Não sou fã da série. Nunca curti o médico tipo sabichão grosseiro e mal humorado com barba por fazer (aliás a barba concretizava o aspecto “doutor troglodita”).

Nunca entendi porque uma equipe com acesso à remédios de última geração, equipamentos médicos moderníssimos  e doutores formados em ótimas universidades precisava de 10 diagnósticos errados para achar um correto. O sofrimento que Dr. House e sua equipe infringe aos pacientes e a seus familiares  é digno de qualquer manual de tortura.

Distanciamento, frieza, sarcasmo e mal humor do médico, tudo é atribuído á uma cirurgia mal sucedida feita na perna do personagem que deixou como sequela dores intensas, dores que o transformam em um viciado em analgésicos.

Nos poucos episódios que já tinha assistido vi o ator Hugh Laurie demonstrando sarcasmo, tédio e indiferença; nenhuma expressão facial, nenhum diálogo que justificasse o estardalhaço em torno da série e de seu ator principal.

Mas -como se aprende na filisofia budista- tudo é impermanente; as coisas todas estão em constante mudança e opinião é uma delas. Assisti por acaso o episódio que mudou minha maneira de ver o personagem.

Se você é fã da série e ainda não assistiu o 21º episódio da 6ª temporada pare de ler imediatamente. À partir daqui vou contar detalhes que não interessam à quem ainda não assistiu e saber deles antes do tempo vai tirar toda a graça. Depois não diga que não avisei.

Finalmente, nesse que é o último episódio da temporada, Dr. House se humaniza. Ao prestar socorro no local de um grande desabamento o médico se depara com uma vítima que vai arrancar aquela casca grossa e mostrar um ser humano e sensível como nunca se viu.

E aí sim se justifica a fama de Hugh Laurie. A voz, a postura, o rosto e o olhar do ator mudam de forma impressionante e mostram um homem realmente sensibilizado pela dor de outra pessoa; vi lindos olhos azuis cheios de lágrimas e emoção; vi um homem se arriscando para salvar uma vida e perdendo o jogo. Vi um homem derrotado sendo tentado pela saida mais fácil; vi um homem de carne e osso sendo redimido pela solidariedade e vi um homem capaz de ouvir “eu te amo” sem fazer cara de descrente.

Pode parecer piegas mas não é. Foi episódio cheio de tensão, tristeza e emoções à flor da pele.

Um episódio que mostra que Dr. House tem um coração apaixonado batendo debaixo do blusão de couro. Aleluia!!