Imagem obtida no site www.freakingnews.com

Michelangelo Art Pictures - Strange Michelangelo Art Pics

http://www.freakingnews.com

Não seja louco portador de transtorno psíquico.

No caso da natureza ter sido má com você e ter lhe dado um distúrbio qualquer, por favor não surte. Principalmente não surte em público. Se morar em Campinas não surte de jeito nenhum.

Se for investigador de polícia então, nem pense em surtar.  Se além de policial você for transexual, jamais tenha a ousadia de surtar e nem mesmo de ter um ataquezinho de nervos que seja.

Caso você acredite sériamente que possui um esquema mágico para ganhar na loteria, que alguém sussurra ordens em seu ouvido, que  uma cantora de axé divulga mensagens satânicas em suas músicas, e principalmente que é filha(o) de um apresentador famoso, avise sua família.

Eu entendo que se você é louco portador de transtorno psíquico grave não tem noção de nada do que foi dito acima e tudo deve parecer bem natural, mas sua família e seus amigos sabem que não e talvez possam ajudá-lo.

Se apesar de tudo acontecer de você surtar em público e resolver roubar um celular lá em Campinas ( e acho que em qualquer cidade do Brasil),  saiba que você poderá ser detido pela PM e algemado pela Polícia Civil em uma maca de Pronto Socorro permanecendo imóvel por 5 dias.

Nesse meio tempo você vai virar notícia de jornal, será citado em um blog de policiais civis onde será chamado de “veado campineiro” e um apresentador de TV apontará para “a lingerie vermelha” que você estava usando.

Antes, na delegacia, você vai jogar a sandália na cara do delegado, cantará em italiano e ficará nú  em uma “clara evidência” que você surtou e que precisa ser contido. Encaminhado para o P.S. receberá um “sossega-leão” ( Haldol e prometazina),  “apaga” e nas próximas 100 horas ficará quietinho algemado na maca. Direto, sem poder mudar de posição, sem poder se mexer.

Mesmo que você não seja religioso reze para que um advogado especialista em direitos das minorias apareça. Reze para que um psiquiatra que trabalhe em algum órgão de defesa dos direitos humanos faça um laudo coerente que isente você da responsabilidade pelos atos praticados durante o “epísódio maníaco”. Que esse psiquiatra diga que “É de uma injustificável crueldade física e psicológica algemá-la na ala psiquiátrica”. Que diga o óbvio.

Quem sabe assim você consiga um tratamento correto, talvez com um dos residentes do tal hospital público, um daqueles que, demonstrando competência e humanidade, bateu boca com a polícia quando resolveram te algemar. Quem sabe você consiga ficar curado, ou pelo menos apto a continuar seu curso de direito na PUC. Afinal você é quintanista, não pode desperdiçar todos esses anos de estudo.

Duvido que você possa continuar na polícia e que reconquiste o respeito de seus colegas policiais,  não se esqueça que você é uma pessoa que “mudou seu comportamento”, andava “trajado de mulher” e usava “pinturas e esmaltes correspondentes à vaidade feminina, às vezes muito ousados…”. Para eles você é e sempre será um pária.

Neste Brasil desumano, em pleno século XXI certas coisas permanecem iguais ao que eram no século passado, e no anterior, e no anterior, e no…

P.S: Leia a íntegra da notícia que motivou este post aqui