O próximo domingo é dia de reunir a mulherada no LuluzinhaCamp aqui em São Paulo, ou seja, dia de discutir um monte de assuntos  — femininos ou não. Aliás isso de dizer que tal assunto é “de mulher” já não faz nenhum sentido.

Muitas entendem de futebol, tecnologias, informática, carros, fotografia, etc e junto vão engatando conversas sobre filhos, maquiagem, estética corporal,arte, pets, tatuagem, sexo, cozinha…estamos muito mais ecléticas e bem informadas. E acima de tudo, temos muito mais liberdade e espaço para discutir tais assuntos.

Conversei outro dia com uma senhorinha de mais de 85 anos, e ela disse: “Minha mãe tinha muito talento para pintura. Pena que meus avós não a mandaram para uma escola especializada. Ela poderia ter sido uma grande artista”. Olhando os quadros que a mãe dela pintou aos 14 anos vi que não era uma afirmação vazia —  havia ali muito talento que foi direcionado para áreas consideradas mais “femininas” na época: o lar, os filhos, os bordados, o “saber receber” e o “saber tratar com a criadagem”.

Nasci quando as mulheres já  “trabalhavam fora” e, graças à pessoas como a senhora Chanel, há décadas tinham se livrado dos espartilhos; podiam até usar “trajes masculinos”, como calças compridas, camisetas e gravatas, tudo misturado com pérolas e correntes douradas. Um luxo!

O comprimento das saias e a altura das cinturas  subiu e desceu, o divórcio finalmente foi implantado no Brasil e as mulheres perderam o estigma de “separadas”. De quebra, homens casados tiveram que inventar outra desculpa para  não assumir os compromissos fora do casamento, apesar de continuarem usando até hoje o clássico “minha esposa é muito doente”! Houve o aumento da presença de mulheres em cargos de responsabilidade e liderança nas empresas e aparentemente os brasileiros deram um passo à frente criando leis específicas para a proteção das mulheres e crianças.

Tudo isso e muito mais costuma ser discutido entre nós. Quando nos reunimos também damos muita risada, às vezes fazemos comentários maldosos, aprendemos muitas coisas novas, falamos de nossos relacionamentos e de nossas esperanças e decepções.

No próximo domingo preciso dar um jeito de disfarçar as olheiras resultantes de noites mal dormidas por causa da reforma do apartamento; não quero ficar com cara de quati albino, com aquela sombra esbranquiçada de corretivo ao redor dos olhos. Ainda bem que tenho filha muito querida que adora vídeo de maquiagem e que me ensinou a resolver esse problema. Como eu disse, nós mulheres aprendemos muito umas com as outras. Sempre.