paredeFinalmente resolvi enfiar o pé na jaca e fazer uma pequena reforma no apartamento onde moro, mas confesso que estou apavorada, trêmula, de coração na mão um pouco ansiosa.

Explico: em 1990,quando me mudei,  na costumeira fase de contar os caraminguás na carteira pouca verba,  o que fiz foi mandar arrancar a forração podre e nojenta desgastada que cobria o chão e pintar as paredes que estavam imundas. Para se ter uma idéia do tamanho  das ruínas,  este apartamento,  havia ficado desocupado por 5 anos mais ou menos, e claro que alguém em algum momento havia esquecido as janelas abertas para a chuva, a poeira e até para bucólicas folhas secas.

Debaixo da forração encontrei um piso de tacos de madeira mais ou menos em ordem, com uns soltos ou  podrinhos aqui e ali, que dei um jeito de substituir. Tempos depois, quando o dinheiro permitiu, mandei passar a máquina para lixar e apliquei Cascolac. Ás vezes penso que esse negócio de “serviços” é uma loteria. O  Cascolac em menos de um ano começou a rachar e ficou uma coisa assim… como direi… toda trincada, rústica. Convivi com isso por muitos anos, e a cada vez que um taco se soltava lá ia eu de cola Cascorez em punho e pááá! grudava o infeliz de volta.

Mesmo sem grana, antes de mudar tive trocar os azulejos e a louça sanitária do banheiro. Não sei se vocês já viram, mas nos anos 70 (época da construção do prédio) o chic era colocar peças em tons inusitados e aqui  o  modismo adotou um marrom meio caramelo escuro e os azulejos “combinantes” eram creme com tulipas laranja. Óbvio que meu delicado aparelho digestivo travou de imediato em protesto à essa maravilhosa decoração em tons de merda dejetos. Mandei arrancar e trocar aquilo, por questões de saúde física e mental.

Passei também pela explosão dos canos de água desse banheiro, que transformou minha humilde morada em uma piscininha instantânea. O bom disso é que eu estava trabalhando e não vi acontecer. O ruim é que o síndico precisou mandar fechar a água do prédio para conter a inundação que avançava para o hall de entrada e ameaçava invadir os elevadores. O péssimo foi quando cheguei à noite e percebi o ódio no coração de cada vizinho.

Por causa desse acidente aquático fui forçada a trocar o encanamento de todo o apartamento o que representou quebra quebra de parede e também de minha conta bancária. Levei tempo para restabelecer a confiança em pedreiro, encanador e pintor.

Então, muitos anos depois, num momento de doidice total, decidi que chegara a hora de dar uma solução para aquele chão horroroso. Agarrei minha querida filha Gabi,   pelo braço e a arrastei num sábado ensolarado, para uma dessas lojas que vendem carpetes de madeira, contando com os palpites a opinião dela para me ajudar na escolha.

Lembro perfeitamente de ter dito ao vendedor que eu dividia a casa com dois cachorros de pequeno porte e, na época, cinco gatos de tamanhos variados ( a Gabi já havia abandonado o ninho). Expliquei que precisava de uma coisa impermeável à xixi e fácil de limpar, que pudesse ser aplicado sobre os tacos  e que coubesse no meu orçamento, como sempre minúsculo.

Saí de lá com um piso clarinho (indo contra os conselhos  da minha assessora especial ),  que em poucos meses começou a estufar graças à irrigação diária que os cachorros providenciavam. Por uma questão de respeito à vida dos animais, passei a manter todas as portas fechadas criando um efeito estufa particular. Mesmo assim, como o tal piso precisa ser limpo com pano úmido, com o passar do tempo a situação foi degringolando e hoje tenho um chão novamente em ruínas (tá, é exagero meu, mas não está sequer decente).

Essas foram mchãoinhas experiência com reformas, até o momento.

Agora, como disse lá no início, decidi que preciso dar um jeito nas coisas por aqui.  Só de pensar no assunto  já está me dando vontade de desistir, mas olhando a foto ao lado percebo que não tenho essa alternativa. Vou respirar fundo, fazer mentalizações de reformas com finais felizes, chorar ali no cantinho e outra hora termino de contar  o que resolvi fazer  porque, além de tudo, este post  ficou um “tijolão”.