pais podem ser tão alheios ao caráter e aos comportamentos de seus filhos ao ponto de acreditar piamente que, no episódio que ocorreu na Avenida Paulista aqui em São Paulo, os pobre rapazes apenas reagiram à uma provocação. A mãe de um deles disse na televisão que os “meninos” estavam lá na delegacia “chorando”… O advogado de defesa declarou que os “garotos” apenas reagiram numa briga. Caso não fossem detidos estariam rindo…

Incompreensível também é que a autoridade encarregada de decidir sobre o que fazer com esses jovens resolva simplesmente os colocar de volta às ruas, alegando que eles não oferecem perigo à sociedade, apesar dos graves ferimentos da vítima. Se eles são inofensivos, quem será perigoso?

É legítimo pensar que se 5 jovens se juntam para espancar 1, o ato é violento, abusivo, covarde e selvagem. Ou será que esses adjetivos só se aplicam aos meninos pobres da periferia?

Quando alguém joga a vítima no chão e lhe aplica chutes na cabeça estará pensando apenas em desmanchar o penteado do pobre coitado? E a corrida brincalhona ao final enquanto fugiam dos seguranças que foram em socorro do jovem agredido, seria uma demonstração de arrependimento?

Nos dias que se seguiram os jornais noticiaram que um ou dois deles possuia histórico de expulsão de colégios por mal comportamento e mostraram que  frequentavam páginas no Orkut que incentivam a violência. O depoimento de uma das testemunhas diz que os espancadores agiram porque a vítima era “veado”, de acordo com o que ouviu dos adolescentes.

Olhando para todas essas coisas, gostaria de saber desses papais e mamães o que eles estavam pensando quando autorizaram meninos de 16 anos a ficarem nas ruas até a seis da manhã? Acharam que estavam criando adultos responsáveis? Acharam que deixando os filhos à vontade eles aprenderiam como se comportar frente às diferenças?

Os pais se esqueceram que dizer NÃO também é educar? Do que esses pais têm medo? Será que temem perder o amor dos filhos se forem um pouco mais rigorosos? Ou querem evitar serem vistos como “antigos”, “ultrapassados”, “por fora”, “careta” ou seja lá qual for o termo que se usa hoje ?

Chego à conclusão que além dos filhos, precisaremos rever conceitos e reeducar certos pais explicando à eles que permissividade e desinteresse  nunca foram sinal de amor.

Ou continuaremos a ver cenas como essa cada vez com mais frequência.