Cada vez que reclamo sobre alguma coisa da reforma escuto de volta: “ah é assim mesmo!

Flávio, o empreiteiro, disse que na primeira semana vai tudo bem, na segunda algumas coisas começam a incomodar, na terceira o stress é grande e na quarta, finalmente a paciência do cliente acaba. Deve ser por isso que sempre pedem um mês para executar as obras; na hora da explosão fatal tudo já deve estar quase terminado. No momento estamos na quinta semana, o que pode dar uma idéia do clima reinante.

Batendo de frente com um prestador de serviços cujo método de trabalho não me agradou, e que insistiu em ter razão ignorando qualquer argumento contrário e encontrando desculpas para fazer as coisas à sua maneira, explodi na segunda semana…

Depois de mais duas semanas de paciência só restou trocar de profissional enfrentando o risco de ter uma pessoa nova para assumir na reta final e terminar o serviço. Por isso é bom ter um empreiteiro: eles sempre trabalham com várias equipes e podem fazer a substituição quando necessária.

O que fazer se uma empresa não entrega a peça encomendada sob medida? Como agir se a cada vez que ligamos ouvimos a garantia de que “até o final do dia” ou “no máximo ate amanhã” o problema estará resolvido, mas os dias vão passando e nada da encomenda ficar pronta? Cancelar? Gritar? Xingar a mãe do gerente, do vendedor, do transportador? Sentar no meio do caos e chorar?

Por conta de um maldito e fedorento esmalte sintético da Coral estou dormindo novamente no sofá “pé pra fora”. Essa tinta foi aplicada na porta do quarto para “resolver um problema” e, mesmo depois de 4 dias, o cheiro continua insuportável, me obrigando a ficar o mais longe possível! É por isso que só uso tintas à base de água: elas não têm cheiro, não me dão dor de cabeça nem náusea e não provocam alergia. Me arrependo de ter acreditado nos argumentos do pintor (que era da equipe daquele que dispensei)…

O que mantém minha sanidade são os vislumbres aqui e ali de como tudo vai ficar lindo quando estiver pronto.

Assim nem vejo as várias tomadas elétricas pulando pelos buracos da parede, nem a solitária lâmpada pendurada no teto de minha sala por um único fio, nem as 9 portas que estão à espera de pintura (à base de água, of course), nem a torneira da pia da cozinha que foi retirada e não recolocada (no lugar está uma torneirinha provisória que não pode ser usada).

Também tento não me preocupar com a bancada de vidro do banheiro que não há meio da “SOS Vidros” entregar, nem com os armários da cozinha que estão reformados pela metade e espalhados pela casa, nem com o escritório que ainda não foi pintado.

Procuro não pensar no armário do banheiro que não foi orçado até agora porque depende da bancada de vidro que não foi entregue, nem na falta de finalização da colocação dos azulejos, da pia e da torneira do banheiro que dependem da famigerada bancada de vidro, nem no transtorno que será hospedar por dois dias os cachorros em hotel e eu com 3 gatos na casa da minha irmã (que tem uma gata velha e cega),  para que possam aplicar Epóxi, que tem um cheiro insuportável, nos azulejos da cozinha, nem………BBBUUUMMMMMMMMMMMMM!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!