Fui ao cinema ver Lua Nova, a continuação da saga Crepúsculo, que tem como personagem masculino principal não mais um vampiro super bem intencionado chamado Edward Cullen. Nesse episódio quem manda é Jacob Black (Taylor Lautner), o lobisomem que está naquele momento da puberdade onde se passa de pato à ganso, ou nesse caso, de pet à lobo. Jacob sabe consertar motos que estavam no lixão da cidade, mente para os amigos dizendo que está saindo com a menina, fica emburrado, sai batendo a porta e se revolta de vez em quando. Um adolescente quase normal.

Ele vive os conflitos de um garoto apaixonado que não está nem aí para a sonsice de sua amada Bella. É dedicado, protetor, meiguinho mesmo quando vira lobisomem e, para completar, o ator tem a voz de taquara rachada característica dessa fase da vida dos meninos. O pobre e deprimido Edward (Robert Pattinson) quase só aparece nas alucinações de Bella e mal notei sua presença.

Uma coisa me incomodou o filme inteiro: o “hair style” dos atores.Gente nunca vi tanto cabelo feio na vida, tanto laquê, tanto cabelo duro, tanto loiro descaradamente falso. As únicas que se salvam do desastre são Alice, com um corte meio desestruturado e desfiadinho e Vitória, com o cabelo ruivo longo, brilhante e cacheado. E Jacob, é claro, que começa com uma peruca indígena medonha, mas depois fica lindo de cabelo baixinho e arrepiado. Os Volturi, papai Cullen e Jasper usam perucas e penteados que são de chorar; mal consegui acompanhar algumas cenas porque meus olhos iam involuntariamente para aqueles ninhos de mafagafos.

O filme se arrasta com a atriz Kristen Stewart, tentando dar vida(?) à personagem Bella Swan e falhando miseravelmente. Para expressar profunda decepção e tristeza ela dá uns grunhidos e aperta a região do abdomem como se estivesse tomada por espasmos de cólicas menstruais. A menina está deprimidíssima depois do pé na bunda fora que levou de seu amado vampiro e não vi uma lágrima sequer, nem mesmo uns olhinhos marejados; até debaixo de chuva ela mantém os olhos secos. Efeitos especiais bem chinfrins  na hora da transformação dos lobisomens e da luta dos vampiros; no mais, muita maquiagem branca, purpurina, boquinhas vermelhas de gloss e lentes de contatos tão bizarras que não sei como a cidade inteira nunca desconfiou que aquela gente é vampira.

Ainda acho que o tema principal de Stephenie Meyer não tem nada a ver com vampiros nem com lobisomens, mas sim com a questão da castidade e virgindade na vida dos adolescentes. Basta ver os esforços dos personagens para se manterem puros até o casamento e os namoricos inocentes dos amigos do colégio. A atividade sexual nesta história é delimitada pelo beijo e pelo abraço. Só faltou o “aperto de mão”…