O título deste post foi tirado da sentença proferida pelo juiz Paulo Mello Feijó do 1º Juizado Especial Cível, do Tribunal do Rio de Janeiro, em agosto deste ano.

vikingA história resumindo para quem não leu a notícia foi a seguinte: um policial federal ao descobrir que sua mulher mantinha um caso extraconjugal ameaçou o rival que assustado (ou vingativo), denunciou o traído à Corregedoria da Polícia Federal. Novelão não é mesmo?

O problema é que a denúncia foi descoberta e o marido passou a ser alvo das chacotas dos colegas. Por isso ele entrou com ação por danos morais contra o amante da mulher alegando que estava sendo obrigado a conviver com o gracioso nome de “corno conformado” em seu ambiente de trabalho.

O caldo entorna de verdade quando o juiz da ação, na sentença – aparentemente em defesa das mulheres – tripudia sobre o portador do adereço de cabeça dizendo que a mulher desprezada tem dois caminhos mais comuns: “murcham, se deprimem, envelhecem” ou vão atrás “de outros braços, outros beijos”. Afirma que quando o marido relapso descobre a traição, ele sente  que perdeu “sua dignidade de marido, de posseiro” e foi transformado “num solene corno!”

O juiz acredita que o pensamento feminino é: “Meu marido não me quer, não me deseja, me acha uma ‘baranga’ – (azar dele!) mas o meu amante me olha com desejo, me quer – eu sou um bom violino, há que se ter um bom músico para me fazer mostrar toda a música que sou capaz de oferecer!!!!”  Diz ainda que homens de meia-idade que querem a mulher “plugada” 24 hs (sic), não sendo mais tão viris descarregam nela suas frustrações e as chama de gorda e celulitada.

Aqui eu que sou leiga em leis e em cornices, discordo respeitosamente do digníssimo juiz.

Existe uma atitude digna e bem mais comum (ao contrário do que o meritíssimo pensa), tomada pelas mulheres (e pelos homens) no caso de fracasso do relacionamento: rompimento. Sair pela tangente, mantendo o casamento enquanto busca um (a) amante que a (o) faça se sentir um “bom violino” é no mínimo uma atitude covarde e imoral. O adultério não pode ser justificado com frases de efeito.

Não entro no mérito da decisão tomada, mas no fim os trechos da sentença do juiz Paulo Mello Feijó que foram publicados nos jornais, mais parecem retirados de um romance de Nelson Rodrigues e nessa história não existe vencedor.