IMG_0331Chegou a sexta feira e o momento esperado com ansiedade: o assentamento do piso. Parece coisa simples, mas não é bem assim. Existe uma técnica para esse trabalho: primeiro é preciso definir por que lado começar por causa do alinhamento com os outros ambientes  já que vou colocar o piso na casa toda e ele vai ficar contínuo. Então as emendas têm que “bater” com as do próximo cômodo pra não virar “pastiche”; é preciso também prestar muita atenção no “desenho” (mesmo que seja muito sutil) que precisa ir todo no mesmo sentido.

Enquanto me explica tudo isso, o Luiz  coloca as duas primeiras peças lado a lado na porta de entrada, prende um fio e estica até o outro lado pra fazer a guia e aí vem a grande surpresa: a sala é totalmente fora de esquadro. Olho e não posso acreditar; tenho uma sala desenhada por Picasso no auge da fase cubista!

Luiz, que é um sujeito muito calmo, liga para o empreiteiro Flávio  e em questão de minutos lá estão os dois, calmamente de pé no meio da sala. Estica, puxa, mede, pensa, olha de um lado e de outro, colocam várias peças no chão, testam, olham de novo, trocam idéias. Saio de perto e vou cuidar da vida enquanto eles descobrem um jeito mágico para sumir com uma diferença de quase 15 cm entre uma ponta e outra da sala e fazer aquilo dar certo.

Tudo resolvido, lá vão Luiz e Pedro colocando quadrado por quadrado até preencher todo o chão. Quase esqueço de dizer que tanto o Luiz, como o Pedro, são super bem humorados. O dia todo escuto as risadas dos dois e é ótimo.

Faltando 3 peças paraterminar o serviço percebo uma mudança no tom da conversa e vou dar uma olhada. O Luiz está branco e com a mão mergulhada no balde de água. Pergunto o que aconteceu e ele mostra: cortou a mão na cerMakita para cortar mármore 4107Râmica e está sangrando bastante. Aprendi na minha vida moleca que corte a gente lava com sabão de pedra; acho que a soda mata as bactérias, sei lá.  Digo isso ao pedreiro agoniado, vou buscar um pedaço de gaze e esparadrapo e faço um curativo depois que ele lava e seca a mão. Nunca vi um homem daquele tamanho tão assustado mas entendi o  motivo.

Um dia antes, um colega de equipe quase perdeu o polegar na Makita, maquininha muito útil com a qual eles convivem diariamente, mas basta um pequeno descuido para o desastre. Foi por isso que aquele homem tranquilo suou frio e quase desmaiou no meio da minha sala: ele lembrou do amigo e do perigo.

Sábado eles chegam cedo; é dia de colocar o rodapé e fazer o rejunte e o Pedro foi substituído pelo Vando. Pergunto do ferimento e o Luiz mostra a mão com um band-aid. O “corte enorme e sangrento” já fechou e está cicatrizando. Deve ser o sabão de lavar roupa: antibactericida e cicatrizante!

Na hora do almoço está tudo pronto, varrido e bonito. A mágica foi feita!