livroAvalio se um livro é bom ou não pela ansiedade que me provoca. Se devoro as páginas feito uma ogra faminta, então acredito que estou diante de uma obra prima!

Nenhum critério técnico, nenhum conhecimento em literatura, nadinha…só a vontade louca de ler, descobrir a trama e acabar logo com as 200 páginas  que demoro 2 dias para ler ou as 600 que exigem uma semana ou pouco mais de leitura.

Acabo de ler Os homens que não amavam as mulheres, escrito pelo jornalista Stieg Larsson, e confesso que demorei 15 dias. Esse período maior só teve um motivo: a minha dificuldade e/ou preguiça em memorizar os nomes dos personagens e lugares da Suécia, que não faziam sentido nenhum dentro da minha cabeça de jaca.

Quando consegui assimilar aquele monte de tremas e consoantes a história foi outra. Não pude mais largar o livro; varei madrugadas e andei com aquele tijolo de 522 páginas pra baixo e pra cima,  aproveitando cada segundo livre para ler mais um pedacinho.

Stieg Larsson deixa claro que amou as mulheres  e soube entender suas complexidades.

As personagens femininas são cheias de nuances. Apresentam-se confusas, competentes, assustadas, delicadas, indefesas, corajosas, resmungonas,  inteligentes, falsas, solidárias…enfim, mulheres reais.

Nenhuma é dotada de beleza deslumbrante como acontece nos romances açucarados e tramas rasas, mas cada uma possui algo de cativante que faz com que o autor se derrube em elogios e amor. Com idades que variam de 24 a 56 anos são todas igualmente desejadas e amadas, deixando para trás a idéia esteriotipada de que apenas as jovens e bonitas merecem esse privilégio.

Que a trama que relata a investigação feita por um jornalista de esquerda e sua auxiliar hacker/punk para descobrir o(s) crime(s) é cheia de surpresas e bem amarrada nem preciso dizer.

Para demonstrar meu amor por Stieg Larsson digo que como o livro é o primeiro de uma trilogia,  já encomendei os outros dois e lamento muito sua morte prematura que privou o mundo de alguém que realmente vale a pena ler.