E a chuva não para de chover como disse o menininho na fila do mercado.

Ouvi no rádio que apenas em 1940 choveu mais que agora. Ouvi também uma propaganda política onde o candidato prometia resolver o problema das enchentes em São Paulo. Como sou um pouco tonta e ando irritada com a cara de pau desses sujeitos, fiz cara feia e respondi para o rádio: “Prometer é fácil, quero ver é fazer!!”. E já que estamos falando em chuvas, eles que tirem o cavalinho da mesma, caso estejam esperando meu voto.

Há anos que passo pelas marginais do Tietê e vejo a draga tirando areia do rio e amontoando nas margens. Sempre fico pensando pra onde vai aquela areia toda…Alguém me disse que volta para dentro do rio porque após ser retirada a areia permanece ali mesmo, nas margens, e que é por isso que as obras de dragagem são eternas e tão lucrativas. Não sei se é verdade ou não, mas que faz sentido, isso faz. O Rio Tietê continua não dando vazão às águas e qualquer chuvinha vira um inferno para quem precisa passar por suas marginais.

A Prefeitura veicula um “institucional”, também no rádio e afirma que nossa cidade foi construída entre rios “com pouca inclinação”; cita várias obras que dizem ter feito para resolver o problema das enchentes, apresenta aqueles números que sempre impressionam e  aproveita para falar que a população tem culpa porque joga sofá no lixo. Aliás, joga fora do lixo, como se todo mundo tivesse sofás sobrando pra tacar fora. Será que os sofás que estão por aí não vieram flutuando na enxurrada, junto com as camas, geladeiras, roupas, etc?

Falando sério, acredito que a população tem um pouco de culpa mesmo, porque saquinho de supermercado cheio de lixo largado pelas calçadas deve contribuir para o entupimento das galerias pluviais e papel atirado no chão também. Mas a limpeza dessas galerias, dos piscinões  ou a varrição das calçadas é feita com a frequência e cuidado necessário?  Sobre as calçadas é curioso observar que o que é varrido (quando o serviço é feito) é o meio-fio. Calçada, segundo a Prefeitura, é por nossa conta e isso deve ser porque o IPTU que pagamos é pouco, não é mesmo?

Conversando com um amigo, soube que na  Casa Cor que aconteceu em São Paulo alguns anos atrás, foi apresentado um piso permeável, feito à base de pó de cimento e resíduos vegetais. A água recolhida debaixo desse piso pode ser reaproveitada para uma série de usos e no evento eles fizeram fontes jorrando a água coletada. Porque será que ninguém pensou nisso quando refizeram as calçadas da Avenida Paulista? Pode até ser que esse tipo de piso custe um pouco mais, eu não tenho essa informação mas, a longo prazo certamente esse custo seria absorvido pelos benefícios que acarretaria (coletar a água para lavar as calçadas ou molhar os jardins, por exemplo).

Quando se constroem os imensos shopping centers e condomínios verticais, alguém se preocupa com a permeabilização do solo ou só interessa construir aqueles edifícios imensos e de gosto duvidoso? Contorna-se o problema do impacto ambiental apresentando os prédios para aprovação um por um o que gera uma metragem quadrada menor, segundo reportagem do jornal Folha de São Paulo. O jeitinho e a esperteza de alguns brasileiros continuam firmes e fortes.

É tanta coisa errada e tanta coisa para reclamar que talvez só dando um passeio pela chuva para esfriar a cabeça e não cansar o eventual leitor com um post sem fim. Fui.