Desconheço totalmente o mercado financeiro, os grandes investidores e suas ações; sou uma humilde correntista que deposita o salário no banco e usa o cartão de crédito com cuidado.

A frase acima pode soar como desnecessária e sem interesse, mas o que vou contar a seguir, provará que não é bem assim.

Fui convidada para assistir um encontro promovido pelo Banco Itaú sobre Sustentabilidade e Mercado Financeiro, o que devido à confissão que fiz no 1º parágrafo poderia transformar esse convite em uma coisa sem sentido não é mesmo?

Mas ganhei um conhecimento extra que vou dividir com as(os) queridas(os) leitoras(es). Apesar de entender praticamente lhufas dos termos técnicos/econômicos/jurídicos usados pelos participantes da mesa e nem saber que existiam tantas leis tratando do assunto, descobri que as instituições financeiras  podem eventualmente ser consideradas co-responsáveis pelos projetos que financiam caso eles causem danos ambientais.

Essa questão legal junto com a pressão da sociedade por um novo comportamento responsável no que diz respeito às questões dos direitos humanos e da preservação do meio ambiente, somada à ética particular de cada uma, provavelmente deve levar as  instituições a terem um especial cuidado com onde colocam seu rico dinheirinho.

Numa “viajada” podemos imaginar assim: o Banco  recebe as moedinhas de Dona Lagartixa e de muitos outros depositantes, incluindo os tubarões, leões, tigres, etc. Então o grupo Atomic Explosion Corporation vai lá no banco e pede dinheiro emprestado para construir uma usina nuclear no meio da floresta, bem ao lado do rio.

O Banco  que não é bobo nem nada, pede educadamente que eles apresentem seus projetos, detalhando tudo o que vai ser feito para a construção da tal usina, quais os processos de controle, quais os riscos apresentados para a Natureza, como vai ser o funcionamento quando a usina estiver pronta, etc.. Depois uma área específica do Banco, composta por gente que entende do riscado, analisa as informações.

É a chamada “Gestão de Riscos” que vai analisar o “tripé-desastre” : pode acontecer/certamente acontecerá/talvez aconteça, e decidir se o dinheiro será emprestado ou não dependendo do impacto econômico, social e ambiental que a usina trará.

Pelo que ouvi no encontro, os governos criam e impõem regras; as empresas discutem hoje como podem influenciar de maneira positiva no comportamento do consumidor para que ele também se conscientize de suas responsabilidades com o meio ambiente; organizações não governamentais mantém o assunto em pauta; os investidores pode escolher aplicar seu dinheiro em instituições financeiras responsáveis e alinhadas com a preservação ambiental , etc.

Podem me chamar de Lagartixa Deslumbrada  mas fiquei feliz em descobrir que o Capital está preocupado com o Meio Ambiente, não porque seja “bonzinho”, mas sim porque hoje em dia não é mais possível fingir que isso é assunto de  conversa de hippies desocupados. O planeta agradece!