Os assuntos que dão título à este post estão em evidência. Vejamos:

1 – Há alguns anos que em vários países acontece durante o mês de outubro uma campanha chamada Outubro Rosa destinada a alertar, informar  e orientar mulheres de todas as idades com relação ao câncer de mama.  O símbolo do movimento apareceu em 1990, na cidade de Nova York, quando a Fundação Susan G. Komen for the Cure distribuiu um lacinho cor de rosa para os participantes da 1ª Corrida pela Cura. Daí para frente o movimento espalhou-se por outros países com eventos anuais destinados á chamar a atenção para o problema.

Aqui no Brasil, além da dificuldade de diagnóstico precoce devido à falta orientação para o auto-exame e da falta de equipamentos para mamografia nos hospitais públicos e postos de saúde, temos também grande dificuldade de tratamento porque faltam vagas na rede pública para o atendimento quimioterápico. Segundo a mastologista Maíra Caleffi, presidente da FEMAMA, leva-se em média 188 dias entre o diagnóstico e o início do tratamento pela rede do SUS. Tendo em conta que à cada milímetro que o tumor aumenta diminui 1% da chance de cura, dá para imaginar o horror dessa situação no nosso país.

2 – Frequentemente o aborto vira tema de campanha política. Candidatos são contra ou à favor, dependendo de para onde sopram os ventos das pesquisas, sem nenhum aprofundamento da questão. Tudo o que interessa é agradar essa ou aquela corrente religiosa no afã de angariar votos. Pouco importa o número de mulheres que morrem ou sofrem sérias sequelas físicas e psicológicas devido aos abortos clandestinos ou não. Importa menos ainda as causas dessas gestações indesejáveis ou impossíveis de serem levadas à termo. O que interessa é manter escondido que, segundo pesquisas realizadas pela UnB junto com o Instituto de Bioética, Direitos Humanos e Gênero, uma em cada 7 mulheres brasileiras, com idade entre 18 e 39 anos, já abortou. O que torna isso um assunto de saúde pública e não de campanha política.

3 – Mensagens políticas ocupam a timeline no Twitter, no Facebook, nos vídeos do Youtube e na caixa de entrada de e-mail. Já recebi mensagem divulgando previsões de uma vidente (que por sinal está morta há uma década), antevendo cobras e lagartos supostamente sobre Dilma Roussef  num quase apocalipse tropical. Além disso recebo inúmeras piadas preconceituosas e  sem nenhuma graça sobre o presidente Lula, sobre Dilma e sobre o PT.  Sobre o candidato José Serra ainda não recebi nada; talvez o senso de humor dos petistas esteja em baixa ou eles não me detectaram ainda, felizmente. A potencial viralidade  da Internet vem sendo usada da maneira mais mal intencionada e manipuladora possível e fico aqui pensando se alguém ainda acredita nessas tolices e muda seu voto por isso.

Eu votarei no candidato que tiver coragem e decência para enfrentar as questões de saúde nesse país de maneira séria e planejada e pouco me importa à que partido ele pertença. No candidato que encontrar meios para construir e equipar hospitais públicos sem maracutaia de propinas; no que consiga soluções para contratar médicos e funcionários suficientes para atender a população com competência.

Votarei no candidato que encarar o desafio de colocar aulas de educação sexual em todas as escolas para dar ao jovem informações além das que ele obtém nos filmes, novelas, letras de funk e pagode, redes sociais, etc. Elegerei o candidato que entenda que esclarecer e educar vai além da questão religiosa e do falso puritanismo e que a vida depende do conhecimento.

Por isso tudo senhor José Serra e senhora Dilma Roussef, até o presente momento nenhum dos dois tem o meu voto nem o meu respeito já que não apresentaram um programa honesto e possível de ser implementado sobre essas questões, que atingem principalmente as classes menos favorecidas e por tabela as mais ou menos favorecidas também. As super favorecidas não ligam para isso, portanto não precisam se preocupar com elas.

Em minha opinião, nesta campanha não há programa de governo, apenas programa de televisão. Se estivéssemos no Twitter agora era o momento de dizer #ficadica ou #prontofalei; aqui no blog é hora de dizer tchau.