14684Proponho que 20 de agosto de 2009  seja marcado nos calendários  como o Dia da Vergonha Petista!

Posso dizer isso com absoluta convicção porque fui petista de primeira hora, acreditei no Partido dos Trabalhadores, confiei em Luis Inácio da Silva (desde quando “Lula” ainda não fazia parte de seu nome), me filiei ao partido, votei em seus candidatos desde o início, fiz campanha, discuti com muitos amigos para defender as idéias, fui na passeta pelas Diretas Já! toda orgulhosa com a estrela vermelha no peito, acreditei piamente no discurso da Ética contra a Corrupção e nas propostas de mudança. Fui uma petista de coração!

O senador Flávio Arns ( PT-PR) afirmou: “Tenho vergonha de estar no PT”  e  digo : Eu também senador… eu também. E tem mais, estou em pior situação que o senhor porque não ocupo cargo político e não tenho voz para influir em nada! Seus colegas petistas não fizeram uso da voz que têm. Estão todos calados e acomodados .

Irei procurar a forma de me desfiliar porque não vou apoiar a latrina a contradição que o partido se tornou. Tenho vergonha! Aliás uma vergonha que transbordou no momento em que vi Lula e  Collor juntos na primeira página dos jornais.

O senador Aluizio Mercadante (PT-SP com 10 milhões de votos),  ameaçou deixar o cargo de líder da bancada petista no Senado porque não concordava com a posição do partido diante da atual crise, mas recuou depois de receber uma carta de Lula e continuou lá, mesmo se declarando frustrado.  Parece que  Mercadante não teve coragem de enfrentar o presidente da república.  Talvez eu esteja fazendo um julgamento errado, mas para mim, faltou fibra ao senador Mercadante (e à seus pares).

A senadora Marina Silva, contra a qual nunca se levantou nenhuma denúncia em quase 30 anos de partido, não ameaçou – simplesmente saiu. Quem mais? No PT apenas o silêncio ou as declarações deselegantes do presidente Lula que despreza publicamente a contribuição dada ao partido pela senadora Marina e pelos eleitores  que o colocaram lá.

A “teoria da conspiração” não pode mais  ser usada pelos defensores do Partido dos Trabalhadores como desculpa diante dos fatos. Acredito que as denúncias contra o senador José Sarney não foram inventadas  apenas para gerar manchetes e vender jornal. Não parece também “intriga” da oposição.

O  senador Sarney foi acusado de sonegação de impostos, de favorecimento à familiares, de ter se beneficiado de informações obtidas pela Polícia Federal, de desvio de verbas públicas através de uma fundação que leva seu nome, e de atos secretos no senado para criação de cargos e aumento de salários.

Se ele é inocente, nada mais acertado do que deixar que as denúncias fossem investigadas para provar, de forma cristalina, essa inocência. Se ele é culpado e está saindo ileso, o Conselho de Ética do Senado está dando seu aval para todo e qualquer tipo de ilicitude que se queira cometer.

Se o senador Sarney estivesse realmente compromissado com a apuração da verdade, teria renunciado ao cargo de presidente do senado e incentivado as tais investigações para sair delas fortalecido e com a reputação limpa. Não foi essa a atitude do senador. Porque seria?

O que o senador fez foi agarrar-se ao cargo, fingir que não estava preocupado com a crise. Hoje um jornal de circulação nacional publica um artigo assinado por ele atacando a existência do Conselho de Ética. Usa como argumento principal que são  parlamentares julgando parlamentares o que impediria a isenção no julgamento.  Se isso fosse verdadeiro todos os conselhos de ética deveriam deixar de existir.  Aliás, muita gente adoraria…

Aparentemente para manter o apoio do PMDB na  campanha ( na minha opinião natimorta) da Ministra Dilma, o Presidente da República  Luis Inácio Lula da Silva se aliou a Sarney e interferiu no voto dos senadores petistas  mandando que votassem pelo arquivamento das denúncias. Foi obedecido. Parece-me que o preço à ser pago será alto demais para todos os envolvidos.

O descrédito que sinto não pode ser só meu. A desilusão não pode ser só minha. Cedo ou tarde os eleitores se manifestarão e duvido que continuem apoiando o Partido dos Trabalhadores ou o presidente Lula.

Eu me declaro ex-petista!