Por razões profissionais sou obrigada a comer uma ou duas vezes por semana em um shopping chic aqui de São Paulo.  É isso ou a padoca mal encarada, então vou para o shopping. Faço o estilo bandejão e  tento ler um livro enquanto almoço mas é impossível: barulho, agitação, conversas, gente aos gritos no celular  e outras coisinhas do gênero impedem a concentração e acabo passando ao meu segundo esporte preferido: observar as pessoas e seus comportamentos. Vejam que é quase um estudo sociológico!

Ultimamente tenho notado dois tipos: um que andava meio sumido e outro que infelizmente nunca desapareceu.

O primeiro (que há tempos eu não via), é a Perua Descolada.
Trata-se de uma mulher entre 30 e 45 anos que tenta aparentar 18. Veste-se “na moda”, usa o cabelão comprido, loiro e esculpido na chapinha; se está de jeans estará também com tênis de grife num shape esportivo de boutique; se estiver de saia, será curta e se for vestido será decotado e sem mangas, ambos para exibir o bronzeado estilo “vivo na praia”.
Aparentemente nada diferencia essa “exibida”  de qualquer outra mas sabem o que faz essa perua se destacar? O chiclete!
É impressionante o estilo que essas mulheres adotam para mastigar a guloseima: boca aberta, aquela pelota colorida sendo jogada de um lado para outro e o barulho indefectível que acompanha esse comportamento pseudo-despojado. Gente, é de lascar! Será que elas pensam que “ser jovem”  é ser insuportável?

E falar em insuportável me leva ao segundo tipo de perua, aquele que nunca desapareceu: a mãe imperturbável. Sabem aquela, quase sempre na faixa dos 30, que vai ao shopping com os filhos e leva a babá junto, mesmo que “os filhos” se resuma a um? Então…é dessa que quero comentar.

Essa mamãe-perua pega a babá, o carrinho de bebê, e claro, filho ou filhos. Vai para a praça de alimentação ou para os restaurantes e solta os pimpolhos no mundo.

É um tal de criança chorando alto,  correndo entre as cadeiras, caindo entre as mesas, atropelando as pessoas, derrubando outras crianças ou gritando  enquanto a Zen-mãe olha para tudo com um ar de santidade e de ausência que só pode ser explicado pelo uso de medicação pesada. De vez em quando a pobre babá tenta segurar uma ou outra criança e é repelida à pontapés e gritos enquanto a mãe continua lá com cara de paisagem.

Por mim, o tipo Perua-descolada poderia continuar sumido e o tipo Perua-zen-mãe sumir de vez, mas acho que estou pedindo demais aos deuses e é melhor ver essas coisas do que ser cega, não é mesmo?