Sou corinthiana de raiz; a parentada inteira é corinthiana. A negra ovelhice coube ao meu irmão que torce solitário para o Palmeiras e a família, que até hoje não entende esse desvio, acabou aceitando na boa.

Apesar de gostar de futebol não consigo acompanhar os trocentos campeonatos ou as inúmeras tabelas classificatórias. De repente jogar futebol virou profissão bem remunerada. Jogador virou entrevistado nas revistas de fofoca e notícia nas crônicas policiais, além de pular de galho em galho buscando melhores contratos.O amor à camisa é coisa do passado.

Mesmo assim assisto um ou outro jogo do Timão e se não assisto mais é para preservar a saúde do meu pobre coração corinthiano que baqueia à cada lance perdido.

Semana passada assisti ao clássico (ainda se usa essa expressão?) Corinthians e Flamengo.

O Corinthians precisava de 2 gols de vantagem e marcou logo no 1° tempo, o que me permitiu divagar sobre o que o Predador estaria fazendo no time adversário.

Descobri que aquele é o Wagner Love e as tranças vermelho e preto são homenagem ao time em que joga. Pensando bem, melhor isso do que mandar amarrar a mulher no poste como parece que um outro colega de equipe fez.

E então, no início do 2° tempo o Flamengo marcou um. Daí pra frente o Corinthians lutou, se perdeu e lutou de novo, mas 45 minutos passam rápido quando se está no sufoco e aí o Timão ganhou mas perdeu, entendem?

Incorporando o espírito de todos os cronistas esportivos, vivos ou mortos, digo que a torcida, apesar de frustada, deveria sentir orgulho de seu time que buscou a vitória até o último momento.

Mas para uns poucos, frustação é algo com que não sabem lidar e por isso saem chutando lixo, atirando pedras, quebrando vitrines de lojas e arrumando briga.

Para esses poucos tanto faz o esforço dos jogadores em campo ou a vibração da torcida que não economizou fôlego para apitar e gritar o jogo inteiro incentivando seu time. Esses poucos só se comportam com alguma civilidade quando são tangidos feito gado pelas viaturas e pela cavalaria da PM.

Ainda bem que são minoria. Do contrário, nem toda a honra e tradição de minha família iria me impedir de torcer apenas pela equipe de patinação artística da Dinamarca.

P.S.: Aproveitando a festiva data do Dia das Mães, um conselho de mãe para o Ronaldo: pare com essas reclamações meu filho. Os ídolos são feitos e eleitos pelo povão e querer reinvindicar o título é tolice. Todo mundo sabe que você mereceu ser chamado de ídolo algumas vezes e em outras não.

Se você está cansado, dolorido pelas inúmeras cirurgias e sente falta dos fins de semana prolongados com a família, aposente-se e vá desfrutar com ela da montanha de dinheiro que ganhou como jogador profissional. Para matar a saudade dos campos, entre para um desses times de simpáticos barrigudos que jogam com os amigos e comemoram a vitória ou a derrota com uma cervejada.  Você merece ser feliz na vida.