Não sou muito boa nessa coisa de resoluções de fim de ano, nem em planejamentos a longo prazo. Não lembro de nenhum dia 31 de dezembro em que tenha sentado confortávelmente no sofá e pensado “nesse ano vou juntar dinheiro e viajar”, mesmo porque odeio viajar (mas isso é assunto para outro post), ou “comprarei uma geladeira”, ou” vou  iniciar uma dieta da água filtrada e abobrinhas cozidas”, ou” mudarei de emprego”, etc.

Toda vez que planejo um pouquinho mais longe a vaca vai pro brejo. Parece uma invariável cósmica, aquele lance do “universo conspira”… Por isso nunca faço promessas de final de ano.

Há decisões tomadas no calor do momento, tipo “vou matar esse vizinho pagodeiro que liga o som alto das 9 da manhã às 3 da madrugada” ou “vou cortar o pinto desses cachorros mijões”, mas essas obviamente são esquecidas no mesmo instante e só ressucitam mediante a repetição dos fatos geradores. Tem as que já sei de antemão que provavelmente vou descumprir, como a de não jogar mais nada on-line ( comecei FarmVille e CaféWorld no Natal). E tem as que sei que nem adianta, como no caso das “dietas” e “academia”.

Essa história de “comemorar a passagem de ano” não existe pra mim. Pode parecer anti-social, mas nem ligo pra festas de reveillon, não gosto de champanhe, música alta, abraços falsos, multidões e fogos de artifício. Sou uma Ogra consciente e feliz.

Neste dia 31 de dezembro de 2009  peguei a vassoura e varri minha casa criteriosamente. Num ritual inventado na hora, à cada vassourada ia dizendo em voz alta: pra  fora o cansaço, pra fora as doenças, pra fora as guerras, pra fora a falta de dinheiro, pra fora as tristezas,  pra fora a impaciência, pra fora os falsos amigos, e tudo o mais que consegui lembrar. Imaginei que junto comigo estavam a minha família e os meus amigos e que todos nós varríamos o lixo de nossas vidas. Foi ótimo!!