Lentamente vou recuperando os espaços dentro da casa. Já tenho a cama e um pedaço do quarto de volta, ou seja, não durmo mais estilo “pé pra fora” no sofá. A sala também ficou metade disponível e o banheiro pode ser usado, desde que com cuidado. Aos poucos os pedreiros vão abrindo caminho para minha vida voltar ao normal.

Foi pensando nesses pequenos avanços que sai para passear com os cachorros e, talvez porque “espaço” esteja na ordem do dia olhei melhor as ruas aqui por perto. E fiquei espantada! Na quadra antes da minha casa abriram, nos últimos seis meses, 3 restaurantes chics que se juntam a um bistrô, um de comida contemporânea, um “por kilo”, uma pizzaria, um chinês delivery e um botecão, já existentes. Na quadra em que moro, outro botecão e uma casa sendo reformada para mais um restaurante, bem ao lado de uma doceria, um restaurante italiano, um de comida caseira e outro “por kilo”.

Tendo dinheiro não passarei fome…mas o problema é que também não andarei tranquila pelas calçadas. O costume por aqui é estacionar sobre as calçadas nas porta dos distintos estabelecimentos para pegar os clientes e o pedestre que se dane. Será que os fregueses sabem que é proibido estacionar na maioria das ruas próximas? Será que sabem que os manobristas largarão seus carrões  provavelmente em locais proibidos? Salvo o povo trabalhador das redondezas, que vai à pé nos botecos e nos “por kilo”, o resto vai ajudar, com as multas, a  encher os cofres da prefeitura que está expedindo alvarás de funcionamento à torto e a direito sem se preocupar com nada, como sempre.

Prá mim está tudo bem. Fecho a cara e olho feio para os seguranças e manobristas e fico esperando que tirem o carro para poder passar. Se me encaram, solto o tradicional “a calçada é do pedestre e não é estacionamento!”. Nenhum resistiu até agora, e os resmungos me fazem rir secretamente. Pensem que tenho menos de 1,60m, já sou quase uma “Idosa” e ando com um poodle e um maltês. Percebem o ridículo da cena?